sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Diabel-Resenha de filme


Direção: Adrezj Zulawski

Sinopse:
Em meio a invasão prussiana
do território que hoje é conhe-
cido como Polônia, conspirador
é liberto de um manicômio/convento
de freiras por uma misteriosa figura
em negro que lhe pede em troca 
uma lista com seus colegas cons-
piradores. Escapando na última ho-
ra do massacre promovido pelo 
exército e acompanhado por uma
freira, ele chega em sua casa e encon-
tra seu pai morto, sua irmã delirante
e sua mãe em um prostíbulo de luxo,
enquanto é perseguido pelos exércitos
e guiado/comandado pela mítica figura
em negro que parece ser um misto de 
demônio e salvador

Crítica:
Imediatamente banido da Polônia após
o diretor têr fracassado em sua tenta-
tiva de convencer as autoridades polo-
nesas, classificando-o como um "filme
histórico sobre a invasão prussiana",
Diabel é na verdade uma alegoria
sobre abuso de poder e do delírio e lou-
cura como último refúgio.
Ainda que todas as características que
fizeram Zulawsky ser amado e odiado
na mesma proporção estejam presentes,
infelizmente a tecelagem destes elementos
se mostram menos inspirada que na obra
prima The Third Part of the Night e em 
alguns momentos passa-se a impressão do
material ter fugido ao seu controle. As per-
formances são de uma teatralidade e histeria
que por vezes beiram o ridículo e a violência
extrema (tiros na face em close, castrações,
execuções a sangue frio etc.) quase sempre opera
"contra"o filme. Mesmo com estas deficiências
Diabel não é um filme carente de qualidades.
O estilo do diretor é nada menos que exuberante
e sua câmera nervosa (um puta trabalho de 
hand-held) e forca emocional têm um profun-
do efeito no espectador (escrevo esta resenha 
seis dias após assisti-lo).
Diabel é Zulawsky em seu mais demente, intenso
e histérico. Não é seu melhor, mas impressiona.

Cotação: **** de *****

sábado, 5 de setembro de 2009

Precipícios-Letra

Estava futucando uns arquivos antigos 
num diskete e eis que encontro essa 
insignificância. A primeira e ÚNICA 
letra que escrevi.

PRECIPÍCIOS

Dedicada a Zé Ramalho


Cá estamos nós
A beira do precipício
Distantes um do outro
Próximos dos vícios

Barreira intransponível
Estrutura desafiante da razão
Erguida com a argila do temor
E o adobo da religião

REFRÃO:
Olhe para dentro
Desprenda-se da razão  
Rasgue o véu que obscurece
A realidade e a falsa ilusão

Perdido no labirinto das memórias e espelhos
Cambaleante forma vaga a esmo
Olho atentamente e eis que vejo
A caricatura de mim mesmo 

Procurando uma saída
Em meio a realidade crepuscular
Enquanto não a encontro
Continuo a sonhar

REFRÃO:
Olhe para dentro
Desprenda-se da razão  
Rasgue o véu que obscurece
A realidade e a falsa ilusão

E nas horas que se arrastam
E no dia que chegou
Observo as lembranças e a vida
Exalando como mero vapor

Creepy #2-Resenha de HQ


Neste segundo número Archie Goodwin se torna o
principal roteirista e assume em definitivo as
rédeas editoriais, conduzindo a Creepy ao que ficou
conhecida como "a era de ouro".
No geral uma edição menos irregular que a primeira,
mas nada que se compare aos três roteiros do
Goodwin no primeiro número.

Fun And Games! [Archie Goodwin/Joe Orlando] 

Sinopse:
Após uma discussão com sua esposa em um
parque, homem de meia idade adentra em uma
atração envolvendo tiros para extravasar sua
frustação.

Crítica:
Arte aquarelada do Orlando e enxuto
do Goodwin fazem de Fun and Games
uma divertida incursão no humor negro
estilo E.C.

Cotação: ****1/2 de *****


Spawn Of The Cat People [Archie Goodwin/Reed Crandall]

Sinopse:
Após fracasso ao tentar salvar um homem
do ataque de uma estranha pantera negra,
caçador salva uma moça mantida aprisio-
nada por selvagens de um vilarejo mas
percebe que ela demonstra uma estranha
sintonia com panteras.

Crítica:
Mesmo se este conto de horror rural
de raízes folclóricas tivesse um scprit
medíocre certamente seria salvo pela
arte exuberante do Crandall, de longe 
meu artista predileto da Warren (e olha
que a concorrência é braba!!!).

Cotação: **** de *****


Wardrobe Of Monsters! [Otto Binder/Gray Morrow & Angelo Torres]

Sinopse:
Arqueólogo evoca um encanto egípcio
e tem seu "corpo astral" transferido para
várias criaturas folklóricas e mitológicas.

Crítica:
Nesta pequena pérola cheesy, Binder 
nos entretém com doses generosas
de absurdo camp, improbabilidades
históricas, anacronismos e muito humor
involuntário. Um besteirol gótico em oito pá-
ginas que funciona maravilhosamente bem.

Cotação: ****1/2 de *****


Welcome Stranger [Archie Goodwin/Al Williamson] 

Sinopse: 
Viajando por uma região misteriosa
e inóspita dois amigos a procura de
alguma cidade adaquada para um 
filme de horror chegam em um estranho
vilarejo que parece ter saído direto 
da telona.a

Crítica:
Um roteiro um tanto morno mas com
boas cenas e excelentes desenhos
fazem desta história um horror acima
da média.

Cotação: **** de *****

I, Robot [Otto Binder/Joe Orlando]

Sinopse:
Conto que narra a trajetória de um
robô, da sua criação as dificuldades
encontradas em ser aceito pelas 
pessoas comuns.

Crítica:
Se este conto de FC parece um tanto
ingênuo, clichê e sentimental é importante
frisar que o Binder estava lá antes do 
Asimov e Simak que certamente beberam
da fonte na criação de seus contos com-
parativamente mais maduros e sofisticados.
A adaptação, bastante competente, tem ótimo
ritmo e bons desenhos. Leitura despretensiosa
e agradável mas talvez no gibi errado.

Cotação: **** de *****


Ogre’s Castle [Archie Goodwin/Angelo Torres]

Sinopse:
A procura do irmão, cavaleiro adentra um castelo
habitado por ogres.

Crítica: 
Belíssimo traço do Torres e um final que surpreende
(Goodwin é discíplo de Dahl e O'Henry) fzem deste 
conto de fantasia um adequado coda para esta edição.

Cotação: **** de *****

domingo, 16 de agosto de 2009

The Goon:Nothing But Misery - Resenha de HQ


Sinopse:
Coletânea com vários contos
de um gângster violento mas boa praça
e seu amigo Franky que, em meio
a pequenos crimes e proteção
aos oprimidos, tenta deter
a horda de zumbis comandada pelo temível
Zombie Priest e monstros mutantes marinhos.


Crítica:
The Goon exala cultura pop offbeat
e cinemão de baixo orçamento.Cheira
a noir, Ed Wood, Roger Corman e George
Romero. Ruge como um cano de descarga
fedorento e entra em erupção com explo-
sões de sadismo e ultra-violência de desenho
animado, sentimentalismo ala Frank Capra,
tudo isso embalado num pacote capricha-
díssimo. The Goon é assumidamente demente
e low-brow, mas produzido com um cuidado
e virtuosismo gráfico de fazer corar
qualquer artista pseudo-existencialista
metido a sério e profundo. Eric Powell
nutre uma admiração sincera pela cultura
pop low-brow e isso fica evidente em cada painel,
seja pelo senso de design dos monstrengos
ou pela energia maníaca de sua imagética de-
dicada ao hilariamente bizarro e escatológico.
The Goon pode até ser uma HQ direcionada exclusivamente
ao entretenimento (e a meu ver não têm nada mais
bacana sendo produzido nessa linha atualmente) mas isso
não quer dizer que a abordagem e método de ataque
de Mr Powell seja simplista. The Goon borbulha com
invenção, variedade e referência, seja nas criaturas
que parecem terem saído de algum drive-in de quinta
categoria ou nos anúncios e piadinhas estilo Mad
que interrompem a ação como se fossem comerciais de Tv.
Experimentações com cor e textura, em especial no
belíssimo flashback que conta a história do encontro
do Zombie Priest com um devorador de zumbis chamado
Buzzard, por vezes pululam nos contos, nos livrando
da mesmice e tédio gráfico que por vezes assolam as 
HQ's mainstream.
Por ser um gibi desavergonhadamente referencial,
para o curioso e conoissieur, The Goon permite uma
"segunda camada de leitura" e neste aspecto muito me lembra
os contos do criminalmente subestimado Norman Partridge.
The Goon não vai mudar sua vida mas se o que você
procura é diversâo de alto nível gráfico, editorial e textual
pode mergulhar de cabeça neste pesadelo cômico sem medo de ser
feliz.

Cotação: ***** de *****

sábado, 8 de agosto de 2009

Hellblazer:Joyride #230-231 –Resenha de encadernado parte 1


A partir deste post estarei resenhando os três
arcos de histórias que compõem o encadernado
Joyride.

Sinopse:

John Constantine é algemado 
abaixo de um pier e vigiado
por um gânsgster que diz
estar cumprindo ordens, sem
saber que seu chefe é um
conhecido de Constantine.

Crítica:
Sempre gostei da Hellblazer mas
minhas leituras sempre foram es-
porádicas. Quando li uma minissérie
do Monstro do Pântano escrita pelo
Diggle gostei muita da maneira como
ele caracterizou o Constantine e ima-
ginei-o como um bom escritor para
a revista. Qual não foi a minha surpresa
ao visitar uma livraria em Salvador e
encontrar o primeiro encadernado da 
fase do Diggle na promoção.
A impressão que me fica nesse primeiro
arco é que o Diggle, apesar de não apre-
sentar nada de novo, também não decep-
ciona. In at the Deep End começa como 
uma história de crime e num twist violento
se torna um conto de zumbis com imagética
convencional muito bem executada pelo 
Leonardo Manco e um roteiro bem condu-
com boas surpesas e sacadas.
Se você deixou de ler Hellblazer por achar
estagnada e repetitiva certamente não encon-
trará nada de novo aqui, mas se não for com
muita sede ao pote ela pode saciar sua sede
por um conto de horror bem contado.

Cotação: **** de *****

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Authority: Kev - Resenha de HQ




Sinopse:
Agente inglês sanguinário e com
má reputação é recrutado para
exterminar o grupo Authority de-
vido a sua desagradável influência 
em assuntos internacionais.

Crítica:
Garth Ennis é um escritor polarizador
de opiniões: para alguns seus gibis 
são apelativos, infantilóides, superfici-
ais e repetitivos, para outros um roteirista
original e revolucionário. Eu, cá no meu
cantinho, digo: nem tanto o mar, nem tanto 
à terra. Considero-o um escritor (muito)
acima da média, mas não o colocaria no
mesmo patamar de um Warren Ellis ou
Grant Morrison. É verdade que seu range 
é um tanto limitado e que sua obra têm
algumas características bem... digamos,
bastante próprias, o que lhe valeu o
rótulo de repetitivo, mas, em minha opinão,
é um escritor excepcionalmente habilido-
so no emprego e manejo da ultra-violência ta-
rantinesca, sarcasmo e humor negro.Digno 
de nota também é a sua habilidade como
storyteller (alguns contos são uma aula de
ritmo narrativo). As críticas negativas que
li sobre esse gibi não são de todo infun-
das pois quem espera lêr um gibi do Au-
thority vai quebrar a cara. Mais ainda que o
personagem Kev, Authority: Kev é acima de tudo 
um gibi DO Garth Ennis(pure, undiluted Ennis)
cuja missão é AVACALHAR, ESCU-
LHAMBAR, DETONAR com os super heróis
(mesmo coisas duca como Authority)
utilizando suas marcas registradas.
A arte do Glenn Fabry é forte, detalhada,
suja, exepcionalmente vívida e expressiva
e um perfeito complemento para o texto
sarcástico.
Quem gosta do Ennis não terá motivos 
para se decepcionar, quem não gosta...


Cotação: ***** de *****