
Depois de uma maratona lendo os contos
do Edgar Allan Poe e O Médico e o Monstro
do Stevenson me bateu uma vontade dana-
de lêr algo mais "vísual" mas dentro do gênero
gótico e fantástico, e eis que me cai em mãos
a MARAVILHOSA compilação da Dark Horse
colecionando os seis primeiros números da
revista Creepy.Naturalmente é impossível
formar uma opinião lendo apenas o primeiro
número que geralmente funciona mais como
um "laboratório" e training ground para
edições posteriores, mas graças a excep-
cional qualidade do material, pode-se tirar
algumas conclusões. O primeiro aspecto que
me salta aos olhos é a altíssima qualidade
da arte: enquanto que os primeiros gibis
da E.C. comics (já resenhados no blog),
ainda que excelentes, demonstravam uma
certa crueza na arte, Creepy chega chutando
o pau da barraca com alguns dos mais bonitos
desenhos já feitos para as HQ's. Também nos
lembra este primeiro número que diferença faz
um grande roteirista. O texto do Archie Goodwin
(que assumiria o cargo editorial no segundo
número) fica a anos luz do restante, e é um dos
motivos de alguns destes contos serem
considerados clássicos. Aliás, um dos pontos
negativos deste #1 é justamente a qualidade
dos roteiros escritos por outras mãos, que são,
comparativamente inferiores, embora nada que
chegue próximo da (baixa) qualidade do material
da editora Atlas que geralmente tem arte muito
acima da média mas scripts absolutamente podres
fedorentos.
Como roteirista de horror o Goodwin me parece ocupar
uma posição meio que secundária quando
comparado a nomes como o Marv Wolfman;
mas assim como o grande Al Feldstein (ro-
teirista da E.C.), merece um lugar de destaque,
pois, enquanto não exatamente influente e
inovador como o Feldstein, demonstra um talento
nato como storyteller e um hábil criador de twists.
Neste ponto se faz necessário mencionar uma
importante diferença em approcah e método de
ataque: os melhores contos do Feldstein de-
monstram ritmo e ação cinematográficos com
uma profusão textual no box de narrativa e
balões de diálogo que beiram o absurdo;
Goodwin escreve com uma simplicidade e
economia de estilo desconcertantes. Se
o primeiro pode ser comparado estiliscamente
ao Stephen King o segundo se aproxima
mais do Roald Dahl.
Abaixo relaciono os contos com breves co-
mentários.
Voodoo! [Bill Pearson/Joe Orlando]
Sinopse:
Marido alcoólatra persegue a esposa
envolvida com vodu no Haiti e se de-
para com um bizarro segredo.
Crítica:
Conto rotineiro e previsível com um final
opaco e anticlimático mas redi-
mido pela atmosférica arte do
Orlando.
Cotação: ***1/2
H2O World! [Larry Ivie/Al Williamson & Roy G. Krenkel]
Sinopse:
Casal de merguladores resolvem explorar
uma desconhecida cidade marinha mas são
surpreendidos por criaturas marinhas.
Crítica:
Muita exposição e descrição atravancam o
ritmo deste conto mas a arte detalhada do Williamsom
é um verddairo colírio para os olhos.
Crítica: **** de *****
Vampires Fly At Dusk! [Archie Goodwin/Reed Crandall]
Sinopse:
Mortes em um vilarejo obrigam a polícia
a visitar um castelo e interrogar um temido
casal.
Crítica:
E entra em cena o roteirista Godwin e imedia-
tamente nota-se uma diferença abismal na
qualidade do texto. A arte do Reed Crandall
foi meu motivo primário para morrer em 35 doletas
neste encadernado.
Belíssimo conto gótico com um final surpreendente,
poético e trágico.
Cotação: ****1/2 de *****
Werewolf! [Larry Ivie/Frank Frazetta]Sinopse:
Caçador profissional é chamado para
caçar uma estranha criatura que aterroriza
uma vilarejo.
Crítica:
Última história desenhada pelo lendário
Frank Frazetta. Roteiro fraco e um final
tosco prejudica este conto belamente
desenhado.
Cotação: ***1/2 de *****
Bewitched! [Larry Ivie/Gray Morrow]
Sinopse:
Cético resolve executar um feitiço
encontrado em um antigo livro sobre
bruxaria com resultados catastróficos.
Crítica:
Arte excepcional do Morrow redime este
conto confuso que mistura sonhos,
vodu e bruxaria.
Cotação: **** de *****
The Success Story [Archie Goodwin/Al Williamson]
Sinopse:
Cartunista famoso conta a dois
companheiros sua trajetória do
poço ao topo.
Crítica:
Excepcional conto onde o Goodwin
demonstra todo seu talento misturando
crítica, ironia, humor negro e horror .
A sacada de gênio fica por conta da
maneira como ele "conta" a história
de sua trajetória para seus amigos
e consequentemente o leitor: os amigos
"sabem" apenas uma parte
da história contada no box de diálogos,
enquanto que nos balões de diálogo
do flashback, o leitor conhece "o outro
lado da moeda".Uma das melhores histó-
rias sobre as armadilhas e segredos do
processo criativo. Brilhante, brilhante...
Cotação: ***** de *****
Pursuit Of The Vampire! [Archie Goodwin/Angelo Torres]
Sinopse:
Prefeito de um vilarejo aguarda os habitantes
voltarem do sepultamento de duas moças
para caçar um assasino que pode ser um vampiro.
Crítica:
Um conto de horror de época no estilo Hammer,
com o texto economicamente rebuscado do
Goodwin, aliado a arte do calibre de um Torres
só poderia resultar num belíssimo poema visual.
Cotação: ****1/2 de *****









