terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Gemstone lança coleção The EC Archives


Um lançamento que muitos fãs de quadrinhos
clássicos esperavam finalmente se concretizou.
Em janeiro de 2007 a Gemstone Publishing em
parceria com Russ Cochram lançou a coleção
The EC Archives. Inicialmente serão publicados
os seguintes títulos durante o ano de 2007:
Weird Science, Tales from the Crypt, Shock
Suspenstories, Two-Fisted Tales, Crime
Suspense Stories e Vault of Horror.
Até o momento foram lançados os primeiros
volumes dos três primeiros títulos descritos
acima. As edições são em formato grande, em
capa dura, com a arte original meticulosamen-
te restaurada a partir dos originais e a coloriza-
ção refeita em computador, porém respeitando
o trabalho original.
Os volumes terão 200 páginas e uma média de
23 histórias por edição.

Este mesmo material foi lançado a alguns anos
atrás em edições de luxo, porém sem o colorido
e com distribuição setorizada. Os primeiros vo-
lumes já lançados contam com introduções de fi-
gurinhas carimbadas como o George Lucas e
Steven Spielberg, ambos fãs confessos dos qua-
drinhos da EC.
Parte deste material foi lançado no Brasil na extinta
revista Cripta do Terror.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Gorgon Planet (1953) - Robert Silverberg - Resenha de conto

Estréia do Robert Silverberg nas revistas pulp:



Sinopse:
Equipe de astronautas e pesquisadores encontram companheiro
misteriosamente petrificado em meio a vastidão vermelha do
planeta Bellatrix IV.
Líder da equipe organiza uma busca dividida em grupos e em meio
as investigações, outro membro da equipe é encontrado nas
mesmas condições. O plano B é posto em prática, desta vez com
o conhecimento prévio da forma e comportamento do inimigo.

Crítica:
Escrito aos 18 anos de idade, The Gorgon Planet foi a primeira
venda profissional da longa e prolífica carreira do Silverberg.
Apesar do enredo ser puro clichê (não muito longe do que era
publicado na época nas revistas de FC do segundo e terceiro es-
calões) e da escrita estilo "piloto automático" (distante do estilo
literário, intimista e emocional das suas histórias dos anos 60) o
conto funciona razoavelmente bem como diversão
despretensiosa e escapista.
Um criativo e inesperado twist no finalzinho contribui para a
minha cotação.

Cotação: **1/2   de   *****

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Hellboy: Strange Places-Resenha


Hellboy: Strange Places, Dark Horse Comics, 144 pg

"Agora você está na encruzilhada da sua vida.
E todas as suas estradas levam a lugares estranhos"

Os 5 primeiros encadernados que compõem a primeira
fase do tinhozão, narram suas aventuras como membro
do B.P.D.P. (Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal).
No quinto encadernado, O Verme Conquistador, Hellboy
demonstra sua insatisfação com as políticas internas da
organização e admite a possibilidade de abandonar o
bureau e viajar para África.
Strange Places (sexto encadernado) reúne duas
minisséries: The Third Wish e The Island.

Third Wish

Sinopse:
Em suas andanças pela África, Hellboy encontra um feiticeiro
imortal que lhe faz uma enigmática revelação sobre seu desti-
no.
Ao ouvir seu nome ser chamado à beira mar, é tragado por uma
onda gigantesca, capturado e acorrentado por três sereias que
lhe colocam um prego no toco do chifre esquerdo como pagamen-
to para três desejos a lhes serem concedidos por uma criatura ma-
rinha de nome Bog Roosh.Na caverna marinha a criatura lhe reve-
um sonho profético sobre a destruição da humanidade, tendo
sua mão direita como catalizadora dos eventos.
Bog Roosh lhe confessa seu intento em destruí-lo e entregar sua
mão direita a uma baleia como parte do ritual; só assim, segundo
a criatura, a humanidade será salva.


Crítica:
Nesta primeira aventura pós-bureau nota-se o contínuo inte-
resse do Mignola em mesclar a linguagem dos gibis de super he-
róis, atitude noir com elementos folclóricos, desta vez buscando
inspiração da tradição africana.
Se antes o uso deliberado destes elementos já era bastante evi-
dente, aqui Mignola os coloca no foreground e esse approach en-
riquece e muito a aventura. Gosto também do ângulo mais inti-
mista, quase existencial, ensaiado timidamente em seus contos
anteriores. Se por um lado essa mudança sinaliza um distancia-
mento da tradição dos super heróis, por outro ganha-se em re-
finamento e sofisticação. Com isso não estou dizendo que o Hell-
boy se tornou um daqueles gibis cabeça auto indulgentes, mas
registrar a intenção do Mignola em dar um novo direcionamento
a sua criação.
A arte continua sublime como o habitual e uma passagem em es-
pecial mostra toda a força poética da arte do Mignola. Na câmara
de tesouros de Bog Roosh, as almas dos marinheiros mortos são
"engarrafadas" em totems por Roosh, com o intuito de usá-las
como fonte de poder. No duelo final, no momento de sua
libertação, as almas tomam forma de pássaros brancos,
libertos da força opressora da criatura marinha e livres para voar.
É difícil colocar em palavras a beleza plástica e força poética
desta passagem.
Em mais de 15 anos de leituras contínuas de gibis, não me lembro
de quando fiquei tão arrebatado por uma cena em particular.
The Third Wish é Mignola vintage.


Cotação: ****1/2 de *****



The Island

Sinopse:
Após o confronto com Bog Roosh (minissérie The Third Wish)
e mais de dois anos no fundo do mar, Hellboy desperta numa
ilha infestada de cadáveres e rodeada de barcos naufragados.
Numa taberna abandonada encontra piratas fantasmas, é ins-
tigado e questionado por uma bruxa a respeito de seu destino
e missão na terra e após ser gravemente ferido por um verme
gigante, é arremessado para dentro de um castelo gótico habi-
tado por uma enigmática figura messiânica que ressucita lhe
roubando sua energia vital.
No castelo, o suposto messias lhe conta uma estranha história
de como ele adquiriu o conhecimento da "verdadeira história
do mundo que não foi contada", sua captura pela inquisição e
subsequente proteção por um obscuro secto religioso. Tam-
bém lhe é revelada a origem do deus-serpente-dragão Ogdru
Jahad (que apareceu em todas as séries longas e têm papel
importantíssimo na saga) e da origem da sua mão direita (ou-
tro mistério central), assim como o intento do messias.



Crítica:
Em sua introdução, Mignola comenta sobre as dificuldades que
enfrentou para dar forma a essa mini, e esses problemas se re-
fletem na história. A impressão que me passa é que The Island
(continuação direta de The Third Wish) foi concebida mais para
revelar os dois mistérios centrais que acompanham o tinhosão
desde o início da saga, e como resultado, o enredo acaba ficando
num segundo plano.
Pelas transições abruptas, episódios desconexos, flashbacks e ca-
ráter episódico, The Island me remete a Sementes da Destruição
(primeira mini da saga), e assim como ela, generosa em atmosfe-
ra apocalíptica, bizarrerie e constantes referências a tradição da
weird fiction.
Mesmo não sendo do mesmo nível que outras minis, e em alguns
pontos ser um tanto confusa e heavy going, The Island é um
deleite.

Cotação: ***1/2 de *****




sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

The Hollow Grounds-Francois and Luc Schuiten- resenha em inglês



The Hollow Grounds-Francois and Luc Schuiten, Humanoids - Rebellion 192 pg

This handsome trade paperback reunites three graphic novels that comprise the Hollow Grounds cycle.Worth mention is the excellent arguments by his brother Luc Schuiten.

Carapaces - Actually a collection of six stories that displays Schuiten's versatility, experimenting with a series of techniques.


Zara - Zara is a vertical planet inhabited entirely by women that never experimented "conventional" sex with men. After the arrival
of invaders with "vines" below their waists, things take a bizarre and often amusing turn. Zara is a marvelous blend of satire, adventure and science fiction that should appeal for fans of trippy european comics.


Nogegon - Another baroque and wild adventure.This time a character from Zara goes in search of a missing friend and becomes embroiled in a plot involving symmetry and murder.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Adaptações clássicas dos contos do Lovecraft ganham reedição


A Creation Oneiros está trazendo ao mercado americano a lendária coletânea de adaptações dos contos do Lovecraft ilustradas pelo brilhante artista John Coulthart.
Nenhum ilustrador soube capturar com tanta fidelidade o universo Lovecrafteano quanto o Coulthart.

Contents

Introduction by Alan Moore

• The Haunter of the Dark

• The Call of Cthulhu

• The Dunwich Horror

• The Great Old Ones: Evocations by Alan Moore

• Lord Horror




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Segunda temporada de Twin Peaks em Abril nos EUA


Após longa espera a Paramount Home Entertainment anunciou o lançamento da segunda temporada da cultuada série de David Lynch e Mark Frost para meados de Abril.
O material promocional diz: "Approved by David Lynch the Second Season contains 22 episodes digitally restored from high definition masters, 5.1 Surround Sound and is loaded with new in-depth interviews and introductions."
Correm boatos (não confirmados) que no fim do ano a Paramount lançará um box especial com a série completa, incluindo o filme piloto que não foi lançado no box americano da primeira temporada.
Até o momento não existe data de lançamento por aqui.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Balanço 2006: Melhores do ano

Sou fissurado por listas de todos os tipos, e uma das partes mais bacanas dessa mania é catalogar e avaliar o que vi e li de bom durante o ano.

Abaixo segue uma relaçãozinha com breves comentários:

Melhores:

Filmes, Séries e Animação:



Rejeitados Pelo Diabo - Rob Zombie só podia estar escondendo o jogo em A Casa dos 1000 Corpos.
Rejeitados... é um dos melhores filmes de horror dos últimos anos e um clássico instantâneo. Revoltado, furioso, intenso, visceral... a lista de adjetivos é longa e completamente inútil para descrever essa demência cinematográfica.

The Legend of Surami Fortress - Parajanov é um dos maiores estilistas visuais do cinema. Surami... é um dos seus filmes mais accessíveis e a porta de entrada ideal para quem quiser conhecer esse artista sui generis.

Memento Mori - Muito se discute sobre o desgaste e a repetição temática do cinema de horror oriental, mas a meu ver eles ainda são disparados os melhores produtores de cinema fantástico da atualidade.Memento Mori é um belíssimo exemplo do que me convencionou a chamar de "horror social".

Acácia - Para quem gosta de horror com enfoque mais humano e emocional Acacia é uma das melhores opções. É também um dos filmes de horror mais subestimados da nova safra, talvez por não ter mais uma Sadako de olhos tortos, ou evitar outros clichês. O diretor, que me parece uma mistura do Kyoshi Kurosawa com o M. Night Shyalaman antes da egolatria, já tinha demonstrado muito talento em Whispering Corridors, filme que renovou o manjado horror colegial.

The Diabolical Dr. Z - Nunca fui muito fã dos seus filmes sleazy dos anos 70 (apesar de algumas honrosas exceções), mas como fã babão de cinema gótico eu tinha muita curiosidade em conhecer os filmes do Jesus Franco do início de carreira.TDDZ é simplesmente sensacional e é em minha opinião disparado seu melhor filme, aliás, um dos melhores filmes de horror dos anos 60.



It´s Alive - Taí um perfeito exemplo de cinema B. Merece a fama que têm.

The Virgin of Nuremberg - Ainda que não atinja o mesmo nível artístico dos filmes do Mario Bava, esse gótico italiano é um orgasmo visual do começo ao fim.

The Curse of the Crying Woman - Até pouco tempo atrás o cinema gótico mexicano sessentista era motivo de piada nos círculos mais "sérios". O meu conselho é que antes de
tecerem qualquer comentário, assistam a esse filme lançado pela Casa Negra Entertaiment com o audio original. Eu não estava preparado, fui assistir para falar mal e acabei sendo nocauteado.CotCW é cinema gótico de alto calibre, exalando atmosfera demencial pelos poros. Um clássico alucinatório não muito distante dos filmes do Mario Bava.

My Uncle - Jacques Tati é o rei sem coroa dentre os mestres do humor. My Uncle é sua obra prima.

The Last Wave - Sempre considerei os filmes australianos do Peter Weir como os melhores
de sua carreira.TLW é um thriller metafísico com tons apocalípticos arrepiante. UMA OBRA PRIMA.

Picnic na Montanha Misteriosa - Pela enésima vez assisti a essa irretocável obra prima
do Peter Weir. PERFEITO!!!



Pastoral: To Die In the Country - Suji Terayama pra mim é um dos cineastas mais subestimados de todos os tempos. Pastoral é sua obra prima.

The Grass Labyrinth - Mais outro Terayama vintage carregado de dor e poesia.

Jiri Barta: Labyrinth of Darkness -Barta é da linhagem do Jan Svankmajer e como ele, genial. Destaque para o média metragem The Pied Piper of Halmelin, uma obra prima.

Mushishi - Extraordinário anime em 26 episódios sobre as andanças de um Mushishi
(caçador/pesquisador de insetos) ao redor do Japão à procura de Mushis (insetos ancestrais que simbolizam a essência da vida). A série é focada no impacto, geralmente negativo, e transformaçôes que os Mushis operam nas pessoas e no meio ambiente. Uma das mais artísticas e originais séries contemporâneas. Agradará, alem dos fãs de animes mais artisticos, aos admiradores do Werner Herzog e Andre Tarkovsky.

Supernatural - Eu não vi Lost. Dito isto, Supernatural é a mais bacana série de horror desde Arquivo X. Simples, despretensiosa e viciante.

The Prisoner - A mais artística e espetacular série já feita.

Viagem ao Fundo do Mar - Quem conhece esta série apenas pelos episódios coloridos estilo "monstro da semana" se surpreenderia com esta excelente primeira temporada em preto e branco, da época que o Irwin Allen dava mais liberdade aos roteiristas.


Livros e quadrinhos:

City of Saints and Madmen (Jeff Vandermeer) - Pra mim a melhor obra de fantasia decadente contemporânea.

Time Gifts (Zoran Zivkovic) - Quatro contos interligados tendo um viajante temporal
como personagem recorrente. Um dos melhores contistas fantásticos da nova geração.

Moonchasers and Other Stories (Ed Gorman) - Gorman é mais assossiado ao mistério e noir, mas seus melhores contos desafiam classificação.

Japanese Tales of Mystery and Imagination (Edogawa Rampo) - Rampo é considerado o Allan Poe japonês; exageros a parte, é um escritor extremamente inventivo. The Human chair é um dos melhores weird tales já escritos. Bela surpresa.

As Aventuras de Luther Arkwright (Bryan Talbot) - Veja em outro post minha resenha.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

The Oblong Box (1969) Resenha



The Oblong Box (1969) Direção: Gordon Hessler

Sinopse:
Após cometer crime na África, aristocrata é torturado, desfigurado, resgatado pelo irmão (Vincent Price) e levado a terra natal. Na mansão da família, passa a sofrer violentos surtos psicóticos e o irmão se vê obrigado a confiná-lo e acorrentá-lo. Em meio a clausura, ele é enganado e atacado por um feiticeitro que lhe aplica um estranho dardo destinado a simular sua morte; o irmão, desconhecendo a natureza do mal que aflige o enfermo, o encaixota, sela o caixão para evitar comentários dos moradores, e por intermédio de um ladrão de cadáveres "providencia" um defunto para se passar pelo irmão durante a cerimônea funérea. Paralelamente, um médico (Christopher Lee) conduzindo experimentos proibidos com cadáveres, recebe do mesmo ladrão a "encomenda" do aristocrata adormecido que, ao despertar do caixão após a dissipação do efeito do dardo, passa a chantagear o médico e lhe obriga a hospedá-lo até que ele se vingue de todos que tentaram lhe enganar.



Crítica:
The Oblong Box é mais um de uma infinidade de imitações da série de adaptações do Edgar Allan Poe dirigidas pelo Roger Corman nos anos 60. Não fossem os créditos do filme, eu seria capaz de jurar ser um filme do Corman.
A obra do Hessler sempre me passou a impressão de rotina e mediocridade, mas esse filme, a meu ver, se destaca do restante de sua filmografia graças ao instigante (apesar de algumas inconsistências e implausibilidades) roteiro do Christopher Wicking e a maravilhosa fotografia
do futuro colaborador do Sam Peckinpah, John Coquillon; pode-se dizer que esse aspecto seja sua força motriz. A direção do Hessler é também mais inspirada que o habitual; o filme tem ótimo ritmo e envolve o espectador do começo ao fim.
Bela surpresa.



Cotação: **** de *****

domingo, 18 de fevereiro de 2007

A estranha trajetória do Clark Ashton Smith




    Da chamada Santíssima Trindade da Weird Fiction dos anos 20 e 30, o prosador e poeta americano Clark Ashton Smith foi o escritor com a trajetória mais curiosa. Ao contrário do H.P. Lovecraft que morreu sem ter um livro publicado em vida e das poucas publicações do Robert E. Howard (criador do Conan) antes do seu trágico suicídio, o Smith, em vida, teve a satisfação de ver a quase totalidade de sua obra poética e contística publicada, para, logo após a sua morte no começo dos anos 60, cair no esquecimento quase total.
   Apesar de ser aclamado por figurinhas carimbadas como o poeta decadente George Sterling e escritores do calibre do Ray Bradbury e M. John Harrison, sua obra jamais alcançou o reconhecimento e popularidade dos seus companheiros.
    Quarenta e seis anos após sua morte, a julgar pela quantidade de publicações recentes, parece haver uma nova geração de leitores interessados em sua obra. Dentre as editoras empenhadas em alavancar o interesse dos leitores, a americana Night Shade Books promete lançar sua obra contística completa, com os textos meticulosamente revisados em edições em capa dura. Outras como a University of Nebraska empenham-se em atrair uma nova geração de leitores com atrativas edições populares e preços accessíveis.
    Se o Smith terá o reconhecimento que merece, só o tempo dirá.

Edição da Night Shade Books:





O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera,1962) Resenha



O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, 1962) Direção: Terence Fisher

Sinopse:
Após ser visitada por um suposto fantasma, cantora de ópera abandona a produção, gerando desconforto e a ira do frustado e ambicioso diretor.
Após sua saída, outra cantora é contratada, passa a ouvir estranhas vozes e acaba demitida pelo diretor por não ceder as suas investidas amorosas. Paralelamente seu companheiro acaba se interessando pelo caso e envolve-se no estranho mistério do fantasma da ópera.



Crítica:
Após seguidos sucessos de público, era mais do que óbvio que o Terence Fisher fosse a escolha ideal para a direção deste filme. Com altos valores de produção e um diretor extremamente capacitado, poucos apostariam no fracasso comercial deste filme. Mas o tiro saiu pela culatra e O Fantasma da Ópera foi um retumbante fracasso, obrigando ao Fisher a se "recolher" por uns tempos e passar o bastão, na série do Drácula, para diretores promissores como o Freddie Francis. Sendo um filme do Fisher, temos a garantia de se ver a uma obra esteticamente muito competente; seu uso do colorido e senso de posicionamento de câmera por si só já seria
suficiente para coloca-lo como um filme acima da média; mas, a meu ver, o filme peca por não se decidir entre o drama romântico, suspense, musical e horror e apesar das qualidades do diretor citadas anteriormente e dos empolgantes últimos vinte minutos , o resultado final é um tanto opaco e tedioso.
A minha recomendação é que assista-o "desarmado".

Cotação: ***1/2 de *****

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Série Drácula da Hammer



Se fosse para colocar um subtítulo nesta série de filmes eu colocaria: que falta faz um grande diretor.Ainda que um filme em particular sem o Terence Fisher se destaque do restante (o sensacional Taste the Blood of Dracula dirigido pelo Peter Sasdy), a série como um todo é uma verdadeira montanha russa.Talvez o fantasma do Fisher tenha assombrado e intimidado diretores capazes como o Roy Ward Baker e o Freddie Francis, mas concordo que o Alan Gibson nunca deveria ter se intrometido com cinema.

Quem quiser comentar estes e outros filmes da série não citados neste artigo o canal está aberto.

Filmes:

O Vampiro da Noite (Dracula, 1958) Dir: Terence Fisher

Este filme é um daqueles casos raros em que tudo funciona, a química perfeita que dificilmente se repete.Terence Fisher, que já tinha demonstrado todo seu potencial no primeiro Frankenstein, se supera. O filme que consolida o Fisher com um notável estilista visual.
Cotação: ***** de *****

Dracula, o Príncipe das Trevas (Dracula, Prince of Darkness, 1965) Dir: Terence Fisher

O filme mais subestimado da série e um dos melhores trabalhos do do diretor.
Em
Dracula, o Príncipe das Trevas, Fisher aposta em muita atmosfera e caracterização,
deixando a ação e a presença do vampiro num segundo plano.
Soturno, atmosférico e poético, DPoD é um exemplo de bom gosto e refinamento.
Cotação: ***** de *****

Drácula, o Perfil do Diabo (Dracula Has Risen from the Grave, 1968) Dir: Freddie Francis

Sai Fisher entra Freddie Francis e o desastre só nao é total graças ao bom gosto visual deste competente diretor que já fez muito melhor em Paranóico, Cilada Diabólica, Essência da Maldade
e A Maldição da Caveira.
Após um início promissor a direção do Francis cambaleia e descamba para o tédio, aliviado apenas pelos belos cenários e o uso dos filtros de cor. Um filme errático mas esteticamente agradável.
Cotação: *** de *****

Sangue de Drácula (Taste the Blood of Dracula, 1969) Dir: Peter Sasdy

E quando a série começava a descer colina abaixo eis que surge Peter Sasdy chutando o pau da barraca e como um cão raivoso, espumando talento, ousadia e criatividade.Pure, undiluted freshness!!
Oriundo da TV, Sasdy revitalizou a série injetando doses cavalares de estilo, romantismo exacerbado e crítica social.
Sangue de Drácula é uma pequena obra prima.
Cotação: ****1/2 de *****

O Conde Drácula (Scars of Dracula, 1970) Dir: Roy Ward Baker

No final dos anos 70 o estilo da Hammer começava a demonstrar sinais de desgaste, os filmes já não atraíam o público como antes
e nem o sucesso artístico do filme anterior foi suficiente para impedir cortes no orcamento.
Visualmente
O Conde Drácula é o filme de época mais "pobre" da Hammer.
Roteiro fraco, interpretações afetadas, cenários de papelão totalmente fake e morcegos de borracha péssimamente animados não ajudam.Em SoD o humor involuntário corre solto, o que não é algo necessariamente ruim, mas vindo da Hammer é uma piada sem a menor graça.
O competente Roy Ward Baker, um diretor profissional mas nunca genial, pouco pôde fazer. Coisas piores estavam por vir.
Cotação: ** de *****

Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula, 1973) Dir: Alan Gibson

Se o Terence Fisher representa tudo o que a Hammer têm de melhor o Alan Gibson pode ser considerado o fundo do poço.
Colocar o vampirão em meio a uma entediada alta sociedade e ainda por cima adicionar toques de Ficção Científica apocalíptica é um bom indicador de como as coisas andavam para a Hammer na época.
SCARS OF DRACULA era picareta mas ocasionalmente divertia, SRoD é ruim, tedioso e chato.
Cotação: *de *****

A Lenda dos 7 Vampiros (Seven Golden Vampires, 1974) Dir: Roy Ward Baker

Nessa altura poucos apostariam que mais um filme da série poderia funcionar, mas essa maluquice que mistura aventura, artes marciais
e vampiros é muito melhor do que seu título sugere.
A produção é boa e o uso de iluminação e cor me lembra a Hammer dos velhos tempos.
Cotação: ***1/2 de *****

The Marquis:Danse Macabre - Resenha


The Marquis: Danse Macabre (Oni Press, Tpb 170 pg)

AVISO: Esta é uma série difícil de ser resenhada sem entregar o jogo, portanto tenham em mente que o meu texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse:
Em uma França medieval que nunca existiu, em uma cidade de nome Venisalle controlada pelos exércitos Herzogueanos e pela inquisição, a massa comum vaga pelas ruas usando máscaras grotescas para esconder seus pecados; aqueles que se opõem ao regime são subjugados pelo exército e entregues a toda sorte de torturas e humilhações promovida pela inquisição. Para o expurgo dos pecados e "limpeza" da alma existe o confessionário, imensa estrutura dividida em salões orgiásticos onde ocorre todo tipo de depravações. Em meio a esse cenário caótico entra em cena Vol de Galle (o The Marquis do título), ex-soldado e inquisidor, que após uma crise espiritual gerada por dúvidas quanto ao seu papel de torturador e inquisidor, é supostamente visitado por um santo que lhe confere a missão de expulsar os demônios da massa comum, mandá-los de volta ao inferno e consequentemente expurgar os pecados das vítimas. Para isso ele mune-se com duas pistolas e um estranho espeto para torturar as supostas vítimas com o intuito de enfraquecer os demônios que habitam dentro deles e aplicar o golpe final.

Crítica:
O primeiro aspecto que salta aos olhos é o caráter extremamente ambíguo desta série.Vol de Galle é um personagem enigmático e complexo, se ele é heroi, anti-herói, justiceiro, vigilante, psicótico ou fanático religioso, depende inteiramente da interpretação do leitor. Seus atos as vezes são justificáveis, outras me parecem produto de um psicótico ou fanático religioso, e é justamente esse caráter ambíguo, esse constante questionamento do real, esse jogo de percepções e realidades, que é a força motriz da série .O traço do Guy Davis (mais conhecido no Brasil como o desenhista do B.P.D.P. e Sandman Teatro do Mistério) é sujo, solto, leve e com um nível de detalhe que beira a obssessão, e é justamente nos desenhos do Davis que essa França alternativa ganha vida e se torna o personagem principal. Pode-se comparar o trabalho do Davis (e consequentemente a série) com o trabalho do Eddie Campbell em Do Inferno, ambos artistas compartilham da estética do "unbeautiful".
Não existe refresco nem "leitura fácil", a cada quadrinho o leitor é instigado e questionado.Vol de Galle, habitantes, polícia, todos são participantes de um insano baile de máscaras onde nada é o que parece, nada é fixo ou permamente, inocente se torna culpado santo vira pecador e no processo o pobre leitor, tonto e exausto, é tragado no turbilhão de culpa, incerteza, dúvida, questionamento, pesadelo e desespero. Talvez a nossa única certeza seja a influência perniciosa da inquisição na sociedade. Ainda que alguns pontos do enredo não tenham ficado muito claros e uma cena em particular tenha me soado particularmente confusa, a conclusão final é extremamente engenhosa e satisfatória.
Ainda que possa ser comparada positivamente com Do Inferno, seria mais justo compará-la às obras do Philip K. Dick e outros escritores da irrealidade.
Por ter sido lançada por uma editora independente e produzida em preto e branco, por abordar temas polêmicos como fanatismo religioso, psicose, distorção espiritual e perda da fé, pela sua erudição e approach mais literário, The Marquis pode não agradar ao leitor tradicional, mas quem se interessar por uma HQ mais sui generis The Marquis: Danse Macabre é O gibi.

****1/2  de ******

Kill Baby Kill (Operazione Paura) Resenha


Kill Baby Kill (Operazione Paura, 1966) Direção: Mario Bava

Sinopse:
Em um pequeno vilarejo em alguma parte da Itália, um médico legista é chamado para fazer uma autópsia em uma moça morta em circunstâncias misteriosas; cravado em seu coração é encontrado uma moeda, produto de um ritual, aparentemente maléfico, produzido por uma bruxa local. Instigado pelo mistério da morte e o ritual, e pelo comportamento errático e superticioso dos habitantes, o legista, com o auxílio de uma moradora local, investigam o caso e se deparam com a lenda de uma maldição envolvendo a família Graps e a estranha influência do fantasma vingativo de uma criança, membro da família Graps, que sangrou até a morte após um acidente, a frente dos indiferentes moradores.

Crítica:
Certa vez em uma lista de discussão sobre cinema da qual eu participava, discutia-se os méritos artísticos desse filme e eis que chega o moderador e faz um comentário simples e desconcertante: Kill Baby Kill é um filme bonito de se ver. Nada mais simples e nada mais verdadeiro; o exercício em estilo e o espetáculo visual que o Mario Bava nos proporciona é algo que não dá para colocar em palavras. Ele consegue sustentar uma densa atmosfera de temor, inquietação e danação por mais de 80 minutos, não existe um build-up, é simplesmente atmosfera saindo pelos poros do primeiro ao último minuto, não conheço nenhum diretor que tenha conseguido isso. O uso surreal da iluminação e o colorido saturado, as lentes distorcidas e a espetacular trilha sonora do Carlo Rustichelli
contribuem para o efeito hipnótico e alucinatório.
Kill Baby Kill (não se deixem iludir pelo título idiota) quando da época do seu lancamento, foi aplaudido de pé pelo Luchino Visconti e homenageado pelo Fellini no seu segmento da antologia Spirits of the Dead. O filme foi feito praticamente sem dinheiro (como a maioria dos filmes do Bava), sofreu atrasos e paralisações durante sua producão a ponto dos atores aceitarem trabalhar de graça para finalizar o filme.
Kill Baby Kill é como uma canção de ninar operística composta pelo Carl Off e regida pelo tinhoso, é o testemunho de um artista de talento e gênio incomuns.
Não assista Kill Baby Kill por ser um dos melhores filmes de horror já feitos, nem por ser um exemplo máximo de cinema gótico, assista-o por ser acima de tudo um filme bonito de se ver, um poema visual de rara beleza.

Cotação: ***** de *****

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Mestre da irrealidade em novo lançamento pela editora Aleph


Após a republicação de O Homem do Castelo, a editora Aleph programa para 2007 a publicação de Valis, um de seus livros mais pessoais.
Se existe um aspecto positivo em adaptações cinematográficas de obras literárias é justamente o nivel de divulgação que autores cultuados
como o Dick recebem.

Reconhecimento tardio


Com a inclusão do Lovecraft na prestigiosa coleção Library of América dá-se um grande passo para seu merecido reconhecimento no mainstream literário. Num mundo justo não teríamos que esperar mais de 80 anos para vermos este gênio ocupar o lugar que ele realmente merece.
E agora, quanto tempo teremos que esperar para vermos o reconhecimento do Thomas Ligotti?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Faster Pussycat! Kill! Kill! - Resenha





Faster Pussycat, Kill, Kill! (1966, direção: Russ Meyer)

Sinopse:
No deserto californiano, três strippers em carros esportivos, após um racha com um casalzinho ingênuo, acaba matando o rapaz e sequestrando a garota. Em um posto de gasolina uma das garotas toma conhecimento de uma bolada em dinheiro guardada por um velho deficiente físico que mora com dois filhos, um deles demente.Usando a garota sequestrada como isca para se aproximar do rancho do velho e colocar a mão na bolada, a stripper "chefona", juntamente com as outras controladas por ela, tentam seduzir o velho e os filhos com o intuito de encontrar o dinheiro.

Resenha:
Tenham em mente que o meu resumo da sinopse não faz jus ao filme.
Se o tempo me permitisse, eu ficaria por horas a fio comentando sobre as qualidades e inovações deste filme absolutamente genial.Russ Meyer (ex fotógrafo da Playboy) é um diretor ousado e inovador, para dizer o mínimo. Faster Pussycat praticamente inaugura o subgênero bad girls, mas está longe de ser um filme rotineiro e formulaico. FPKK é um estranho híbrido onde a comédia, farsa, sátira pop, suspense, horror, crítica social, escracho e violência andam lado a lado. Meyer utiliza suas atrizes de seios avantajados da mesma maneira que cineastas do cinema "macho" utilizam seus atores no papel de bad guys e fotografa os seios como símbolos de poder e dominação, os homens passam quase sempre a impressão de serem uns maricas bundas-moles e as mulheres geralmente se aproveitam dessa condição. As atuações são toscas, artificiais e teatrais, não sei até que ponto isso é proposital, mas essa "falha"
acaba contribuindo para a riqueza tonal do filme que alterna momentos de humor farsesco (voluntário e involuntário), suspense, tensão e por vezes, através de diálogos precisos que ressaltam o lado negro da natureza humana, momentos de puro horror psicológico e uma atmosfera de genuína insanidade, não muito distante de clássicos do horror rural como Quadrilha de Sádicos e Rejeitados pelo Diabo.
Vale ressaltar também a ótima trilha sonora jazzística.
Russ Meyer foi um dos primeiro diretores ligados ao cinema exploitation a conseguir reconhecimento de críticos sérios e a atrair o público mainstream (curiosamente FPKK que é considerado seu melhor filme não tem sexo nem nudez), chegou a ser contratado pelos estúdios Fox para dirigir 5 filmes, dos quais apenas 2 saíram do papel. Apesar de sofrer processos pelo conteúdo subversivo de alguns filmes e não ser exatamente uma unanimidade dentre público e crítica, sua influência na cultura americana como um todo é imensurável. Sem ele não existiria seriados como As Panteras nem a atitude "bad girl"como conhecemos, o visual da Tura Satana (atriz principal) é tão emblemático que ela chegou a
patentea-lo e toda vez que o Meyer precisava fazer modificações nos posters era obrigado a liberar umas verdinhas para ela.Sem ele o horror rural dos anos 70 teria outra cara e até banda de rock com nome do filme existe.
FPKK é um filme emblemático e divisor de águas, infelizmente é muito mais citado que visto, o que é realmente uma pena pois pra mim é mais uma prova do que um diretor capaz pode conseguir com um material limitado.

Cotação: ***** de *****

Coração do Império - Resenha


Coração do Império
Roteiro e arte: Bryan Talbot
Editora Pixel 2 Volumes

Sinopse:
CORAÇÃO DO IMPÉRIO se passa 23 anos após os eventos de AS AVENTURAS DE LUTHER ARKWRIGHT e é em termos de estrutura, texto e desenhos muito mais direta e simples que a primeira série.
O enredo gira em torno de uma tentativa da igreja católica, por intermédio de um papa moribundo e seu corrupto franciscano, em convencer a imperatriz a ceder o controle do império a igreja. Paralelamente uma conspiração dentro da corte planeja destronar a imperatriz e uma estranha e desconhecida ameaça começa a agir e colocar em risco todo o multiverso.

Resenha:
Em CdO vão-se as incessantes experimentações gráficas e textuais, o tom sombrio e apocalíptico, a intensidade visual, as qualidades visionárias.Entra em cena a abordagem satírica, o colorido berrante e saturado que na maioria das vezes contribui para o tom de escracho (atentem para a roupa da rainha e tentem imaginar sem o colorido), o humor anárquico, corrosivo e grotesco, a ação e pancadaria super-heróica e o desejo do Bryan Talbot em contar a história de maneira clara, simples e direta.
Após a leitura de AAdLA, CdO acaba soando meio simplista mas em nenhum momento a HQ cansa, pelo contràrio, é leve, divertida e despretensiosa.
Para quem quiser lê-las, a minha dica é que comecem por CdO( em nenhum momento o leitor fica perdido pois o Talbot sempre explica o que aconteceu anteriormente) pois é muito mais leve, simples e despretensiosa.

Cotação: ***1/2 de *****

As Aventuras de Luther Arkwright - Resenha


As Aventuras de Luther Arkwright
Editora Via Lettera, 2 volumes

Sinopse:
AAdLA conta as desventuras de Luther Arkwright, agente transdimensional capaz de viajar dentre universos paralelos e suas tentativas em localizar um estranho artefato alienígena de nome Opala Flamejante, em possessão de uma espécie de grupo terrorista chamado Os Dilaceradores, capaz de corroer o tecido temporal gerando a total destruição do multiverso.

Resenha:
Fazendo um resumo do germe básico do plot pode-se passar a impressão que essa HQ não passa de material rotineiro da 2000AD ou um rip-off do conceito dos multiversos do Michael Moorcock, LONGE DISSO!!! AADLH é uma das mais ricas e complexas HQ's já criadas e a meu ver passa a fazer parte daquele seleto grupo de obras sui generis em que Watchmen e Sandman fazem parte.Bryan Talbot emprega a mais caótica estrutura narrativa que já li em uma hq, com eventos e ações "pulando" no espaco-tempo com uma casualidade que beira a heresia.Graficamente é uma das hq's mais inovadoras e bonitas já criadas, não existe um traço, aguada, ângulo ou perspectiva que não seja interessante; seu domínio de luz e sombra beira a perfeição e a falta da cor não faz a menor falta.Ao final da leitura tive aquela rara sensacão de ter lido algo muito especial.Minha impressão final é de assombro total.

Cotação: ***** de *****

Hellboy: Primeira fase


Hellboy: Primeira fase

Terminada a leitura dos 5 encadernados que compõem a primeira fase do personagem e fecha o ciclo de contos longos e curtos narrando suas aventuras como membro do B.P.D.P. (Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal), a minha impressão inicial é de assombro e maravilhamento. Lendo-os pela primeira vez na língua original e pela ordem cronológica interna finalmente pude visualizar o big picture da criação do Mignola.O aspecto que salta aos olhos é sem sombra dúvida o traço do Mike Mignola: econômico, angular e de uma vitalidade,
sofisticação e beleza plástica fora do comum; com um domínio extraordinário de luz e sombra , Mignola imprime em tudo que desenha um ar de mistério, horror cósmico, danação e lirismo funéreo que vai muito além do traco: more than meets the eye.
As aventuras do Hellboy podem ser divididas em duas categorias:
Minisséries longas (geralmente de 4 capítulos) cujos roteiros apocalípticos giram em torno de ameaças nazistas, monstros lovecrafteanos, folclóricos, mitológicos e ciência bizarra com o Hellboy e seus companheiros do B.P.D.P. empenhados na resolução do mistério central e salvacão da humanidade. Pode-se considerar as três minisséries componentes desta categoria (Sementes da Destruicão, O Despertar do Demônio e O Verme Conquistador) como uma história solo.
Na segunda categoria entrariam as minisséries curtas (2 partes) e contos de poucas páginas (contido nos encadernados O Caixão Acorrentado e A Mão Esquerda das Trevas).Nelas os elementos mitológicos e folclóricos ganham destaque e as aventuras, geralmente sem o pessoal do Bureau, ganham contornos mais pessoais e intimistas.A meu ver são nestes contos que o Mignola se supera como criador idiossincrático e original, neles a mistura de super-heróis, atitude noir, horror cósmico, humor e folclore bizarro atingem seu nìvel mais alto. Por mais que eu curta as minisséries longas, a meu ver elas pecam pela natureza episódica com seus enredos um tanto desconexos e problemas de ritmo. São nos contos curtos que, a meu ver, se encontra a nata Mignolesca.
Se as minis longas podem ser comparadas a superproduções hollywoodeanas, o material curto são contos folclóricos bizarros.
Hellboy é um gibi memorável.

Ordem de leitura e cotações:

Sementes da Destruição ****1/2 de *****

O Despertar do Demônio ****

O Caixão Acorrentado *****

A Mão Esquerda das Trevas *****

O Verme Vencedor *****