Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

Faster Pussycat! Kill! Kill! - Resenha





Faster Pussycat, Kill, Kill! (1966, direção: Russ Meyer)

Sinopse:
No deserto californiano, três strippers em carros esportivos, após um racha com um casalzinho ingênuo, acaba matando o rapaz e sequestrando a garota. Em um posto de gasolina uma das garotas toma conhecimento de uma bolada em dinheiro guardada por um velho deficiente físico que mora com dois filhos, um deles demente.Usando a garota sequestrada como isca para se aproximar do rancho do velho e colocar a mão na bolada, a stripper "chefona", juntamente com as outras controladas por ela, tentam seduzir o velho e os filhos com o intuito de encontrar o dinheiro.

Resenha:
Tenham em mente que o meu resumo da sinopse não faz jus ao filme.
Se o tempo me permitisse, eu ficaria por horas a fio comentando sobre as qualidades e inovações deste filme absolutamente genial.Russ Meyer (ex fotógrafo da Playboy) é um diretor ousado e inovador, para dizer o mínimo. Faster Pussycat praticamente inaugura o subgênero bad girls, mas está longe de ser um filme rotineiro e formulaico. FPKK é um estranho híbrido onde a comédia, farsa, sátira pop, suspense, horror, crítica social, escracho e violência andam lado a lado. Meyer utiliza suas atrizes de seios avantajados da mesma maneira que cineastas do cinema "macho" utilizam seus atores no papel de bad guys e fotografa os seios como símbolos de poder e dominação, os homens passam quase sempre a impressão de serem uns maricas bundas-moles e as mulheres geralmente se aproveitam dessa condição. As atuações são toscas, artificiais e teatrais, não sei até que ponto isso é proposital, mas essa "falha"
acaba contribuindo para a riqueza tonal do filme que alterna momentos de humor farsesco (voluntário e involuntário), suspense, tensão e por vezes, através de diálogos precisos que ressaltam o lado negro da natureza humana, momentos de puro horror psicológico e uma atmosfera de genuína insanidade, não muito distante de clássicos do horror rural como Quadrilha de Sádicos e Rejeitados pelo Diabo.
Vale ressaltar também a ótima trilha sonora jazzística.
Russ Meyer foi um dos primeiro diretores ligados ao cinema exploitation a conseguir reconhecimento de críticos sérios e a atrair o público mainstream (curiosamente FPKK que é considerado seu melhor filme não tem sexo nem nudez), chegou a ser contratado pelos estúdios Fox para dirigir 5 filmes, dos quais apenas 2 saíram do papel. Apesar de sofrer processos pelo conteúdo subversivo de alguns filmes e não ser exatamente uma unanimidade dentre público e crítica, sua influência na cultura americana como um todo é imensurável. Sem ele não existiria seriados como As Panteras nem a atitude "bad girl"como conhecemos, o visual da Tura Satana (atriz principal) é tão emblemático que ela chegou a
patentea-lo e toda vez que o Meyer precisava fazer modificações nos posters era obrigado a liberar umas verdinhas para ela.Sem ele o horror rural dos anos 70 teria outra cara e até banda de rock com nome do filme existe.
FPKK é um filme emblemático e divisor de águas, infelizmente é muito mais citado que visto, o que é realmente uma pena pois pra mim é mais uma prova do que um diretor capaz pode conseguir com um material limitado.

Cotação: ***** de *****

5 comentários:

Gio Mendes disse...

Gostei do seu blog. Ainda mais por estrear com a resenha de um dos meus filmes preferidos. Assisto minha cópia sempre que posso, apesar de não entender bulhufas de inglês. Estarei sempre por aqui. Abraço

Ramon Bacelar disse...

Obrigado Gio.

Orc Bruto disse...

Tura Satana é mesmo a bad girl mais deliciosa que já existiu... Ela meio q lembra a brasileira HElen Ganzarolli, com olhos claros e cabelos escuros...
Parece q ultimamente faltam bad girls no cinema, o mais próximo que teve foi As Panteras (estupido e sem graça) e a Angeline Jolie (que decaiu muito desde Gia, e seus peitos cairam muito tb...hehehehee)

Gio Mendes disse...

Orc Bruto, você esqueceu da Noiva, de Kill Bill?

Orc Bruto disse...

Naum sei, naum consigo achar a Uma Tundram (naum sei escrever o segundo nome dela...) bonita. Ela tem um nariz estranho e olhos esquisitos... Alem do mais, a Noiva (ou Beatrix Kiddo... pq o Tarantino escondeu um nome tao sem graça eh um misterio...)naum eh uma "bad bad girl", ela naum eh lah muito malvada, parece mais uma histerica em busca de vingança... Prefiro a personagem da Lucy Liu no Kill Bill, ela eh mais "bad girl"...