sábado, 24 de fevereiro de 2007

Hellboy: Strange Places-Resenha


Hellboy: Strange Places, Dark Horse Comics, 144 pg

"Agora você está na encruzilhada da sua vida.
E todas as suas estradas levam a lugares estranhos"

Os 5 primeiros encadernados que compõem a primeira
fase do tinhozão, narram suas aventuras como membro
do B.P.D.P. (Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal).
No quinto encadernado, O Verme Conquistador, Hellboy
demonstra sua insatisfação com as políticas internas da
organização e admite a possibilidade de abandonar o
bureau e viajar para África.
Strange Places (sexto encadernado) reúne duas
minisséries: The Third Wish e The Island.

Third Wish

Sinopse:
Em suas andanças pela África, Hellboy encontra um feiticeiro
imortal que lhe faz uma enigmática revelação sobre seu desti-
no.
Ao ouvir seu nome ser chamado à beira mar, é tragado por uma
onda gigantesca, capturado e acorrentado por três sereias que
lhe colocam um prego no toco do chifre esquerdo como pagamen-
to para três desejos a lhes serem concedidos por uma criatura ma-
rinha de nome Bog Roosh.Na caverna marinha a criatura lhe reve-
um sonho profético sobre a destruição da humanidade, tendo
sua mão direita como catalizadora dos eventos.
Bog Roosh lhe confessa seu intento em destruí-lo e entregar sua
mão direita a uma baleia como parte do ritual; só assim, segundo
a criatura, a humanidade será salva.


Crítica:
Nesta primeira aventura pós-bureau nota-se o contínuo inte-
resse do Mignola em mesclar a linguagem dos gibis de super he-
róis, atitude noir com elementos folclóricos, desta vez buscando
inspiração da tradição africana.
Se antes o uso deliberado destes elementos já era bastante evi-
dente, aqui Mignola os coloca no foreground e esse approach en-
riquece e muito a aventura. Gosto também do ângulo mais inti-
mista, quase existencial, ensaiado timidamente em seus contos
anteriores. Se por um lado essa mudança sinaliza um distancia-
mento da tradição dos super heróis, por outro ganha-se em re-
finamento e sofisticação. Com isso não estou dizendo que o Hell-
boy se tornou um daqueles gibis cabeça auto indulgentes, mas
registrar a intenção do Mignola em dar um novo direcionamento
a sua criação.
A arte continua sublime como o habitual e uma passagem em es-
pecial mostra toda a força poética da arte do Mignola. Na câmara
de tesouros de Bog Roosh, as almas dos marinheiros mortos são
"engarrafadas" em totems por Roosh, com o intuito de usá-las
como fonte de poder. No duelo final, no momento de sua
libertação, as almas tomam forma de pássaros brancos,
libertos da força opressora da criatura marinha e livres para voar.
É difícil colocar em palavras a beleza plástica e força poética
desta passagem.
Em mais de 15 anos de leituras contínuas de gibis, não me lembro
de quando fiquei tão arrebatado por uma cena em particular.
The Third Wish é Mignola vintage.


Cotação: ****1/2 de *****



The Island

Sinopse:
Após o confronto com Bog Roosh (minissérie The Third Wish)
e mais de dois anos no fundo do mar, Hellboy desperta numa
ilha infestada de cadáveres e rodeada de barcos naufragados.
Numa taberna abandonada encontra piratas fantasmas, é ins-
tigado e questionado por uma bruxa a respeito de seu destino
e missão na terra e após ser gravemente ferido por um verme
gigante, é arremessado para dentro de um castelo gótico habi-
tado por uma enigmática figura messiânica que ressucita lhe
roubando sua energia vital.
No castelo, o suposto messias lhe conta uma estranha história
de como ele adquiriu o conhecimento da "verdadeira história
do mundo que não foi contada", sua captura pela inquisição e
subsequente proteção por um obscuro secto religioso. Tam-
bém lhe é revelada a origem do deus-serpente-dragão Ogdru
Jahad (que apareceu em todas as séries longas e têm papel
importantíssimo na saga) e da origem da sua mão direita (ou-
tro mistério central), assim como o intento do messias.



Crítica:
Em sua introdução, Mignola comenta sobre as dificuldades que
enfrentou para dar forma a essa mini, e esses problemas se re-
fletem na história. A impressão que me passa é que The Island
(continuação direta de The Third Wish) foi concebida mais para
revelar os dois mistérios centrais que acompanham o tinhosão
desde o início da saga, e como resultado, o enredo acaba ficando
num segundo plano.
Pelas transições abruptas, episódios desconexos, flashbacks e ca-
ráter episódico, The Island me remete a Sementes da Destruição
(primeira mini da saga), e assim como ela, generosa em atmosfe-
ra apocalíptica, bizarrerie e constantes referências a tradição da
weird fiction.
Mesmo não sendo do mesmo nível que outras minis, e em alguns
pontos ser um tanto confusa e heavy going, The Island é um
deleite.

Cotação: ***1/2 de *****




2 comentários:

Leandro Caraça disse...

Sinceridade : o que você achou do filme do "Hellboy" ?

Ramon Bacelar disse...

Fraquinho, fraquinho.Assistível mas não faz sombra com os qua-
drinhos, nem ao talento do Del Toro.