sábado, 17 de fevereiro de 2007

Série Drácula da Hammer



Se fosse para colocar um subtítulo nesta série de filmes eu colocaria: que falta faz um grande diretor.Ainda que um filme em particular sem o Terence Fisher se destaque do restante (o sensacional Taste the Blood of Dracula dirigido pelo Peter Sasdy), a série como um todo é uma verdadeira montanha russa.Talvez o fantasma do Fisher tenha assombrado e intimidado diretores capazes como o Roy Ward Baker e o Freddie Francis, mas concordo que o Alan Gibson nunca deveria ter se intrometido com cinema.

Quem quiser comentar estes e outros filmes da série não citados neste artigo o canal está aberto.

Filmes:

O Vampiro da Noite (Dracula, 1958) Dir: Terence Fisher

Este filme é um daqueles casos raros em que tudo funciona, a química perfeita que dificilmente se repete.Terence Fisher, que já tinha demonstrado todo seu potencial no primeiro Frankenstein, se supera. O filme que consolida o Fisher com um notável estilista visual.
Cotação: ***** de *****

Dracula, o Príncipe das Trevas (Dracula, Prince of Darkness, 1965) Dir: Terence Fisher

O filme mais subestimado da série e um dos melhores trabalhos do do diretor.
Em
Dracula, o Príncipe das Trevas, Fisher aposta em muita atmosfera e caracterização,
deixando a ação e a presença do vampiro num segundo plano.
Soturno, atmosférico e poético, DPoD é um exemplo de bom gosto e refinamento.
Cotação: ***** de *****

Drácula, o Perfil do Diabo (Dracula Has Risen from the Grave, 1968) Dir: Freddie Francis

Sai Fisher entra Freddie Francis e o desastre só nao é total graças ao bom gosto visual deste competente diretor que já fez muito melhor em Paranóico, Cilada Diabólica, Essência da Maldade
e A Maldição da Caveira.
Após um início promissor a direção do Francis cambaleia e descamba para o tédio, aliviado apenas pelos belos cenários e o uso dos filtros de cor. Um filme errático mas esteticamente agradável.
Cotação: *** de *****

Sangue de Drácula (Taste the Blood of Dracula, 1969) Dir: Peter Sasdy

E quando a série começava a descer colina abaixo eis que surge Peter Sasdy chutando o pau da barraca e como um cão raivoso, espumando talento, ousadia e criatividade.Pure, undiluted freshness!!
Oriundo da TV, Sasdy revitalizou a série injetando doses cavalares de estilo, romantismo exacerbado e crítica social.
Sangue de Drácula é uma pequena obra prima.
Cotação: ****1/2 de *****

O Conde Drácula (Scars of Dracula, 1970) Dir: Roy Ward Baker

No final dos anos 70 o estilo da Hammer começava a demonstrar sinais de desgaste, os filmes já não atraíam o público como antes
e nem o sucesso artístico do filme anterior foi suficiente para impedir cortes no orcamento.
Visualmente
O Conde Drácula é o filme de época mais "pobre" da Hammer.
Roteiro fraco, interpretações afetadas, cenários de papelão totalmente fake e morcegos de borracha péssimamente animados não ajudam.Em SoD o humor involuntário corre solto, o que não é algo necessariamente ruim, mas vindo da Hammer é uma piada sem a menor graça.
O competente Roy Ward Baker, um diretor profissional mas nunca genial, pouco pôde fazer. Coisas piores estavam por vir.
Cotação: ** de *****

Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula, 1973) Dir: Alan Gibson

Se o Terence Fisher representa tudo o que a Hammer têm de melhor o Alan Gibson pode ser considerado o fundo do poço.
Colocar o vampirão em meio a uma entediada alta sociedade e ainda por cima adicionar toques de Ficção Científica apocalíptica é um bom indicador de como as coisas andavam para a Hammer na época.
SCARS OF DRACULA era picareta mas ocasionalmente divertia, SRoD é ruim, tedioso e chato.
Cotação: *de *****

A Lenda dos 7 Vampiros (Seven Golden Vampires, 1974) Dir: Roy Ward Baker

Nessa altura poucos apostariam que mais um filme da série poderia funcionar, mas essa maluquice que mistura aventura, artes marciais
e vampiros é muito melhor do que seu título sugere.
A produção é boa e o uso de iluminação e cor me lembra a Hammer dos velhos tempos.
Cotação: ***1/2 de *****

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