quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Hellboy: Primeira fase


Hellboy: Primeira fase

Terminada a leitura dos 5 encadernados que compõem a primeira fase do personagem e fecha o ciclo de contos longos e curtos narrando suas aventuras como membro do B.P.D.P. (Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal), a minha impressão inicial é de assombro e maravilhamento. Lendo-os pela primeira vez na língua original e pela ordem cronológica interna finalmente pude visualizar o big picture da criação do Mignola.O aspecto que salta aos olhos é sem sombra dúvida o traço do Mike Mignola: econômico, angular e de uma vitalidade,
sofisticação e beleza plástica fora do comum; com um domínio extraordinário de luz e sombra , Mignola imprime em tudo que desenha um ar de mistério, horror cósmico, danação e lirismo funéreo que vai muito além do traco: more than meets the eye.
As aventuras do Hellboy podem ser divididas em duas categorias:
Minisséries longas (geralmente de 4 capítulos) cujos roteiros apocalípticos giram em torno de ameaças nazistas, monstros lovecrafteanos, folclóricos, mitológicos e ciência bizarra com o Hellboy e seus companheiros do B.P.D.P. empenhados na resolução do mistério central e salvacão da humanidade. Pode-se considerar as três minisséries componentes desta categoria (Sementes da Destruicão, O Despertar do Demônio e O Verme Conquistador) como uma história solo.
Na segunda categoria entrariam as minisséries curtas (2 partes) e contos de poucas páginas (contido nos encadernados O Caixão Acorrentado e A Mão Esquerda das Trevas).Nelas os elementos mitológicos e folclóricos ganham destaque e as aventuras, geralmente sem o pessoal do Bureau, ganham contornos mais pessoais e intimistas.A meu ver são nestes contos que o Mignola se supera como criador idiossincrático e original, neles a mistura de super-heróis, atitude noir, horror cósmico, humor e folclore bizarro atingem seu nìvel mais alto. Por mais que eu curta as minisséries longas, a meu ver elas pecam pela natureza episódica com seus enredos um tanto desconexos e problemas de ritmo. São nos contos curtos que, a meu ver, se encontra a nata Mignolesca.
Se as minis longas podem ser comparadas a superproduções hollywoodeanas, o material curto são contos folclóricos bizarros.
Hellboy é um gibi memorável.

Ordem de leitura e cotações:

Sementes da Destruição ****1/2 de *****

O Despertar do Demônio ****

O Caixão Acorrentado *****

A Mão Esquerda das Trevas *****

O Verme Vencedor *****

3 comentários:

Orc Bruto disse...

Hellboy eh realmente otimo. Junto com Hellblazer (Constantine) é um dos poucos títulos que levam o ocultismo mais ou menos à sério... Essa tese dos nazi-ocultistas lovecraftianos já rendeu algumas grandes bombas, mas Hellboy é uma obra de arte...
No entanto sobra uma questão, por que roteiristas nota 10 como Neil Gailman e Mike Mignola deixam suas obras com desenhos capengas? Se Hellboy e Sandman fossem ilustrados por Scott Campbell, Milo Manara (que já ilustrou alguma coisa de Sandman) ou Toddy McFarlane seriam títulos "nota 20"!

Orc Bruto disse...

Hellboy eh realmente otimo. Junto com Hellblazer (Constantine) é um dos poucos títulos que levam o ocultismo mais ou menos à sério... Essa tese dos nazi-ocultistas lovecraftianos já rendeu algumas grandes bombas, mas Hellboy é uma obra de arte...
No entanto sobra uma questão, por que roteiristas nota 10 como Neil Gailman e Mike Mignola deixam suas obras com desenhos capengas? Se Hellboy e Sandman fossem ilustrados por Scott Campbell, Milo Manara (que já ilustrou alguma coisa de Sandman) ou Toddy McFarlane seriam títulos "nota 20"!

Ramon Bacelar disse...

Eu até concordo que a Sandman nem sempre tinha desenhistas a altura, mas a Hellboy é uma HQ 100% autoral, sem os desenhos do Mignola não é Hellboy.