sábado, 17 de março de 2007

Island of Terror (1966) - Resenha


Island of Terror (1966), Direção: Terence Fisher

Sinopse:
Numa ilha isolada da Irlanda, experimentos científicos
conduzidos com o intuito de encontrar a cura do câncer
tomam rumo inesperado, e acabam por gerar criaturas
que se alimentam de substâncias internas de ossos humanos,
deixando suas vítimas com a consistência de geléia.
Um grupo de cientistas procuram combatê-las usando fogo.

Crítica:
Este thriller de FC com toques de horror pode ser compa-
rado favoravelmente ao clássico do Don Siegel Invasores
de Corpos.
As criaturas, semelhantes a tartarugas com tentáculos, são
muito bem boladas, assim como os criativos e nojentos
efeitos especiais. A direção do Terence Fisher é um modelo
de economia e precisão e consegue sustentar a tensão do co-
meço ao fim.
The Island of Terror
é um dos melhores thrillers de FC fei-
to na inglaterra nos anos 60. Simplesmente imperdível para
os fàs do gênero.

Cotação: ****1/2 de ******

Terror is a Man (1959)-Resenha



Terror is a Man (1959) Direção: Gerardo de Leon

Sinopse:
Em uma exótica ilha tropical, cientista trabalha
com experimentos envolvendo homens e animais.
Após ser salvo e medicado na casa/laboratório do
cientista, um náufrago passa a investigar as pesquisas
e a natureza dos experimentos, e se depara com um bi-
zarro híbrido genético.



Crítica:
Esta adaptação não oficial do clássico do H. G. Wells
A Ilha do Dr Moreau é o primeiro filme de horror pro-
duzido nas Filipinas. Apesar do enredo previsível e de sua
dúbia origem, o filme é melhor do que aparenta, su-
perior inclusive a maioria das produções Z feitas nos
EUA na mesma época. O diretor de Leon, com uma boa no-
ção de posicionamento de câmera, imprime um ritmo
langoroso ao filme; a fotografia em preto e branco cromado
é boa, o cenário exótico e o bom uso das paisagens natu-
rais pesam em favor do filme. Infelizmente seus noventa
minutos pesam um pouco na narrativa, tornando o filme em
certos momentos heavy going, e a ação propriamente dita só
ocorre nos vinte minutos finais.O estilo do diretor e o filme
como um todo me lembraram, guardadas as devidas proporções
é claro, às produções da RKO dirigidas pelo Jacques Tourneur
nos anos 40.
The Terror is a Man
é um produção assumidamente B, mas que
procura manter a dignidade em seus noventa minutos.

Cotação: *** de *****

Hellboy volta em nova minissérie



Dois anos após The Island, Hellboy volta a ativa na minissérie em seis partes
Hellboy:The
Darkness Calls.
A grande novidade é que pela primeira vez um artista convidado
desenhará
uma história pertencente a cronologia original do personagem.
Duncan Fegredo, mais conhecido por seus trabalhos em Enigma e Judge Dread
declara que "...há alguns anos atrás me perguntaram em uma entrevista qual seria
o trabalho dos meus sonhos, e respondi, Hellboy."

Do Fegredo o Mignola é só elogios "assim como o Guy Davis, e diferente de mim,
ele é capaz de desenhar tudo".

A minissérie está programada para ser lançada em abril pela Dark Horse.

The Songs of Summer-Robert Silverberg (1955)-Resenha de conto


Sinopse:
Após distúrbio no tecido espaço-temporal, ambicioso
e frustrado cidadão do século XX é arremessado para
um futuro longuínquo e vai parar numa terra devastada
e escassamente povoada.
Ao ser salvo por um habitante e levado a um grupo de
pessoas prestes a conduzir uma espécie de ritual musical,
Dugan vê nos pacatos e inocentes habitantes a ferramenta
ideal para auxiliar nos seus planos de construção de uma
nova sociedade e deste modo aplacar sua ambição e sede
de poder.

Crítica:
Em sua introdução, o Silverberg fala do seu desejo em
experimentar com múltiplos narradores e pontos de
vista, e a meu ver ele o faz maravilhosamente bem.
As descrições da sociedade pós-bomba são esparsas
e eficientes; nos primeiros parágrafos pensei se tratar
de uma daquelas FC européias semi-experimentais
dos anos 60.
The Songs of Summer é um precursor dos seus con-
tos líricos, e como eles, belo, humano e poético.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 10 de março de 2007

Whoever Slew Auntie Roo?- Resenha



Whoever Slew Auntie Roo? (AKA Who Slew Auntie Roo?), 1971
Direção: Curtis Harrington

Sinopse:

Na véspera do natal, crianças orfãs são selecionadas
por bom comportamento para comemorá-lo na casa
de uma senhora solitária que perdeu a filha anos antes
em um misterioso acidente. Em meio as comemorações,
dois orfãos rebeldes que conseguiram entrar na casa
se escondendo no porta malas do carro, se deparam com
estranhos encontros, bizarros acontecimentos e macabros
segredos guardados a sete chaves.


Crítica:

O diretor Curtis Harrington é um pássaro raro. Respeitado
curta metragista de vanguarda, estreiou no mundo dos
longas, trabalhando sob a batuta do Roger Corman, com a
excelente fantasia Night Tide. No final dos anos sessenta
e começo dos setenta cria uma série de thrillers estilosos
e idiossincráticos (na falta de uma definição adequada) que,
se por um lado lhe rendeu elogios e um cult following, por
outro o afastou do público mainstream.
Whoever Slew Auntie Roo
é uma releitura moderna do fa-
moso conto de fada João e Maria e durante os noventa
minutos o filme é salpicado com citações do texto original.
Durante sua duração, o filme demonstra uma maravilhosa ri-
queza tonal, alternando momentos que vão do puro horror,
passando por grand guinol, doçura e ternura e humor negro
(destaque para a hilária cena de uma sessão mediúnica fake, em
que se usa um urso de pelúcia como "fio espiritual condutor"
para contato com uma garotinha morta!!!!)
Se por um lado seus filmes às vezes pecam por falta de ritmo
(Auntie Roo não é exceção), por outro Harrington se supera
no departamento artístico (apesar de ser visivelmente uma pro-
dução financeiramente modesta, o filme tem forte apelo
visual com excelentes sets e figurinos que atestam o bom gosto
diretor) e excelente direção de atores.Todo o elenco, sem exce-
ção, dá um show, mas a atuação da Shelley Winters, no papel de
uma pertubada e semi-psicótica coroa solitária, é um caso a parte
(ela tambèm dá um show de interpretação em What's the Matter With Helen?).
Parte suspense, parte thriller, parte fantasia infantil, parte espetáculo grand guinol e parte comédia negra, Whoever Slew Antie Roo não é
o melhor filme do Curtis Harrington (Games e What's the Matter With Helen? são melhores), muito menos filme para mudar os rumos do cinema, mas é cinema de qualidade, produto de uma mente idiossincrática com uma visão muito particular sobre cinema.

Cotação: **** de *****

Blacksad: Nação Ártica - Resenha de HQ



Blacksad: Nação Ártica, Panini Comics, 54 páginas
Roteiro: Juan Diaz Canales
Arte: Juanjo Guarnido

Sinopse:

Ao investigar o desaparecimento de uma menina,
o detetive particular John Blacksad entra em con-
tato com a mãe que lhe revela muito menos do que
realmente sabe, o obrigando a se envolver em uma rede
de intrigas e escândalos velados, envolvendo a alta so-
ciedade, igreja e Ku Klux Kan.



Crítica:
E neste segundo volume a memorável galeria de talking
animals
continua seu desfile: éguas professoras (sem
trocadilhos seu maliciosos, estamos falando de animais
falantes ha, ha, ha, ha...), ursos polares racistas, cachorros gaiatos,
cachorras vagabundas (literalmente ha, ha, ha...) dentre outros.
Os desenhos do Guarnido estão ainda mais bonitos, as vezes che-
gando a lembrar o traço do gênio iuguslavo Enki Bilal.O texto
do Canales mantém a qualidade, com frases de efeito e pitadas
de humor na dose certa, e confesso que o final chocante e inespe-
rado me pegou de calças curtas.
Nação Ártica talvez seja menos cativante que o primeiro volume,
mas mantém o ótimo nivel e é altamente recomendada.

Cotação: **** de *****

The Silent Colony-Robert Silverberg (1954)-Resenha de conto


Sinopse:

Três criaturas do Ninth World vagam pelo espaço
a procura de seres da mesma espécie; após de-
tectarem vagos sinais de vida inteligente no Third
World,
aterrisam no planeta com o intuito de colo-
nizá-lo e encontram criaturas semelhantes a sua
espécie, porém com uma diferença fundamental.

Crítica:

Este mini conto escrito à moda do Robert Sheckley,
apresenta uma das mais esquisitas concepções alie-
nígenas da FC (revelar mais do que isso é estragar
a surpresa).
Apesar de se estender por pouco mais de duas páginas,
este engenhoso e criativo conto demonstra grande ri-
queza de imaginação.
Como a maioria de suas melhores histórias dos anos 50,
The Silent Colony é imaginativo, despretensioso e diver-
tido.

Cotação: **** de *****

Unholy Dimensions-Jeffrey Thomas- Resenha em inglês



Jeffrey Thomas is the renowed author of the imaginative Punktown, but he is an equally imaginative if not wholly original purveyor of Lovecraftean fiction.I'm not an enthusiast of contemporary mythos fiction but Jeffrey's stories are well crafted, polished and highly entertaining.The poems didn't do much for me but all the stories, even the lesser ones, are enjoyable. My personal favorites are the Punktownean/Lovecraftean/Derlethean
stories presenting investigator John Bell (Bones of the Old Ones, Avatars of the Old Ones), Cellar Gods, The Corpse Candles, Out of the Belly of Sheol and Servitors.
Writers like Jeffrey Thomas and W.H Pugmire proves that is possible to write contemporary mythos fiction in polished, simple, accessible prose peppered with a modern sensibility.
Recomended for those who enjoy well written weird fiction.

UNHOLY DIMENSIONS:

Bones of the Old Ones ================== *****
Avatars of the Old Ones ================ ****1/2
Young of the Old Ones ================== ***1/2
Red Glass ============================== ****
I Married a Shoggoth =================== ****
The Ice Ship =========================== -
The Servitor =========================== ****
The Conglomerate ======================= ***1/2
Book Worm ============================== ****
Through Obscure Glass ================== ****
Servitors ============================== ****1/2
The Doom in the Room =================== ***1/2
Out of the Belly of Sheol ============== ****1/2
Ascending to Hell ====================== -
The Third Eye ========================== ****
The Face of Baphomet =================== ****
Cells ================================== ****
The House on the Plain ================= ***
The Fourth Utterance =================== ****
The Writing on the Wall ================ **/2
The Corpse Candles ===================== ****1/2
Yoo-Hoo Cthulhu ======================== -
Lost Soul ============================== ***1/2
Pazuzu's Children ====================== ****
What Washes Ashore ===================== ****
The Cellar Gods ======================== *****

sexta-feira, 9 de março de 2007

The Frolic do Thomas Ligotti prestes a ser lançado em DVD


Production work on the Collector's Edition DVD of Jacob Cooney's The Frolic (adapted from Thomas Ligotti's short story) is nearly complete. The DVD package will feature:

- Ligotti's short story, "The Frolic," newly revised and with a new introduction by the author.
- The script for The Frolic, written by Ligotti and Brandon Trenz, with an introduction by Trenz.
- A new interview with Ligotti and Trenz, conducted by Brian Edward Poe.

- Audio Commentary & Production Stills

terça-feira, 6 de março de 2007

Nacho Cerdà lança seu primeiro longa metragem

Após o repulsivo Aftermath e o poético Genesis, dois dos curtas metragens mais elogiados dos últimos tempos, o cineasta Nacho Cerdà lança seu primeiro longa metragem.
O filme chega aos cinemas carregado de expectativa, e a julgar pelos trabalhos anteriores do diretor, Los Abandonados promete ser um dos melhores lançamentos de horror do ano.

Até o momento não existe previsão de lançamento por aqui.

domingo, 4 de março de 2007

Cinema e quadrinhos cult - Artigo

Um aspecto positivo das adaptações cinematográficas de revistas em quadrinhos cultuadas, é o grau de divulgação que essas obras obtém perante um público não habituado a leitura de gibis. Independente da qualidade e resultado final, quase sempre insatisfatório, esses filmes acabam por despertar a curiosidade do espectador em conhecer as obras originais, que geralmente se distanciam das adaptações na qual elas serviram de base.
O Corvo do James O`Barr é apenas um, dos muitos exemplos de como um filme baseado numa obra cultuada e semi-obscura pode alavancar o interesse dos espectadores e consequentemente torná-la mais conhecida do público mainstream.


Ghost World do artista underground Daniel Clowes, certamente se tornou muito mais conhecida após sua adaptação para a telona; o mesmo vale para Do Inferno, V de Vingança, dentre outras. Mas nem sempre uma adaptação é garantia de reconhecimento e aumento de vendas.



O Hellblazer é um gibi cultuado que vende na casa dos treze mil exemplares (uma X-Men vende pelo menos seis vezes mais), a adaptação para a telona certamente atraiu a atenção do público mainstream, mas pouco contribuiu para seu aumento em vendas, em parte pela insistência dos produtores em despersonalizar o Constantine e americanizar o conceito original com o intuito de torná-la mais palatável para o público mainstream. Para quem não conhece o gibi, Hellblazer é extremamente britânico com enxofre e danação exalando pelos poros.

No caso do Hellboy a situação é mais complicada, pois atinge diretamente a revista. Os leitores fiéis que acompanham o trabalho do Mike Mignola desde a primeira minissérie foram visivelmente deixados de lado, pois, com o sucesso razoável do filme, ele partiu para outras mídias e como consequência, o material original desenhado e escrito por ele está se tornando cada vez mais escasso; como se não bastasse, Mignola já declarou que a próxima minissérie terá outro desenhista.
Com seus prós e contras, as adaptações continuam aparecendo numa velocidade vertiginosa, se isso terá um efeito benéfico para a indústria dos quadrinhos, teremos que esperar.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Blacksad - Resenha de HQ




Blacksad - Panini Comics 50 pg
Roteiro: Juan Díaz Canales
Desenhos: Juanjo Guarnido

Sinopse:
Num mundo alternativo onde toda espécie de animais
falam e agem como humanos, o investigador particu-
lar John Blacksad envolve-se numa investigação clan-
destina para descobrir o assassino de uma famosa atriz
que no passado foi sua amante.
Por intermédio de um gorila ex-segurança da atriz,
Blacksad chega ao nome de Leon, um de seus últimos
amantes e principal suspeito, desaparecido misteriosa-
mente.
Após acordo ilícito com o delegado que lhe proibiu inves-
tigar o caso, Blacksad se infiltra na alta sociedade a fim de
resolver o mistério e pagar as contas com o passado.



Crítica:

Quando se fala em gibis com animais
falantes, palavras como plausibilidade,
verossimilhança e realismo vêm a mente.
Blacksad vêm de uma tradição de HQ`s
com talking animals em que o Pogo do
Walt Kelly e mais recentemente Bone do
Jeff Smith fazem parte.
À primeira vista não me soou muito anima-
dor ler uma HQ noir com um enredo ala Ja-
mes Ellroy tendo como protagonistas, gatos,
cachorros e outros tipos de animais se com-
portando como humanos. Felizmente eu esta-
va redondamente enganado.
Blacksad é uma revista notável, seja pelo rotei-
ro claro e preciso do Canales ou pela exube-
rante arte do Guarnido. Graças ao enredo enxuto,
diálogos afiados e a arte riquíssima em express-
ões faciais, os autores conseguem dar a esse
universo alternativo uma aura de realismo e
plausibilidade não muito distante dos melhores
romances noir. Em mãos menos habilidosas,
esse conceito cairia no ridículo total.
A galeria de animais, magistralmente desenhada pelo
Canales, é memorável: cães, gatos, lontras, lagartos,
ursos, cobras, sapos, todos têm personalidade própria.
Blacksad é uma hq de alto calibre não apenas pela
qualidade do roteiro e arte, mas também pelo time
artístico ter conseguido trabalhar a supension of
disbelief
(suspenção da incredulidade) maravilhosa-
mente bem.
Altamente recomendável.

Cotação; ****1/2 de *****

Road to Nightfall-Robert Silverberg (1954)-Resenha de conto

Primeira aparição do conto:

Aviso: possíveis spoilers

Sinopse:

Em uma Nova York consumida e devastada por
guerras e conflitos, a escassez de comida obriga
aos cidadãos a recorrerem a outros meios de ob-
tenção de alimento. Quando a cidade é excluída do
fornecimento de alimentos e a população privada
das doações, a situação se agrava e eles começam
a recorrer ao canibalismo e tráfico de carne humana.
Em meio a esse cenário desesperador, Paul Katterson
se agarra aos últimos resquícios de ética e dignidade
que lhe resta e tenta sobreviver neste mundo caótico.

Crítica:

Finalizada em 1954, mas publicada quatro anos mais
tarde por ser considerada chocante demais pelos edi-
tores da época, Road to Nightfall é considerada, a meu
ver com toda justiça, como a melhor história escrita
pelo Silverberg na primeira fase de sua carreira. É tam-
bém prova cabal do seu talento precoce (escrita aos 18
anos de idade).
O drama e o dilema do personagem central são muito bem
trabalhados e em certos momentos me senti seguro e aliviado
em ser um mero espectador.
As descrições de uma Nova York em ruínas, narradas num
estilo frio e impessoal, são plausíveis e realistas.
Road to Nightfall é um conto memorável e minha im-
pressão final é de assombro e maravilhamento.
Renderia um belo filme.

Cotação: ***** de *****

Dica: Esse conto foi lançado no Brasil como Estrada para
o Anoitecer no livro Mutantes, lançado pela editora Melho-
ramentos.