sábado, 28 de abril de 2007

Os pequenos gigantes do cinema fantástico-Parte 1

É fácil falar dos gigantes consagrados.
Fácil demais.
Este post é dedicado a três PEQUENOS GIGANTES do cinema fantástico.



Pupi Avati:


A produção fantástica do Avati se resume a 4 ou 5 filmes (ele é mais conhecido como um realizador mainstream), mas das poucas vezes que se aventurou no cinema de gênero dei-
xou sua marca. Apesar de obras tão díspares como O Arcano Encantador e Zeder, seus filmes fantásticos são caracterizados por um meticuloso build -up, sutileza e uma finura psicoló-

gica digno dos melhores Hitchcock. Sua obra prima, e um dos melhores thrillers psicológicos
já feitos, é o House With the Laughing Windows.


Yasuzo Masumura:



Se o Masumura tivesse feito apenas The Blind Beast (a mais perfeita tradução do universo obssessivo e paranóico do Edgar Allan Poe, ainda que não tenha sido baseado diretamente em nenhuma obra), já mereceria ter entrado para a história.Trabalhando sempre como diretor contratado, conseguiu impôr sua visão cinematográfica em meio a máquina do cinema comercial japonês; seus filmes têm a acessibilidade do cinema de entretenimento porém com uma identidade toda própria; neste ponto seu cinema pode ser comparado favoravelmente ao do Sam Peckinpah e Samuel Fuller. Dono de uma obra extensa (mais de 50 filmes) e diversificada, filmou praticamente de tudo: de horror psicológico (o já citado The Blind Beast) a dramas eróticos assombrados pelo espírito de Poe (Manji), sátira pop (Giants and Toys), gangsters (Afraid to Die) dramas de guerra sobrenaturais (Red Angel), comédias etc. Admirado por mestres como Nagisa Oshima, é considerado como o pai e grande precursor da new wave japonesa dos anos 60.


Jan Svankmajer:

Apelidado pelos admiradores (dentre eles o famoso roteirista de HQ`s Grant Morrison que declarou ter se inspirado em sua obra para criar os delírios psicótico-surrealistas do genial gibi A Patrulha do Destino) como O Alquimista do Surreal , primeiro deixou sua marca, a partir dos anos 60, numa série de curta-metragens em que misturava live-action, animação em stop-motion, humor negro, crítica social, surrealismo grotesco e escatológico em obras de grande impacto e intensidade visual. A partir dos anos 80 estréia no mundo dos longas com uma maravilhosa releitura pós-moderna de Alice no País das Maravilhas; a ele segue-se (sempre fiel a sua filosofia artística) Faust (mais outra releitura) e outros filmes surrealistas de alto calibre; ainda está na ativa. As obras do Svankmajer tendem a despertar reações extremas; não têm meio termo, ou você ama ou odeia.Talvez seja o último rebelde do cinema. Nas próximas semanas estarei dando continuidade a este post.

2 comentários:

John Leão disse...

Parabéns pelo Blog, bem feito e sério...
Soube dele no Grupo de Lovecraft do Yahoo, não esperava q fosse tão bom...;)
Continue assim...

Ramon Bacelar disse...

Obrigado!!