sábado, 21 de abril de 2007

The Red Inn (1831)-Honoré de Balzac - Resenha de Conto


Sinopse:
Na França no século 19, em um jantar promovido por um
banqueiro, mercador alemão entretém os convidados
contando uma estranha história de dois jovens assistentes
médicos, viajando de Boon para Andernach, que se hospe-
dam em uma taberna (a Red Inn do título) e fazem uma rá-
pida amizade com um alemão que, após uma bebedeira que
lhe solta a língua, lhes confidencia que carrega uma fortuna
em sua mala. À noite um dos assistentes, tentado pela for-
tuna, arquiteta um meticuloso plano para roubar o dinheiro
e se livrar do corpo do alemão, mas na hora h se arrepende e
sai da taverna por algumas horas para se acalmar.
No dia seguinte a cabeça do alemão é encontrada decepada
ao lado da cama, com o dinheiro e o outro médico-assistente desaparecidos.
Atormentado por um complexo de culpa por ter arquitetado um
plano tão elaborado (mesmo que não tenha executado o ato),
é levado a tribunal e condenado a
morte (ainda que não se tenha
notícia do paradeiro do dinheiro e do colega assistente).

Crítica:
No século 19, com o sucesso das traduções do americano Edgar
Allan Poe e do alemão E.T.A. Hoffmann, a França passava por
uma nova onda de literatura fantástica que acabou gerando uma
imensa quantidade de
imitadores e alguns escritores de nota trei-
naram a sua pena neste novo modo de literatura fantástica.
The Red Inn é uma tentativa deliberada de emular os temas
e modos do Hoffmnan e a meu ver, graças ao calibre do Balzac,
ele o faz com sucesso.
Ainda que os detalhes históricos acabem as vezes por pesar um
pouco na narrativa, o conto é um
maravilhoso exemplo de como
a idéia ou pensamento de um crime pode ser tão prejudicial para
um indivíduo como a execução propriamente dita. No conto o
assassino que cometeu o crime em "pensamento" é punido com
a morte, enquanto o executor desfruta da fortuna em liberdade
(mas não sem culpa e angústias).
Com um estilo lúcido e total controle autoral (o estilo
de Hoffman as vezes me parece como um caminhão sem
freios com as palavras por vezes "fugindo" do seu controle),
Balzac emula com perfeição o histerismo e intensidade psico-
lógica do seu modelo alemão e nos joga num mundo de culpas,
angústias e dilemas dostoyevskeanos ainda mais profundo e inci-
sivo que os contos do excêntrico alemão.
The Red Inn é intelectualmente estimulante, filosófico,
psicologicamente refinado e
profundamente pertubador.

Cotação: ****1/2 de *****

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