sábado, 21 de abril de 2007

The Sign(1868) / Véra (1876)-Villiers de l'Isle-Adam-Resenha dupla de contos



The Sign

Sinopse:
Advogado parisiense hipersensível e com tendência
a crises de melancolia,
viaja para um vilarejo para se
encontrar
com um padre amigo de longa data.
Ao chegar no presbitério e durante sua
estada, ele
passa por uma série
de "experiências metafíscas" a que
atribui a fadiga mental e emocional.
Ao voltar a Paris em
caráter emergencial, encontra-se
com o criado
do padre que lhe faz um estranho pedido.

Crítica:
Em suas incursões pelo metafísico-espiritual, Villiers
(mais conhecido como o criador e
divulgador do subgênero
conte cruel: contos em sua maioria
não-sobrenaturais que bus-
cam
ressaltar o lado negro da natureza humana e investigar
a capacidade
humana para o sadismo e crueldade sem sen-
sacionalis
mo, porém com doses de cinismo e ironia) têm usado
o sobrenatural, dentre outros propósitos, como veículo de ques-
tionamento e investigação da natureza da realidade.
The Sign põe em dúvida o racionalismo do advogado mas nunca
"entrega"
totalmente o jogo.
Assim como em Véra, a ambiguidade é magistralmente manejada
pelo Villiers,
mas a linha final do conto deixa mais ou menos claro a
"vitória"
do sobrenatural-espiritual sobre o material.
Que fique claro que o autor não é mais um daqueles propagandistas
sem talento tão comuns no
século dezenove que usavam a ficção
sobrenatural
como meio para divulgação de idéias pseudocientíficas
e teorias fantasiosas em meio a onda espiritualista da época.
Seu trabalho é muito mais uma reação violenta aos movimentos
realista e
naturalista que procuravam "reproduzir a realidade
em sua particularidade" q
ue fazer qualquer tipo de proselitismo
místico-espiritualista.
As manifestações supostamente sobrenaturais são narradas com
uma
sutileza, precisão e economia de efeito que só o amor a arte
da palavra escrita pode produzir.
Um conto magistral.

Cotação: ****1/2 de *****



Véra

Sinopse:

Aristocrata francês perde a jovem esposa subitamente

e após visitá-la pela última vez no mausoléu da família
cai em uma profunda melancolia.
Ao retornar para sua mansão, aos poucos é tragado pela
pela ilusão da presença da finada e fantasia seu cotidiano
com a amada como se ela não tivesse falecido. Sua "pre-
sença" na mansão se faz gradualmente mais forte, até que
no primeiro aniversário de sua morte...

Crítica:
"O amor é mais forte que a morte" assim começa esta fanta-
sia-onírico-decadente em que a atmosfera de profunda tris-
teza e melancolia reina suprema. O tema da esposa morta
que volta da tumba para o seu amado é um dos grandes temas
do decadentismo francês, mas no conto do Villiers ele atinge
um grau de beleza, finura psicológica e refinamento artístico
que, a meu ver, nem o Allan Poe conseguiu alcançar. A tensão
entre o "supostamente" real e o irreal, é conduzido magistral-
mente, graças ao perfeccionismo quase patológico do autor.
Véra é profundamente romântico sem ser piegas, dramático
sem cair no melodrama, decadente sem os excessos do movi-
mento. Não seria injusto colocá-lo entre as mais bonitas fanta-
tasias oníricas já escritas.

Cotação: ***** de *****

Dica: Estes contos foram lançados no Brasil na coletânea Contos Cruéis da editora Iluminuras.


2 comentários:

seguidorlovecraft disse...

Ei... afinal, como consigo estes dois contos de Villiers?
Obrigado pela atenção...
LNN

Ramon Bacelar disse...

ia a minha dica no final da resenha. procure também nos sebos.