domingo, 6 de maio de 2007

The Venus of Ille-Prosper Mérimée-Resenha de conto


Sinopse:
Arqueólogo parte para a região dos Pyrennes em direção
do vilarejo de Ille a fim de se hospedar na casa do amigo
de um amigo com o intuito de fazer pesquisas arqueló-
gicas na região. Ao chegar, se depara com uma fascinante e
curiosa descoberta arquelógica: uma estátua em cobre de
Vênus (deusa do amor) porém com estranhas expressões fa-
ciais e olhos de prata. Ao descobrir que o filho do anfitrião
está prestes a se casar, se vê obrigado a viajar com a família
para o casamento. Um pouco antes da partida, o noivo desa-
fia catalões para uma partida de tênis e quando de sua par-
tida para a cerimônia se esquece de retirar a aliança da es-
tátua que ele colocou durante a partida de tênis. No primei-
ro dia de casados uma catástrofe abala as famílias.

Crítica:
Paganismo x cristianismo, materialismo x espiritualidade,
passado x modernidade, idealismo x comercialismo.
Em uma passagem, o noivo mostra ao arqueólogo sua alian-
ça adornada em diamantes, em que o arquéologo comenta
que, artisticamente ela seria mais bela sem os diamantes,
porém a (limitada) noção do noivo sobre o belo está condi-
cionada ao valor financeiro do objeto. Noutra, pedestres ca-
çoam da estátua e lhes jogam pedras e "ela" responde com o re-
torno da pedra para o seu agressor. Ille é um conto fantástico
de choques e contrastes. A figura da Vênus é a representação
dos aspectos mais sombrios e negativos do amor, uma força
de um poder destruidor e devastador, também é um símbolo
de um passado glorioso que se "ergue" contra um mundo frio
movido por interesses puramente materiais (a cena da aliança
ilustra muito bem este contraste) carente da "espiritualidade"
pré-cristã.
The Venus of Ille é maravilhosamente bem escrito, a tensão entre
o "possível e o impossível" é manejada com muita classe. Ao
mesmo tempo que o autor nos fornece explicações racionais para
as ocorrências, ele as mina com extrema sutileza e comedimento.
O final chocante e pertubador não procura "provar" a existência
do sobrenatural como a ficção sobrenatural pseudo-ocultista-espiritualista
vitoriana, mas que a existência humana e a realidade são complexas
demais para serem compreendidas em sua totalidade.

Cotação: ****1/2 de *****

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