sábado, 18 de agosto de 2007

The Horrible Secret of Dr. Hichcock (1962)- Resenha de filme


Direção: Riccardo Freda

Sinopse:
Doutor com tendências necrófilas mata acidentalmente
a esposa ao lhe injetar uma quantidade letal de sonífero.
Doze anos depois ele volta a antiga casa onde ocorreu
a tragédia com uma nova esposa, mas a antiga governanta
não a recebe bem.Ouvindo gritos que a governanta atribui
a uma irmã com problemas mentais e se sentindo perse-
guida, pede ao marido para mudar de casa mas o marido
prontamente recusa, atribuindo a causa da sua preocupação
a um antigo trauma.






Crítica:
Neste filme italiano assombrado pelo espírito do Edgar Allan
Poe e salpicado por referências aos filmes do Hitchcock, temos:
a exuberante Barbara Steele no papel da mocinha assombrada e
indefesa, corredores escuros, um vilão meio byrônico, uma fiel
criada, um gato preto, caixões, portas entreabertas, câmaras se-
cretas e toda a parafernália comum ao cinema gótico. O que
não é lá muito comum é o resultado final, produto da química per-
feita entre a direção romântica e flamboyant do temperamental
Riccardo Freda (mais estiloso e inventivo que o Antonio Margheritti
e quase tão bom quanto o Mario Bava), do excepcional trabalho
de iluminação e fotografia, da rica e atmosférica trilha sonora (uma das
melhores que já vi em um filme de horror) e da presença sempre mar-
cante da Barbara Steele. Foi finalizado em incríveis 16 dias, graças
a uma aposta do diretor com um amigo quando desafiado a fazer um
filme de época em duas semanas.
Tratando de temas intensamente vitorianos como alienação sexual, desejos
reprimidos e o sempre espinhoso tema da necrofilia, a mão segura de Freda
jamais deixa o filme cair no sensacionalismo barato. Muito do delineamento psicológico do doutor se deve menos aos diálogos e mais as expressões
faciais e passa a impressão ao espectador de se tratar não apenas de uma figura maléfica, mas também um ser humano totalmente dominado por im-
pulsos incontroláveis.
Qualquer admirador do gótico italiano sabe que nem sempre essas obras primam pelo roteiro e coesão narrativa, mas se superam em atmosfera e in-
tensidade visual, algumas como Kill Baby Kill e The Whip and the Body
(ambas dirigidas pelo Mario Bava) atingem um nível de pura poesia visual.
Em alguns momentos The Horrible Secret of Dr. Hichcock atinge a mesma
estatura artística e para o cinéfilo interessado não apenas em ação e enredo mas cinema como exercício de estilo e atmosfera, The Horrible e o cinema
do Mario Bava em particular, e o gótico italiano como um todo, são fontes inesgotáveis do mais puro delírio cinemático.


Cotação: ***** de *****

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