sábado, 18 de agosto de 2007

Pequenos gigantes do cinema fantástico-Parte 5




KOJI WAKAMATSU:

De todos os diretores japoneses do underground surgidos no final
dos anos 60, nenhum provocou tanta controvérsia (não sem justificativa)
e foi tão incompreendido quanto o Koji Wakamatsu (nesse quesito ele se
assemelha ao nosso José Mojica Marins).
Misturando filosofia existencial, erotismo soft, anarquismo, nihilismo, ultra-
violência, crítica social e absurdismo, seus filmes mais típicos representam
a essência do cinema marginal: revoltado, furioso, crítico, subersivo e com
uma carga existencial e intelectual incomuns.
Trabalhando sempre com orçamentos ridículos e tempo escasso (Go Go, Second Time Virgin, um de seus clássicos, foi filmado em apenas 2 dias)
seus filmes do final dos anos 60 e 70, feitos sob encomenda para o mercado
exploitation japonês, raramente chegavam ao mercado ocidental, menos
pelas cenas de sexo e nudez (relativamente comportadas quando comparadas aos
filmes produzidos nos EUA na mesma época) e mais pela ultra-violência e
política radical. A ironia é que enquanto no oriente estes filmes tinham como
público-alvo a platéia exploitation, na europa (em raras exibições em salas
especiais fora do circuito comercial) já nos anos 60 eles já eram analisados como cinema de arte, admirados por intelectuais de vanguarda e figurinhas
carimbadas como o Jean Luc Goddard.
Ainda que seus filmes não apresentem elementos fantásticos explícitos nem
implícitos, suas melhores obras como o já citado Go Go, The Embryo
Hunts in Secret, Violated Angels e Ecstasy of the Angels exalam uma atmosfera nightmarish, pesada e claustrofóbica, temperada com um nihilismo, melancolia e ultra-violência quase insuportáveis. Claro que estes elementos por si só já seriam o suficiente para alienar o mais experiente dos cinéfilos, mas o cinema do Wakamatsu têm algo a mais, um diferencial que não se consegue isolar nem definir, mas está lá. Seria simplista afirmar que
seus filmes chamam a atenção (apenas) pelo nihilismo e ultra-violência; o cinema exploitation têm nos dado inúmeros exemplos de filmes negros e violentos que não passam de... filmes negros e violentos.
Com o lançamento em DVD do seus melhores filmes, finalmente o público ocidental têm a oportunidade de conhecer a obra deste cineasta que é o rei sem coroa do cinema ultra-marginal.

2 comentários:

Bakemon disse...

Excelente lembrança do Wakamatsu. Um verdadeiro tarado com classe.

Ramon Bacelar disse...

Bela definição!!!