sábado, 25 de agosto de 2007

Pequenos gigantes do cinema fantástico-Parte 6


Shinya Tsukamoto:
Shinya Tsukamoto é o tipo de artista que eu classificaria como
um renaissance man: produz, escreve, dirige, atua (em filmes de
outros diretores inclusive) e as vezes ilumina e fotografa seus
próprios filmes. No final dos anos 80, após uma série de elogiados curtas-
metragens, entrou no mundo dos longas chutando o pau da barraca, ba-
bando como um cachorro louco e rugindo como um cano de descar-
ga defeituoso e fedorento com uma obra inclassificável que misturava
FC apocalíptica, horror, cyberpunk e cinema experimental chamada
Tetsuo; o enredo contava a história de um paranóico que gradativa-
mente era transformado em metal. Nada mais tosco e nada mais genial,
graças ao talento do Tsukamoto que nem por um segundo deixa o es-
pectador respirar. Em Tetsuo vemos todas as marcas registradas do seu
cinema: trabalho de câmera frenético, inventivo uso do som, fotografia estilosa
(no caso do Tetsuo um maravilhoso tom cromado) e um trabalho de
edição simplesmente sensacional. O filme acabou virando um hit nos festivais, rodou pelos quatro cantos do mundo, foi elogiado por figurinhas carimbadas como o David Cronemberg e William Gibson e colocou em definitivo o nome do Tsukamoto no mapa
 cinematográfico. Filmes subsequentes como Tokyo Fist e
Tetsuo II: The Body Hammer confirmaram a prome-
ssa e o colocaram entre os principais realizadores de cinema independente do mundo.
Após uma série de filmes barulhentos, consagrado e com uma multidão de
admiradores, tira o pé do acelerador e dirige o extraordinário drama gótico Gemini e prova sua versatilidade e adaptabilidade já que este foi feito como
um "projeto de encomenda" trabalhando como diretor contratado.
Se antes seu cinema tinha lhe valido o apelido de "David Cronemberg japonês" a partir do final dos anos noventa ele começa a ser comparado ao
David Lynch. Filmes subsequentes como os dramas A Snake of June e
Vital seguem a mesma linha reflexiva e introspectiva do já citado filme de transição Gemini; alguns fãs antigos não gostaram da mudança de direcio-
namento mas a meu ver o cinema do Tsukamoto só têm crescido.
O minimalista Haze (filme originalmente concebido como um curta-metragem e posteriormente alargado para um média) foi um meio retorno ao antigo estilo e muito bem recebido pelos antigos fàs; The Nightmare Detective (ou-
tro trabalho feito sob encomenda) marca seu retorno ao cinema de gênero
e já têm uma continuação agendada para o próximo ano.
Shinya Tsukamoto ainda têm muito óleo para queimar e cada filme seu deve
ser celebrado não apenas como exemplos máximos de cinema fantástico
mas também como exemplos de como se fazer cinema de qualidade longe do controle dos grandes estúdios.

2 comentários:

Bakemon disse...

Minha vida como fã de cinema mudou depois que assisti TETSUO. Foi um choque de 1000 volts nas minhas pupilas! Obrigado, Shinya Tsukamoto!!!!

Ramon Bacelar disse...

Tsukamoto é um dos poucos diretores
contemporâneos que acompanho religiosamente.
Ramon Bacelar