sábado, 18 de agosto de 2007

Rendezvous at Bray (1971)-Resenha de filme




Direção: Andre Delvaux

Sinopse:
Na França em meio a primeira guerra, ao receber convite de um amigo músico e piloto-combatente para visitá-lo em sua mansão, jornalista musical e pianista relembra o passado e dos dias felizes que viveu com o amigo e a namorada antes de estourar a guerra, e acaba por se envolver com a criada na solitária mansão.




Crítica:
Andre Delvaux foi o cineasta que colocou o cinema belga
no mapa e junto com o Harry Kummel, o mais importante
realizador a trabalhar nas fronteiras do fantástico no país.
Assim como Kummel, tinha uma queda para o insólito e o
idiossincrático (ambos faziam cinema usando ferramentas de
fabricação própria), porém, onde o Kummel usava e abusava
da estilização barroca e colorido extravagante, o Delvaux pri-
mava pela discrição visual e uso de tons mortos (perfeitamente
in tandem com seus personagens tímidos e introspectivos); em
Kummel as vezes têm-se a impressão da obra fugir e/ou escorregar
do controle do criador, enquanto que os filmes do Delvaux são
um perfeito exemplo de controle autoral.
Em Rendezvous at Bray nada explicitamente fantástico acontece,
mas é no ritmo lânguido, no belíssmo piano de fundo, nas sutis
transições entre presente e passado, nas expressões faciais e na
"pureza visual" (kudos para a excelente fotografia) que ele timida-
mente se esconde. Aqui, assim como em The Man Who Had His
Hair Cut Short (primeiro filme que lhe deu renome internacional)
o Delvaux envolve a obra em uma névoa de sutil onirismo e misté-
rio, transformando o que era para ser um convencional drama de
realismo psicológico em uma obra de um realismo-mágico enigmá-
tico e profundamente misterioso.
Rendezvous é um filme sobre a força do passado, sobre nossa inca-
pacidade de alterá-lo e apagá-lo e acima de tudo, um filme sobre
esse misto de benção e maldição chamado memória.

Cotação: ****1/2 de *****

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