sábado, 29 de setembro de 2007

Alucarda (1975)-Resenha de filme



Direção: Juan Lopez Monteczuma

Sinopse:

Em um convento de freiras duas jovens passam
a apresentar comportamento estranho e traços
de possessão demoníaca. Em meio a histeria re-
ligiosa e o temor das madres superioras, uma das
jovens é despossuída através de um ritual maca-
bro que acaba por lhe tirar a vida. Em meio ao
caos um padre é chamado para controlar a situ-
ação.







Crítica:

O enredo desta produção mexicana dos anos 70
é apenas uma desculpa para um desfile infindável
de freiras histéricas, jovens maliciosas transbor-
dantes de sensualidade e sexualidade, torturas,
violência, blasfêmias, nudez e muita, muita gritaria.
Monteczuma tem a mão pesada (controle e suti-
leza definitivamente não entram em seu vocabu-
lário cinematográfico). As cenas de possessão
demoníaca e êxtase religioso são tratadas
com um sensacionalismo e histerismo que é
impossivel levá-las a sério e quase sempre indu-
zem o espectador ao riso involuntário. Parado-
xalmente Alucarda é um dos filmes exploitation
mais estilosos já feitos, com um trabalho de fo-
tografia e direção de arte muito acima da média.
Ainda que não seja um filme de todo coeso, al-
gumas cenas, pela sua intensidade visual, são
simplesmente memoráveis e me faz pensar sobre
o resultado final caso fosse dirigido por um di-
retor com uma mão mais leve e mais talento na
direção de atores.
Eu queria gostar mais de Alucarda pois é um fil-
me com muitas qualidades e é certamente uma
obra que merece uma segunda visita (em breve
vou revê-lo) mas de momento o que posso dizer
é que apesar de toda a sua exuberância visual é
preciso ter saco de ouro para suportar tanta gri-
taria, histeria e sensacionalismo.

Cotação: *** de *****

Epicuro o sábio:Os Muitos Amores de Zeus (Capítulo 2)-Resenha de HQ



Sinopse:
Após fundar sua escola de filosofia sem muito sucesso,
Epicuro e seus companheiros da primeira aventura se
deparam com uma série de estranhas ocorrências, todas
envolvendo mulheres que passam por experiências amo-
rosas tanto em sonhos como na realidade e acaba-se por
descobrir que Zeus está a solta com sua libido a todo va-
por destruindo lares e famílias e sua ciumenta mulher Hera
disposta a freiar o maridão tarado usando as mulheres "vi-
timadas" por Zeus como alvo.

Crítica:
Nesta segunda aventura o time artístico tira o pé do freio
de vez e cria um conto descontroladamente hilário, grotes-
co, erótico, safado e escatológico. A arte do Kieth está
comparativamente menos barroca, a diagramação mais con-
vencional, mas o que se perde (um pouco) no departamento
artístico se compensa no maravilhoso texto do Messne-
Loebs ainda mais cativante e hilário que no primeiro capí-
tulo. Sempre achei seu trabalho para a Marvel e DC absoluta
rotina mas depois de Epicuro ele subiu muito na minha escala
de preferência. Das avacalhações e desconstrução de duas fá-
bulas de Esopo (A Raposa e as Uvas e O Rato e o Leão), as
hilariantes intervenções do pequeno Alexandre O Grande, Epi-
curo: Os Muitos Amores de Zeus é um maravilhoso pesadelo cômico.

Cotação: ***** de *****

Swamp Thing V1 #10-Resenha de HQ



Argumento: Len Wein
Desenhos: Bernie Wrightson



Sinopse:
Nos pântanos da Louisiana o Monstro encontra uma ex-escrava
que lhe relata a história de um escravo que, pouco antes de ser
queimado vivo em uma estaca, jura vingança sobre os crimes
cometidos pelo seu captor.
Repentinamente o monstro é atacado pela horda de homens sinté-
ticos liderado por um Anton Arcane ressussitado pela suas criatu-
ras e colocado em um corpo disforme.
Em meio ao conflito, uma antiga maldição começa a tomar forma.

Crítica:
Neste último número produzido pelo time artístico encontramos
o Monstro encarando seu antigo adversário em novos "trajes"
e suas criaturas enfrentando uma "vingança do além". Gostei do
ângulo histórico que funciona muito bem com os elementos horro-
ríficos.
Um fase de ouro se encerra com esta história. Teríamos que esperar
mais de oito anos até que um tal de Alan Moore nos presenteasse com
uma abordagem do pantanoso memorável.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 22 de setembro de 2007

Angst (1983)-Resenha de filme


Direção: Gerald Kargl

Sinopse:
Psicopata recém saído da prisão começa
a apresentar os mesmos impulsos assassi-
nos que o levaram a cela. Sem meios para
conter seus impulsos ele planeja novas mor-
tes e vai parar em uma mansão onde aterro-
riza uma idosa, seu filho com problemas
mentais numa cadeira de rodas e uma jo-
vem, enquanto relembra sua infância proble-
mática com a mãe, irmã e o padrasto.





Crítica:
Filmes sobre psicopatas são figurinha fácil no
mainstream hollyoodeano; alguns deles estão
entre os melhores produzidos neste filão temá-
tico, mas, por maior sucesso comercial e artís-
tico que essas obras alcancem não se pode ne-
gar que a maioria destes filmes pintam um retra-
to um tanto heróico e glamourizado dos psico-
patas e cabe ao cinema independente remover o
verniz romântico, desnudar o protagonista e mos-
trar ao espectador os mecanismos da mente pertu-
bada e criminosa sem frescuras. Angst é um dos
mais realistas filmes sobre psicopatas já feitos, em
parte por um maravilhoso uso do monólogo interi-
or. Praticamente desprovido de diálogos, a ação é
costurada e entrecortada pelos monólogos interi-
ores do protagonista gerando uma espécie de "sus-
tentação" ou "justificativa" psicológica para seus
atos abomináveis. Comparado positivamente por
alguns críticos com o Henry: Retrato de um Assa-
ssino, a meu ver Angst é ainda melhor e no departa-
mento técnico muito superior ao filme do diretor
John Macnaughton.
A trilha sonora eletrônica (típica dos anos 80) é,
em sua maior parte, discreta e eficiente com algu-
mas camas de teclado me lembrando vagamente
as do Mark Snow em Arquivo-X.
A direção do Kargl é segura com boa direção de
atores, mas é no espetacular trabalho de câmera do
premiado curta metragista Zbigniew Rybczynski que se
concentra o poder de fogo de Angst: usando e abusando
de tomadas de longa distância, wide-angle-shots, ân-
gulos impossíveis, e complexos, intrincados movi-
mentos de câmera que transmitem não apenas a an-
siedade e confusão mental do protagonista mas
também a angústia e o desespero de uma mente
profundamente pertubada que o filme se revela mui-
to superior a esmagadora maioria das produções do
gênero.
Angst têm a intensidade alucinada e destreza técnica
dos melhores Argento, simplesmente uma obra prima,
não posso colocar de outra maneira.

Cotação: ***** de *****

The Secret (1966)-Jack Vance-Resenha de conto



Sinopse:
Morador de uma ilha paradisíaca, consumido pela
solidão, após auxiliar um colega na construção de
um barco com o intuito de levá-lo ao oeste, decide
construir um catamaran para reencontrar os anti-
gos amigos e descobrir o Segredo do Oeste.


Crítica:
Os primeiros aspectos que saltam aos olhos nesta
fábula lírica e poética é a ausênsia de humor e uma
surpreendente economia de estilo. Para quem não
sabe Jack Vance é um autor que se especializou em
aventuras e romances planetários com um forte fla-
vour
de fantasia decadente, personagens (melhor
seria classificá-los como "tipos") idiossincráticos
(as vezes deliberadamente flamboyant e caricatos),
humor ultra-refinado, e um estilo complexo, labirin-
tino e barroco que lhe valeram críticas de escritores
como o Brian Aldis, elogios (para não dizer vene-
ração) de contemporâneos como o Terry Dowling
e o fenômeno editorial George R. R. Martin, e uma
fan-base fiel e fanática a ponto de reeditar toda a o-
bra do autor em capa dura com os textos revisados
sem as "intrusões" editoriais tão comuns na pulp
fiction.Vance é amado e odiado na mesma propor-
ção.
Contemplativo e intensamente psicológico, atípico
(para Vance) e praticamente desprovido de plot
com estilo e atmosfera no forefront, The Secret é
uma maravilhosa fábula reflexiva que agradará tan-
to aos leitores dos contos do Orson Scott Card dos
anos 80 como aos admiradores do Robert Silverberg
dos 60 e 70.
Altamente recomendado.

Cotação: ****1/2 de *****

Epicuro o sábio:Visitando o Hades (Capítulo 1)-Resenha de HQ



Sinopse:
Na Grécia antiga o filósofo Epicuro chega a Atenas
com o intuito de abrir uma escola de filosofia. Na
acrópole ele toma contato com Sócrates, Aristóteles,
e se une a Platão e um temperamental Alexandre O
Grande adolescente para combater, a pedido de ou-
tro filósofo, uma catástrofe glacial provocada por
uma deusa da natureza, após sua filha Perséfone ter
sido sequestrada por Hades e levada as profundezas
do inferno.

Crítica:
Tenho lido a respeito dessa revista há vários anos
e confesso que nunca me despertou o menor interesse,
até tomar conhecimento do time artístico por trás desse
gibi. Messner-Loebs e Sam Kieth (mais conhecido pelo
público mainstream como o co-criador de Sandman) são
a força criadora por trás de The Maxx, um dos gibis mais
idiossincráticos e insanamente geniais já criado. Claro que
isso não garante nada, mas quando se toma contato com
um artista tão original, criativo e vigoroso como o Kieth (
não é de estranhar que ele tenha se sentido criativamente
preso na Sandman e tenha abandonado o gibi após 5 edi-
ções) as expectativas aumentam consideravelmente.
Epicuro têm uma proposta extremamente ousada: misturar
filosofia, mito, história e humor em um gibi cujo desenhista
demonstra forte inclinação para o grotesco, caricato, absur-
do e surreal. Ao argumentista resta a difícil tarefa de equili-
brar e costurar elementos e referências históricas e filosóficas
na tapeçaria narrativa e temperá-la com boas doses de imagi-
nação e humor. O que era para ser um amontoado de refe-
rências costuradas numa boneca de pano disforme, se trans-
forma num maravilhoso gibi histórico-filosófico com uma
narrativa ágil, leve mas ao mesmo tempo erudita; a mágica
funcionou e apesar das minhas tentativas de destrinchá-la o
truque ainda continua guardado a sete chaves pelo time cria-
tivo.
Inteligente, engenhoso e hilário, Epicuro é um gibi absolu-
tamente indispensável.

Nota sobre a edição brasileira:
Mais uma vez a Editora Conrad dá um show de profissionalismo
e respeito ao leitor com uma edição em capa dura, muito bem
editada, traduzida, impressa e com um exclusivo e informativo
prefácio que dá um bom contexto para os leitores não familiaria-
rizados como história, mitologia e filosofia (deixa no chinelo a
edição americana).

Cotação: ***** de *****

Swamp Thing Vol1 #9-Resenha de HQ


Argumento: Len Wein
Desenhos: Bernie Wrightson

Sinopse:
Ao retornar ao pântano da Louisiana o Monstro
descobre em seu antigo laboratório uma nave ali-
enígena e entra em um conflito quase fatal com o
alien após descobrir que ele usou equipamentos e
material do seu laboratório para tentar reparar a
nave e com isso impossibilitando o Monstro de
desenvolver a fórmula que poderia o reverter a sua
antiga forma humana.
Matt Cable, a mando do governo, auxilia o resgate
da nave e captura do alienígena, mas a criatura con-
tará com uma ajuda inesperada.


Crítica:


Neste conto de FC o verdão mais uma vez exercita seu huma-
nismo criando um estranho laço com o alien após o confronto
inicial e ultimamente o auxiliando na fuga do nosso planeta.
Belo conto.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 15 de setembro de 2007

Umberto D. (1952)-Resenha de filme



Direção: Vittorio De Sica

Sinopse:
Idoso solitário, prestes a ser despejado da pensão,
tenta arrecadar fundos vendendo objetos pessoais en-
quanto se desentende com a pensionista e cuida do
seu cão vira-lata.



Crítica:
Em Umberto D. De Sica exercita toda sua sensibilidade e
humanismo, mas desta vez seu olhar é mais melancólico e
desiludido que em Ladrões de Bicicletas. Nele também es-
tão presentes todos os elementos que eu classificaria co-
mo "siqueanos": excelente uso de locações externas tornan-
do a cidade quase como um personagem, interpretações na-
turais (ninguém "dirige" atores amadores como o De Sica),
boa dose de sentimentalismo sem nunca descambar para
xaropada, cenas de grande força poética (a sequência em
que o protagonista se recusa a pedir esmolas e coloca seu
vira-lata para fazer o "serviço sujo" é inesquecível), humor
low-key, understated e melancólico (a cena em que ele veste
sua melhor roupa para ser carregado de maca para o hospital
é de uma beleza e simplicidade absurdas, mas ao mesmo tempo
hilária e profunda), e uma graça e sensibilidade ao tratar da
condição humana que muito me lembra o Chaplin.
Pela seu tom melancólico e fatalista Umberto D. pode não ter
para algumas pessoas o mesmo fascínio e encanto que Ladrões
de Bicicleta, mas nele vemos De Sica no topo da forma.
Falar de mestres é andar em círculos, é chover no molhado, é
ser previsível, portanto me perdoem se eu cair no óbvio:
VITTORIO DE SICA É GÊNIO.

Cotação: ***** de *****

The Horla-Guy de Maupassant-Resenha de conto



Sinopse:
Cidadão de classe média passa a sentir em sua casa
a presença de uma entidade invisível que se alimenta
de água e leite. Fatigado físico e mentalmente pela su-
posta criatura, viaja para fora e após presenciar uma
poderosa sugestão hipnótica em que ele nota uma estra-
nha conexão com suas experiências, retorna a sua casa.
Batizado de Horla, sua presença se faz gradativamente
mais dominadora e aos poucos a vítima sucumbe a cria-
tura.

Crítica:
The Horla é um conto de loucura e paranóia como nenhum
outro. A descida gradual a loucura do protagonista é narrada
com uma intensidade e realismo psicológico digno dos melhores
contos do Edgar Allan Poe; notável também é a maneira como
o Maupassant estrutura o conto (mini capítulos divididos em
mês e data) permitindo que o leitor acompanhe "de perto" e
passo a passo o drama do protagonista (existe uma primeira
versão deste conto estruturado de maneira tradicional porém
menos impactante). Apesar do leitor atento sacar logo de cara
que a criatura invisível não passa do produto de uma mente
pertubada, o modo como o Maupassant sugere sua existência
e a maneira como ela afeta o protagonista é um primor de
artesanato. As constantes alusões a uma nova raça de seres,
ao seu poder de influência sobre os humanos e o parágrafo
final, são de gelar o sangue e vender os tabletes como picolé de
morango no maracanã em dia de Fla-Flu.
The Horla é considerado a obra prima do Maupassant e a meu ver
justifica toda a fama que têm.

Cotação: ***** de *****

AMPHIGOREY AGAIN-Resenha de HQ em inglês





Review:

Amphigorey Again is a wonderful addition to the now
classic Amphigorey Series (the others being Amphigorey,
Amphigorey Too and Amphigorey Also).
Said that this fourth volume is by far the weakest,
but that's not to say it's bad (remember we're not
talking about hacks) : Gorey in his less inspired moments
is still worth buying.
There are a number of very short pieces here as well as some
wonderful ilustrations but the most interesting pieces
are the lenghty ones, even though some of them seems
like an incomplete draft.
Amphigorey Again is not the best introduction  for those
who wants to immerse for the first time in Gorey's
demented genius but if you are a Gorey addict this volume
is ABSOLUTELY INDISPENSABLE.
 
AMPHIGOREY AGAIN:

The Galoshes of Remorse (illustration) ==========
Signs of Spring ================================= ***1/2
Seasonal Confusion ============================== ***1/2
Random Walk ===================================== ***1/2
Category (illustration) =========================
The Other Statue ================================ ****
10 Impossible Objects =========================== -
The Universal Solvent =========================== -
Scénes de Ballet ================================ ***1/2
Verse Advice ==================================== ***
The Deadly Blotter ============================== ***
Creativity ====================================== ***
The Retrieved Locket ============================ ***
The Water Flowers =============================== ***1/2
The Haunted The-Cosy ============================ ***1/2
Christmas Wrap-up (illustration) ================
The Headless Bust =============================== ****
The Just Dessert ================================ **1/2
The Admonitory Hippopotamus ===================== ***1/2
Negected Murderesses ============================ ***1/2
Tragédies Topiaries ============================= ****
The Raging Tide ================================= ****
The Unknown Vegetable =========================== ****
Another Random Walk ============================= ***1/2
Serious Life: A Cruise ========================== ***1/2
Figbash Acrobate (Illustrations) ================
La Malle Saignante ============================== ****
The Izzard Book ================================= ***

Swamp Thing V1 #8-Resenha de HQ


Argumento: Len Wein
Desenhos: Bernie Wrightson

Sinopse:
Vagando pela Appalachian Wood coberta em neve, o monstro
ouve um grito de agonia vindo de uma caverna e lá encontra um
velho ferido por um urso. Ao se livrar do animal, encontra o vi-
larejo do velho e após conflito com os moradores, eles o acolhem
com aparente amabilidade. Após ser medicado, em meio a um en-
contro com os moradores em uma mansão, o filho de um casal de-
saparece e logo eles organizam uma equipe de busca com o Mons-
tro no auxílio.
Ao chegarem em uma mina abandonada e supostamente amaldiçoada
o Monstro desce sozinho a procura do garoto e lá encontra uma cri-
atura de imenso poder.

Crítica:
Em suas releituras, homenagens, atualizações e explorações de temas do horror clássico, era inevitável que o time artístico enveredasse pelo univer-
so de horror cósmico, insanidade e monstros disformes do gentleman de Providence, mais conhecido como H. P. Lovecraft.
O que chama a atenção neste número é o estranho clima surreal, a atmosfera
imprecisa e ao mesmo tempo demencial e um sense of wrongness digno do
melhor horror britânico.
Talvez seja o ponto alto desta primeira encarnação do Monstro.

Cotação: ***** de *****

sábado, 8 de setembro de 2007

Pequenos gigantes do cinema fantástico parte 7



Freddie Francis:

Este oscarizado diretor de fotografia começou a
deixar sua marca no cinema fantástico como diretor
no começo dos anos 60 com uma série de filmes
com orçamentos modestos para a Hammer, Amicus
e outros estúdios.
Para a Hammer, trabalhando como segundo diretor
(nos anos de ouro do estúdio Terence Fisher reinava
supremo), fez alguns thrillers e melodramas macabros
sensacionais como Paranoiac e Nightmare assim como
filmes de horror de qualidade variável. Na Amicus (es-
pécie de prima pobre da Hammer), trabalhando como
"diretor da casa" dirigiu alguns filmes-antologias memo-
ráveis como Torture Garden, Dr Terror`s House of
Horror
e Tales from the Crypt. Para outros estúdios fez
filmes geniais como a fantasia psico-sexual vitoriana The
Creeping Flesh
e uma elogiada FC baseada num livro do
Curt Siodmak. Ainda que tenha sido dirigido pelo Jack
Clayton, vale destacar seu extraordinário trabalho de foto-
grafia no filme Os Inocentes.
Muito mais um profissional da área que um cineasta autoral,
é sabido que o Francis nunca foi um admirador de filmes
de horror, mas seus filmes, mesmo em momentos menos
inspirados, demonstram profissionalismo e seriedade além
de serem visualmente extremamente agradáveis (seu trabalho
em The Skull, um dos seus melhores filmes, é especialmente
notável se levarmos em conta os parcos recursos que ele
tinha em mãos).
Freddie Francis, como diretor de cinema fantástico, dificil-
mente alcançará a aclamação de um Mario Bava, Jacques
Tourneur ou Kiyoshi Kurosawa, mas seus melhores filmes
são presença obrigatória em qualquer estante cinéfila que se
preze.

The Cars That Ate Paris (1974)



Direção: Peter Weir

Sinopse:
Em uma pequena cidade na Austrália rural,
motoristas são induzidos a acidentes auto-
mobilísticos pelos moradores e os sobrevi-
ventes são levados a um hospital psiquiátrico
local e lá são lobotomizados. Um dos sobre-
viventes, durante a recuperação, se envolve
com a família do prefeito e após uma fraca-
ssada estadia no hospital como funcionário,
é promovido como fiscal de estacionamento
com a obrigação de conter uma gangue de
rebeldes em quatro rodas que usa os destroços
dos carros acidentados como material de reci-
clagem para seus veículos exóticos. Em meio
a um baile de máscaras, após incêndio de um dos
veículos da gangue por um assistente a mando do
prefeito, os rebeldes executam uma sinistra vingan-
ça.




Crítica:
Esta fábula absurdista dirigida pelo australiano
Peter Weir serviu como (vaga) inspiração para
o ultra-cult Death Race 2000 dirigido pelo Paul
Bartel (é sabido que o Roger Corman, quando
da compra de TCTAP para exibição nos EUA
comentou en-passant com Bartel sobre a idéia
central do filme de Weir) e abriu caminho para
filmes igualmente cultuados como Mad Max.
Seria exagero afirmar que esta pérola sinaliza o
Weir de filmes como The Last Wave e O Show
de Truman, mas nele já notamos o maravilhoso
visualista que o diretor iria se tornar. Apesar de
ser visivelmente uma produção de baixo orça-
mento com algumas cenas de ultra violência e
bizarreries dignas dos melhores exploitations,
vemos também o talento do Weir (ainda que em
estágio semi-embrionário) desabrochando: seja
no belo uso das paisagens naturais australianas,
na paleta de cores de tons suaves ou em sua pu-
reza visual (por vezes lembrando vagamente a obra
prima Picnic na Montanha Misteriosa).
Talvez a principal falha de The Cars (o filme foi
um estrondoso fracasso de bilheteria) seja em sua
falta de foco e direcionamento: o diretor não se de-
cide entre a sátira social, comédia negra, horror e
faroeste contemporâneo; melhor seria encará-lo
como uma divertida colagem e homenagens que vão
do Pink Floyd, comerciais de cigarros aos filmes do
Sergio Leone.
The Cars That Ate Paris fica a anos-luz dos filmes pos-
teriores do diretor e poderá não agradar a fãs de filmes
como Galipolli e A Testemunha mas para os apreciadores
de cinema absurdista e avant garde é imperdível.
Uma autêntica curiosidade cinematográfica.

Cotação: **** de *****

Amphigorey-Resenha de HQ em inglês




Crítica:
Although AMPHIGOREY TOO and AMPHIGOREY ALSO are exceptionally
fine collections, AMPHIGOREY (the first in a series of four
handsome trade paperbacks collecting almost all Gorey's solo
works) is still the best introduction to the wonderfully demen-
ted world of the american cartoonist.
Here you'll find children facing death, strange creatures
disturbing the piece of families, a writer in crisis, a hungry
monster hunting innocent children etc.But remember, this is not
an ordinary book, it's not even a comic book, it's a Gorey book.
The Gashlycrumb Tinies, The Hapless Child, The Listing Attic and
The Fatal Lozenge are my personal favorites but each one is a po-
lished gem of delicate confection, intricate beauty and stunning
wordplay.
Simply wonderful.


Contents of Amphigorey and personal rates ( * to *****):

AMPHIGOREY:
The Unstrung Harp (1953) ========================= ****1/2
The Listing Attic (1954) ========================= *****
The Doubtful Guest (1957) ======================== ****1/2
The Object-Lesson (1958) ========================= ****
The Bug Book (1959) ============================== ***1/2
The Fatal Lozenge (1960) ========================= *****
The Hapless Child (1961) ========================= *****
The Curious Sofa (1961) ========================== ****1/2
The Willowdale Handcar (1962) ==================== ****1/2
The Gashlycrumb Tinies (1963) ==================== *****
The Insect God (1963) ============================ *****
The West Wing (1963) ============================= ***1/2
The Wuggly Ump (1963) ============================ ****1/2
The Sinking Spell (1964) ========================= ****1/2
The Remembered Visit (1965) ====================== ****

Swamp Thing V1 #7 - Resenha de HQ



Sinopse:

O Monstro chega em Gotham City e começa a ser perseguido
pela polícia e posteriormente pelo morcegão. Matt Cable, cap-
turado pelo conclave, é pressionado e após ser salvo pelo
Monstro, questiona as intenções da criatura para com ele e Abigail.

Crítica:
Este conto passado em um cenário urbano perde um pouco
do charme pois passa-se mais a impressão de um conto do Batman
que uma história do pantanoso. Mesmo não sendo um conto ruim
fica claro que o charme da revista se deve muito as influências
góticas totalmente deixadas de lado nesta e na edição anterior.

Cotação: *** de *****

sábado, 1 de setembro de 2007

Kuroneko (The Black Cat from the Grove, 1968)-Resenha de filme



Direção: Kaneto Shindo

Sinopse:
Vivendo em uma cabana isolada cercada por
um imenso bambuzal, duas mulheres são estu-
pradas e morrem queimadas após samurais
tocarem fogo na cabana. Retornando como es-
píritos, elas se vingam de toda a classe indu-
zindo vários samurais a uma mansão imaginária
para lá os assassinar. Ao retornar de uma sangren-
ta batalha, um jovem samurai se depara com as ruínas
de sua cabana onde moravam sua mãe e espo-
sa, ao mesmo tempo em que é convocado a exter-
minar a desconhecida maldição que aflige sua
classe, porém sem conhecer a verdadeira fonte do mal.


Crítica:
Antes de dirigir Kuroneko o Kaneto Shindo já tinha
assombrado o mundo com o brutal e belíssmo
Onibaba. Desta vez ele aposta numa proposta mais
explicitamente sobrenatural e cria uma obra de grande
beleza plástica e força poética. A repetição infin-
dável de cenas (com pequenas variações) foi notada
por alguns críticos como um aspecto negativo, mas a
meu ver só contribui para o lirismo e o ritmo quase en-
cantatório do filme. Outro aspecto digno de menção é
o contraste entre as sutis aparições dos espíritos (condu-
zidas com uma leveza e economia de efeito raras no
gênero) com as chocantes e violentas mortes dos samurais.
As atuações são excelentes e o senso de tragédia é inten-
sificado em particular nas cenas em que o jovem samurai,
sem saber que as duas mulheres são os espíritos vingativos
de sua mãe e filha, se apaixona pela jovem e ela acaba
por fazer um sacrifício em nome do amor sem revelar sua
verdadeira "identidade".
Kuroneko é uma obra artisticamente tão bem acabada que
se torna quase inútil mencionarmos a atmosférica fotografia,
o maravilhoso uso do widescreen, a maquiagem simples e
eficiente, o habilidoso uso do som e silêncio (atentem para a
a cena da batalha e como o silêncio pode provocar um efeito
desconcertante no espectador), as belíssimas coreografias
dos espíritos e a beleza econômica e minimalista da direção
do Shindo que sabe da importância do dito "menos é mais".
Kuroneko é cinema fantástico do mais alto nível artístico
possível e imaginável e qualquer cinéfilo com um pingo de res-
peito pela sétima arte deveria conhecê-lo.


Cotação: ***** de *****

The Travel Tales of Mr. Joseph Jorkens-Lord Dunsany-Resenha de livro



Crítica:
Se você recebe uma sugestão do seu editor para es-
crever um livro sobre suas viagens a lugares inóspi-
tos e exóticos, mas se sente desconfortável em colo-
cá-las no papel meramente como diários de viagem,
porque não disfarça-las como ficção? Temperá-las
com boa dose de imaginação e humor low-ley; orna-
mentá-las com floreios estilísticos, maneirismos vi-
torianos, poesia, pathos, beleza, melancolia e doses
cavalares de ambiguidade e colocá-las na boca de um
simpático bon-vivant-viajante-mentiroso-aventureiro-
contador de histórias, que está sempre pronto para soltar
a língua e a imaginação no Billiards Club desde que algum
membro do clube lhe ofereça uma boa dose de whisky
com soda para lhe "estimular a memória" e consequente-
mente oferecer aos seus companheiros alguns momentos
de prazer.
Não se espantem pelo silliness da concepção, não existe
nada de ordinário nos contos do Jorkens.
Escritos numa época em que muitos achavam que a carreira
do Dunsany como contista (após uma extraordinária ex-
plosão criativa no começo do século XX), havia encerrado,
eis que surge The Tale of the Abu Laheeb e com os contos
subsequentes ficava claro que ele tinha reencontrado o cami-
nho das pedras.
Um dos aspectos mais interessantes destes contos é seu cará-
ter ambíguo. Apesar das histórias serem fantasiosas e absur-
das ao extremo, não muito distantes daquelas do Barão de
Munchausen, elas exalam um estranho ar de "realismo" e
"plausibilidade" e no final o leitor nunca sabe em que ou em
quem acreditar, e aí reside seu fascínio e apelo. Ainda que
o Jorkens seja presença constante, sua verdadeira natureza
permanece, assim como suas aventuras, um enigma.
No intrigante The Tale of the Abu Laheeb (primeiro da série de
mais de 150 contos) Jorkens se depara com um estranho animal
que conhece o uso do fogo; Our Distant Cousins conta uma im-
provável aventura a Marte, The Electric King é um magistral con-
to de horror espiritual/existencial sobre um ambicioso magnata dos
dynamos que sofre uma espécie de colapso mental e seu pesadelo
toma forma de um rato gigante que o persegue nos quatro cantos
do mundo em meio a sua busca desesperada por paz espiritual; Mrs
Jorkens é uma adorável fantasia romântica em que ele se casa com
uma sereia(!!); The Witch in the Willows é uma magnífica parábola
sobre a dor da perda e a importância do cultivo do mistério em nossas
vidas; em A Large Diamond Jorkens caminha pela superfície de um
diamante gigante (!!) achando se tratar de uma superfície gelada;
em outro escapa da morte por afogamento em um rio de whisky (!!!); The King
of Saharab nos alerta sobre o perigo das ilusões, noutro conto uma circe
moderna numa ilha do mediterrâneo atormenta um jovem depois que ele
decide abandoná-la.
Com tantos contos magistrais escritos no começo do século, fica difí-
cil recomendar este livro como material introdutório +++, mas The Travel
Tales of Mr. Joseph Jorkens é um dos genuínos clássicos da weird fiction.


Cotação: ***** de *****

Swamp Thing V1 #6-Resenha de HQ



Argumento: Len Wein
Desenhos: Bernie Wrightson

Sinopse:
Após encontro com andróides/réplicas mecânicas
de si mesmo e de sua falecida esposa Linda, o
Monstro vai parar numa vila governada por um
relojoeiro e construtor de bonecos mecânicos ao
mesmo tempo em que a vila é invadida por uma horda
de robôs pertencentes a um misterioso conclave que
monitora, investiga e persegue o Monstro e Matt Cable
com o intuito de conseguir o segredo da fórmula bio-
restauradora. Um violento conflito entre os robôs do
conclave e os bonecos mecânicos do relojoeiro se de-
senrola e em meio ao barulho Cable e Abigail são seques-
trados por membros do conclave. Mais uma vez a interfe-
rência do Monstro em favor do relojoeiro se faz presente
e no final o monstro andarilho se vê em um vagão de trem
em direção a Gotham City.

Crítica:
O casamento entre fantasia e FC não é seamless e a nível de
plot nada de muito importante e substancial ocorre neste conto,
mas tem barulho, energia, e ação o suficiente para manter o inte-
resse do leitor; além do mais qualquer gibi que tenha um artista
tão visualmente intenso quanto o Wrightson merece uma conferida.

Cotação: **** de *****