sábado, 8 de setembro de 2007

The Cars That Ate Paris (1974)



Direção: Peter Weir

Sinopse:
Em uma pequena cidade na Austrália rural,
motoristas são induzidos a acidentes auto-
mobilísticos pelos moradores e os sobrevi-
ventes são levados a um hospital psiquiátrico
local e lá são lobotomizados. Um dos sobre-
viventes, durante a recuperação, se envolve
com a família do prefeito e após uma fraca-
ssada estadia no hospital como funcionário,
é promovido como fiscal de estacionamento
com a obrigação de conter uma gangue de
rebeldes em quatro rodas que usa os destroços
dos carros acidentados como material de reci-
clagem para seus veículos exóticos. Em meio
a um baile de máscaras, após incêndio de um dos
veículos da gangue por um assistente a mando do
prefeito, os rebeldes executam uma sinistra vingan-
ça.




Crítica:
Esta fábula absurdista dirigida pelo australiano
Peter Weir serviu como (vaga) inspiração para
o ultra-cult Death Race 2000 dirigido pelo Paul
Bartel (é sabido que o Roger Corman, quando
da compra de TCTAP para exibição nos EUA
comentou en-passant com Bartel sobre a idéia
central do filme de Weir) e abriu caminho para
filmes igualmente cultuados como Mad Max.
Seria exagero afirmar que esta pérola sinaliza o
Weir de filmes como The Last Wave e O Show
de Truman, mas nele já notamos o maravilhoso
visualista que o diretor iria se tornar. Apesar de
ser visivelmente uma produção de baixo orça-
mento com algumas cenas de ultra violência e
bizarreries dignas dos melhores exploitations,
vemos também o talento do Weir (ainda que em
estágio semi-embrionário) desabrochando: seja
no belo uso das paisagens naturais australianas,
na paleta de cores de tons suaves ou em sua pu-
reza visual (por vezes lembrando vagamente a obra
prima Picnic na Montanha Misteriosa).
Talvez a principal falha de The Cars (o filme foi
um estrondoso fracasso de bilheteria) seja em sua
falta de foco e direcionamento: o diretor não se de-
cide entre a sátira social, comédia negra, horror e
faroeste contemporâneo; melhor seria encará-lo
como uma divertida colagem e homenagens que vão
do Pink Floyd, comerciais de cigarros aos filmes do
Sergio Leone.
The Cars That Ate Paris fica a anos-luz dos filmes pos-
teriores do diretor e poderá não agradar a fãs de filmes
como Galipolli e A Testemunha mas para os apreciadores
de cinema absurdista e avant garde é imperdível.
Uma autêntica curiosidade cinematográfica.

Cotação: **** de *****

4 comentários:

Socorro B. disse...

Não sou muito fã de Peter Weir, mas esse filme, eu acho o máximo.
Assisti há muito, ainda em vhs. Não sei se fazendo uma revisão minha opinião mudaria...

Ramon Bacelar disse...

Eu gosto de quase tudo do Weir mas acho Sociedade dos Poetas Mortos um pouco superestimado.

Tinha baixas expectativas qto a The Cars mas acabei me surpreendendo.

socorro b. disse...

Sorry, esqueci de O Encanador. Esse é clássico na munha lista.

Ramon Bacelar disse...

Acho que é o único Weir que me falta assistir.