sábado, 17 de novembro de 2007

The Unseeable (2006) Direção: Wisit Sasanatieng-Resenha de filme




Sinopse:
Camponesa tailandesa grávida, à procura
do marido desaparecido, vai parar numa
espécie de hotel decrépito no meio do campo
comandado por uma viúva solitária que mora
em uma casa separada nos fundos.
Recebido por uma jovem, ela é apresentada
a uma soturna governanta que concorda em
hospedá-la por uma noite. Inquieta, curiosa
e desobedecendo aos avisos a camponesa
caminha pelas redondezas e se depara com
um homem cavando o chão. Fazendo rapi-
damente amizade com a jovem tagarela e
sendo constantemente reprimida pela go-
vernanta, ela acaba por dar a luz dentro do
hotel e a seu pedido concorda em visitar
a misteriosa e amargurada viúva com o intuito
de consolá-la com seu bebê. Inadvertidamente
ela começa a se envolver mais do que deveria
na sinistra teia de mistérios e segredos que 
rondam a viúva e o pensionato.




Crítica:
Quando assisti a Citzen Dog pela primeira vez
tive a sensação de ter tomado contato com um
diretor de uma visão peculiar, mesmo sabendo
e até concordando com algumas reclamações de
alguns cinéfilos que não gostaram nem um pouco
da semelhança de Citzen com Amélie Poulain.
O que eu não apostava era que o Wisit embarcaria
nas águas do horror gótico na linha de Os Outros
e Os Inocentes. Não só ele embarcou como se saiu
razoavelmente bem.
The Unseeable é um filme com muitos erros e acer-
tos e apesar de considerá-lo uma obra acima da
média tenho lá minhas dúvidas se o diretor fez um gol
chorado ou acertou na trave com um lance de bicicleta.
Algumas atuações me pareceram um tanto histéricas
e afetadas (em especial da jovem tagarela), talvez pela
sua predileção pelo absurdo e situações surreais de seus
filmes anteriores, ele não tenha encontrado um maior
equilíbrio num gênero que exige interpretações mais
controladas. Em algumas cenas o que era para ser
momentos de intensidade dramática (como em toda boa
ghost-love-story que se preze), descamba para a histeria
e histrionismo. Durante seus noventa minutos vemos
uma parada de fantasmas e aparições numa profusão
que acaba por diluir o impacto e efeito em alguns momentos.
Faltam aos sustos e intrusões sobrenaturais a sutileza e le-
veza de um Hideao Nakaka ou Takashi Shimizu ou a obliqui-
dade de um Kiyoshi Kurosawa. Sustos e aparições são tele-
grafadas e acabam por não produzir o efeito esperado (tendo
visto o fantástico Shutter anteriormente pode ter contribui-
do para minha decepção neste aspecto).
Talvez o maior defeito seja justamente esses excessos sobre-
naturais e, mais importante,  a maneira como eles são condu-
zido e/ou manipulados: há uma "objetividade" em The
Unseeable pouco saudável. Objetividade esta que as vezes
passa a impressão de serem "intrusões" não-sobrenaturais, de
não haver um "choque" entre o real e o irreal.
Mas seria injusto não comentarmos suas (muitas) qualidades.
The Unseeable é riquissimo em creepiness e atmosfera e não
se pode negar que o Wisit é um puta dum artesão de imagens,
cada tomada têm a beleza de um cartão postal, e o background
sonoro é em sua maior parte bastante eficiente. A belísssima
paleta de cores de tons predominantemente esverdeados
acaba por dialogar cinematicamente com a paisagem mas
também funcionando como um símbolo para decadência
e putrefação.
The Unseeable está longe de ser um filme perfeito, mas é bom
vermos diretores seguindo a cartilha do gótico clássico numa
época em que a previsibilidade e mesmice do cinema de horror
oriental atinge niveis insuportáveis.

Cotação: ***1/2  de  *****

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