sábado, 8 de dezembro de 2007

The Overworld (1966)-Jack Vance-Resenha de conto





Sinopse:
Comerciante falido e aventureiro trapaceiro cha-
mado Cugel, após ouvir uma tentadora proposta de
um colega de trabalho, resolve roubar o isolado cas-
telo do temido mago Iucounu, mas acaba se perden-
do num labirinto de vidro pouco antes de abandonar
a moradia do mago, e acaba por ser descoberto pelo
próprio retornando da feira onde Cugel vendia seus
falsos talismãs.
Como punição o mago promete enviar o trapaceiro
para os recônditos do inferno a não ser que ele acei-
te a proposta de viajar por meios mágicos para o
mundo de Cutz e recuperar uma esfera mágica perdi-
da durante uma guerra ancestral com o poder de pos-
sibiltar ao usuário "visualizar" uma espécie de mundo
espiritual ou dimensão superior onde a realidade obje-
tiva é descortinada e consequentemente o Overworld
revelado. Como "garantia" de lealdade a missão, Iu-
counu coloca por meios mágicos ao lado do fígado de
Cugel uma criatura-vigia espinhuda e ganchuda pronta
para causar danos no trapaceiro.
No teto da excêntrica morada do mago, Cugel é "con-
vencido" pelo próprio a entrar em uma gaiola-transporte
e após uma invocação, ele e sua criatura-vigia são
arremessados e rebocados por um demônio alado em
direção ao norte afim de cumprir sua missão e pagar o
seu débito com Iucounu.


Crítica:
Não se deixem enganar pela sinopse um tanto comum e formu-
laica de Overworld. Em Vance o enredo é apenas um prop ou
manequim para sustentação de infindável invenção, ornamentos,
arcaísmos, barroquismos e experimentações linguísticas que vão
de palavras inventadas ou ultra-obscuras (não leiam o Vance sem um
bom dicionário na mão) a diálogos indiretos de uma inventividade
e refinamento incomuns na fantasia e FC.
Nesta primeira aventura de Cugel (na verdade o episódio ini-
cial do segundo livro da série Dying Earth: The Eyes of the
Overworld
) nota-se uma mudança radical no tom em relação
ao primeiro romance da série (The Dying Earth aka Mazirian
the Magician
). Com a introdução de um trapaceiro amoral as
aventuras se tornam mais picarescas, movimentadas e (infeliz-
mente) menos poéticas e melancólicas. Se no primeiro livro
Vance evocava fantasistas clássicos como o Lord Dunsany
e o Clark Ashton Smith, aqui, pelo humor sardônico, diálogos
sarcásticos e tom geral de farsa as aventuras lembram positi-
vamente a genial Sword & Sorcery Fahfrd and the Grey
Mouser
do Fritz Leiber.
Não é a toa que Cugel é o personagem mais popular do Van-
ce dentre os leitores. Apesar de ser um trapaceiro amoral pou-
quíssimo confiável, é também um trapalhão carismático.
The Overworld pode não ser dos trabalhos mais substanciais
do Vance mas é certamente um dos mais criativos, coloridos e
com um personagem realmente memorável.

Cotação: ****1/2 de *****

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