segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Sorum (2001)-Resenha de filme


Direção: Jong-chan Yun

Sinopse:
Jovem motorista de táxi com uma
fixação por Bruce Lee se muda para
um soturno e decrépito edifício
marcado por tragédias e mortes mis-
teriosas. Tomando contato com os
moradores e envolvendo-se afe-
tivamente com uma mulher casada
que lhe relata uma morte ocorrida em
seu apartamento recentemente, acaba
por descobrir uma sinistra cadeia de
eventos e (outras) mortes ocorridas
antes da sua chegada que podem ter
alguma conexão com seu passado.





Crítica:
Ingmar Bergman meets David Lynch
meets Kiyoshi Kurosawa. Da leva do
horror oriental pós O Chamado, Acacia
e Sorum são, a meu ver, os filmes mais
injustiçados desse boom. Amado e odia-
do mais ou menos na mesma proporção
e com a mesma intensidade, esta pequena
obra prima do horror psicológico têm con-
fundido e maravilhado cinéfilos dentro e
fora do gênero. Estranho e soturno demais
para ser engolido pela maioria do público
mainstream; literato, sensível, profundo e
oblíquo em excesso para se adequar com
conforto no cinema de gênero, Sorum é um
pássaro raro, e como consequência acabou
adquirindo o status de cult, apesar de ser um
filme relativamente novo.
Concordo com algumas críticas: ritmo lento,
humor (as vezes) forçado, excessivamente frag-
mentado; mas Sorum não é, a nível de enredo,
um filme incompreensível, pelo menos no que
diz respeito aos seus principais segredos.
Por vezes confuso, é verdade, mas seria mais
correto classificá-lo como complexo.
Não tentem entender tudo numa primeira assistida.
Para ser devidamente apreciado vejam pelo menos
duas vezes e só depois formem uma opinião (não
me veio como surpresa que a maioria das críticas
"sem noção" tenham partido de gorehounds).
O diretor Jong-chan Yun entende do riscado e sabe onde
está pisando. Sorum é um filme rico em emoções com
creepiness e atmosfera saindo pelos poros, têm ótima
direção de atores, enquadramentos estilosos e uma
bela fotografia. Mesmo aqueles não muito interessados
em abordagens mais intelectuais e oblíquas do cinema
de entretenimento, dificilmente negarão a qualidade téc-
nica deste filme sui-generis.

Cotação: ****1/2  de  *****

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