sábado, 23 de fevereiro de 2008

The Abominations of Yondo (1926)-Clark Ashton Smith-Resenha de Conto


 
Sinopse:
Após ser castigado e torturado por heresias
por uma estranha casta chamada Os Inqui-
sidores de Ong, andarilho é abandonado em
uma floresta de cacto e vai parar no inóspito
e desolado deserto de Yondo. Fatigado e
ainda sofrendo os efeitos das torturas, fugindo
de criaturas inomináveis e vagando em direção
a desertos menos inóspitos ao norte, mal sabe
ele dos perigos e abominação final que o espera.

Crítica:
Ainda que o autor tenha escrito magníficos
poemas em prosa no começo dos anos 20,
Yondo marca o início da carreira do CAS
como contista. Inicialmente levado aos
contos por motivos puramente financeiros,
(assim como pelo incentivo de uma amiga
e o encorajamento de um jovem Lovecraft)
Smith declararia mais tarde que a ficção lhe
proporcionaria prazeres e satisfações não
encontradas na poesia.
Não foi um começo tímido; o primeiro pa-
rágrafo de Yondo soa como um trovão e
mostra ao leitor o poder de fogo de sua
prosa:

The sand of the desert of Yondo is not as the sand of other deserts; for Yondo lies nearest of all to the world's rim; and strange winds, blowing from a pit no astronomer may hope to fathom, have sown its ruinous fields with the gray dust of corroding planets, the black ashes of extinguished suns. The dark, orblike mountains which rise from its wrinkled and pitted plain are not all its own, for some are fallen asteroids half-buried in that abysmal sand. Things have crept in from nether space, whose incursion is forbid by the gods of all proper and well-ordered lands; but there are no such gods in Yondo, where live the hoary genii of stars abolished and decrepit demons left homeless by the destruction of antiquated hells.

KABRROOOOOOOOOMMMM!

Recomposto leitor?
Yondo é uma pequena obra prima da at-
mosfera e sense of place, do estranhamento,
alienness e awe; as intrusões do estranho e
ameaçador são narradas com grande verve
poética e a sua descrição dos vestígios de um
pôr do sol misturando-se ao pó de ruínas de
construções abandonadas e vapores mismá-
ticos de abismos imensuráveis são de uma for-
ça e beleza indescritíveis.
O final, inquietante e pertubador, é de gelar o
sangue.
Clark Ashton Smith não é um escritor, é um Milagre.

Cotação: *****   de   *****

5 comentários:

Lord of Erewhon disse...

Seu gosto é refinado! - Clark Ashton Smith é um dos meus preferidos desse período, junto com Lovecraft, Robert Bloch e Belknap Long.

Ramon Bacelar disse...

Smith é um gênio da estatura do Lovecraft.

Luiz Poleto disse...

Realmente este conto é excelente. E só o descobri graças ao seu bolg. Obrigado! :)

Ramon Bacelar disse...

Bom saber que o blog tem alcançado seus objetivos.
Obrigado!!!

Ramon Bacelar

Luiz Poleto disse...

Reencontrei e reli este post, e até hoje lembro do desfecho: "Clark Ashton Smith não é um escritor, é um Milagre". É a melhor forma de descrever CAS.