domingo, 8 de junho de 2008

The Hollow of the Three Hills/The Man of Adamant/Wakefield-Nathaniel Hawthorne-Resenhas de contos




The Hollow of the Three Hills

Sinopse:
Mulher adúltera com sentimento de culpa,
contrata os serviços de uma bruxa para lhe
revelar a atual condição dos parentes
que ela envergonhou.


Crítica:
Interessante notar que em um dos primeiros
contos publicados pelo autor já se percebe
em estágio embrionário temas, elementos e
obsessões que iriam assombrar sua obra
por vinte anos: culpa, pecado, redenção,
intolerância etc.Também fica claro o consu-
mado estilista que é, principalmente no que diz res-
peito a pinturas verbais e impressões paisagís-
ticas.
Uma baita duma alegoria moral que funciona igualmente
como puro horror, graças ao final chocante e pertubador.

Cotação: ***** de *****



The Man of Adamant

Sinopse:
Fanático religioso se isola da humanidade
e passa a morar em uma caverna no meio
de uma floresta. Ao receber a visita de uma en-
tidade religiosa incorpórea que lhe pede que
retorne ao convívio social, ele se rebela e se
torna ainda mais amargo e isolado. Recu-
sando-se a sair da caverna para matar a sede
em uma fonte de água fresca, sem medir con-
sequências, recorre ao líquido da caverna
que contém uma substância calcificadora.


Crítica:
Fábulas, parábolas ou qualquer tipo de obra
com aspectos didáticos, doutrinários
ou que tenha sido escrita com o intuito primá-
rio de "passar uma mensagem" nunca foram
meu cup of tea. É verdade que o Hawthorne
se especializou neste tipo de escrita, também é
verdade que seu estilo nem sempre se mostra
palatável ao leitor "moderno" e que seu ponto de
vista puritano, em alguns casos, soa totalmente
ultrapassado. Dito tudo isto, ainda assim o
considero um dos gênios incontestes do conto
e da fábula fantástica. Nenhum autor fantástico
foi tão fundo e com tamanha delicadeza na
nos mistérios e labirintos da condição humana
quanto o Hawthorne.
The Man of Adamant é uma fábula repleta de be-
leza e simbolismo: da caverna simbolizando o
"coração de adamante", a fonte de água límpida;
da aparição da entidade religiosa (narrada com uma
maravilhosa economia de efeito) a extraordinária cena
final, tudo é beleza e bom gosto.
Poético e delicado mas ao mesmo tempo profundo e
pertubador, The Man of Adamant é um dos mais inci-
sivos retratos sobre fanatismo e solidão já escritos.


Cotação: ***** de *****




Wakefield

Sinopse:
Cidadão de meia idade ausenta-se de
sua casa sob o pretexto de passar poucos
dias no campo e acaba por desaparecer
por vinte anos. Mal sabem os parentes e
amigos que na verdade ele continua
morando em um apartamento contíguo
a sua antiga rua e passa, disfarçado, a frente
da sua antiga casa diariamente.


Crítica:
Em um famoso ensaio sobre o trabalho do
Nathaniel Hawthorne, o escritor e poeta argen-
tino Jorge Luis Borges nos aponta a semelhan-
ça de Wakefield com as obras do escritor eu-
ropeu Franz Kafka. De fato qualquer um que
tenha lido qualquer obra mais conhecida do
mestre do absurdo reconhecerá em Wakefield
elementos puramente Kafkeanos: isolamento,
distanciamento, inquietações existenciais etc.
Wakefield se sente compelido a agir de uma
maneira pouco ortodoxa mas, no fundo, não
sabe o porquê; sua nova morada não lhe traz
prazer nem conforto; ama a sua mulher ao
mesmo tempo em que se distancia dela e dos
seus parentes; faz e não sabe o porque.
Em sua exposição dos efeitos e consequências
do isolamento físico e espiritual , da capacidade
humana para o mal e, principalmente, da natureza
essencialmente misteriosa da alma humana,
Wakefield é uma belíssima e pertubadora fábula sobre
a condição humana, das melhores que a literatura
já produziu.

Cotação: ***** de *****

4 comentários:

Anônimo disse...

Querido Ramon,
o blog está uma beleza, suas indicações são impagáveis.
Eu tenho vindo muito aqui, em silêncio; mas quando vi Nathaniel Hawthorne, tive que me pronunciar porque ele é essencial para mim. Quando mais vivo e amadureço, mais ele me apaixona.

Um abraço.

livia soares disse...

O comentário aí de cima é meu.

Lívia Soares

Ramon Bacelar disse...

Oi,

É uma pena que o Hawthorne hoje não tenha o mesmo reconhecimento e nem seja tão lido
quanto o Poe, Stoker etc.
Nunca vou esquecer da maravilhosa satisfação que senti quando li A Filha de Rapaccini pela primeira vez.

Abraço
Ramon Bacelar

bernard n. shull disse...

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