segunda-feira, 2 de junho de 2008

Polly Charms, The Sleeping Woman (1974) Avram Davidson- resenha de conto





Sinopse:
Numa espécie de universo ou
realidade alternativa semelhante a
Europa do século 19, em uma loca-
lidade conhecida como Monarquia Triuna
Scythia-Pannonia-Transbalkania,
um estranho show envolvendo uma
jovem adormecida há mais de trinta
anos desperta a atenção de um comissá-
rio de polícia e do renomado,
polivalente e pau-pra-toda-obra
Doutor Eszterhazy.

Crítica:
Nesta delirante fantasia Steampunk
(primeiro conto de uma série que
narra as aventuras do Doutor num
maravilhoso universo alternativo se-
lhante a inglaterra vitoriana)
Davidson usa sua metralhadora verbal,
finura estilística e imaginação surreal na
criação de um mundo estranho e fasci-
nante.
Nas primeiras páginas fui diretamente arre-
metido ao universo do Lord Dunsany,
não pelos temas e conteúdo e sim
pelas suas qualidades poéticas e descritivas.
Davidson é um daqueles artesões literá-
rios que fazem cada palavra valer a pena.
Ainda que o enredo seja interessante o
suficiente para manter-nos grudados nas
páginas, o encanto do conto está nos deli-
ciosos detalhes do mundo e seus excêntricos
habitantes: a ponte que corta Bella (capital da
monarquia), supostamente projetada pelo
Leonardo Da Vinci; o misterioso poeta que nela
tirou a própria vida por causa de um amor
não correspondido; os charmes e indiossin-
cracias dos habitantes de Bella; a misteriosa
"bela adormecida".... mas nada disso teria vida
não fosse a destreza linguística e forte imagética
do autor (as pinturas verbais, especialmente a
descrição da misteriosa Polly Charms, estão entre
as mais bonitas que já tive oportunidade de ler; poe-
sia em prosa de alto calibre).
A conclusão é enigmática e belíssima.
Depois de meia dúzia de contos lidos já dá para
colocar o Davidson naquela seleta galeria dos gênios
miniaturistas, lá em cima, no primiero patamar fazendo
companhia com o Gene Wolfe, Bradbury, Dunsany,
Ligotti, Ballard, Lovecraft, C. A. Smith, Sheckley,
R.A. Lafferty, Steven Millhauser e mais uma meia dúzia
de gatos pingados.
Um conto para ficar na memória.

Cotação: ***** de *****

Nenhum comentário: