sábado, 16 de agosto de 2008

The Town Where No One Got Off-Ray Bradbury-Resenha de Conto



Sinopse:
Vendedor desembarca de um trem em um
vilarejo isolado e aparentemente inóspito
com o intuito de sair de sua monótona
rotina de viajante. Em suas andanças pela
cidade ele encontra o idoso que o recebeu
no desembarque e trava um diálogo
sobre a natureza do bem e do mal e a
possibilidade de um crime perfeito.


Crítica:
Ray Bradbury pode ser mais conhecido
como um autor de fantasias poéticas,
sentimentais e as vezes açucaradas, e pelos
romances As Crônicas Marcianas (na verdade
um romance mosaico que pode ser lido também
como contos independentes) e Fareinheith 451
(leitura obrigatória nas universidades americanas),
mas uma leitura mais abrangente de sua obra reve-
la um autor de extraordinária versatilidade. Do conto
autobiográfico a humor irlandês, realismo mágico,
humor negro, contos realistas, mistério, crime,
horror psicológico... os anos 40 e 50
foram décadas de incessante produção, criatividade
e experimentação e se nas décadas subsequentes pou-
co houve em renovação temática e estilística, Bradbury,
aquela altura, já tinha deixado sua marca na literatura
americana.
The Town pode ser classificado como um conto de
suspense psicológico (foi publicado na Ellery Queen
Mystery Magazine) mas com o característico "toque
mágico" do autor. Sim, aqui estão seus personagens
perdidos e solitários sufocados pela rotina e isolamento
espiritual, as paisagens inóspitas e desérticas que
parecem refletir o vazio e carência emocional de indiví-
duos patéticos que não passam de zumbis, sacos de ossos.
"Voce já odiou alguém?", pergunta o velho ao viajante e
a partir daí se trava um duelo psicológico cujo desfecho
é tão inesperado quanto apropriado.
The Town é um conto memorável.

Cotação: ****1/2 de *****

The Push Man and Other Stories-Resenha de HQ


Argumento e desenhos: Yoshihiro Tatsumi

Sinopse:
Coleção de contos sobre pessoas comuns
envolvidas em situações inusitadas e bizarras.



Crítica:
Yoshihiro Tatsumi é um dos criadores dos
comix underground japoneses. Interessante
saber que na época (final dos anos 60) o au-
tor desconhecia o movimento na américa
e como consequência seus contos gráficos
acabaram por se tornar meio que
"passáros raros" no mundo dos comics. Apesar
de serem definitivamente underground, estão
a anos luz de distância dos americanos em
matéria de temas, estilo e approach. Aqui
você não vai encontrar aquela energia
frenética, experimentalismo desenfreado e
"surrealismo involuntário" dos americanos, nem
aquele anarquismo maníaco que parece berrar nas
entrelinhas "vou-chutar-o-pau-da-barraca-e-que-se-fodam
os-conservadores. Tatsumi é mais um existencialista
clássico, uma espécie de "anarquista espiritual".
Suas HQ's estão mais próximas da literatura
existencialista e cinema underground
que das HQ's (não consegui encontrar nada remotamente
semelhante produzido nos comics na mesma época).
Se você conseguir imaginar uma fusão entre o existencialis-
mo clássico, a crueza e realismo social do cineasta Koji
Wakamatsu (sem o extremismo e ultra-violência do mesmo),
com a distorção espiritual, patologias emocionais e aberrações
psicológicas de escritores como o Edgar Allan Poe, Edogawa
Rampo ou cineastas na linha do Yasuzo Masumura, você terá
uma idéia do universo ficcional do Tatsumi.
Em Piranha, conto que abre a coleção, um operário se acidenta
propositalmente para conseguir o seguro que supostamente lhe daria
uma melhor qualidade de vida; noutro um mecânico tímido e mar-
ginalizado pelos colegas se apaixona por uma apresentadora de  
um programa erótico mas têm uma grande decepção ao encontrá-la
pessoalmente em sua oficina; no brilhante Test-Tube um jovem
cientista doador de esperma se apaixona pela receptora, mas ...;
My Hitler faz um arrepiante paralelo entre homens e ratos e
esgoto e sociedade. Os contos do Tatsumi são assim mesmo:
simples e bizarros em sua superfície, filosóficos e profunda-
mente humanos nas entrelinhas.

Cotação: *****  de  *****

Hellboy: The Troll Witch and Others-Resenha de HQ




Sinopse:
Coletânea de diversos contos gráficos publicados
separadamente como minisséries e em revistas
da editora Dark Horse.


Crítica:
Na primeira metade do novo milênio Migno-
la toma a infeliz decisão de afastar o Hellboy
do B.P.R.D.. A meu ver parte do charme
da revista era justamente aquela mistura úni-
ca de horror lovecrafteano, ciência bizarra,
pancadaria hard-boiled e heroísmo.
Minisséries como Sementes da Destriuição
e O Verme Vencedor são clássicos eternos
de ameaça cósmica e delírio gótico. Parale-
lamente a estes épicos, Mignola nos brindava
com maravilhosos "contos folclóricos
bizarros" com atmosfera e lirismo funéreo
emanando pelos poros.
Não me veio como surpresa que os me-
lhores contos desta coleção irregular são
justamente aqueles desenhados e escritos
pelo Mignola explorando as duas vertentes.
O livro abre com The Penanggalan e The
Hydra and the Lion, duas obras menores
cujo maior atrativo é a sempre bonita arte
do Mignola. The Troll Witch não só é dis-
parado o melhor conto da coleção como
uma das melhores coisas já produzidas
para a série; um conto transbordante
de beleza, horror e pathos. The Vampire
of Prague, desenhado pelo P. Craig Russel
e produzido especialmente para esta edição,
é um conto bobo que não acrescenta absolu-
tamente nada e me passa a impressão de ser
mera encheção de linguiça. The Ghoul têm
belos desenhos mas não me impressionou.
Dr. Carp's Experiment têm todos os ingre-
dientes que tornaram Hellboy um clássico
e é o melhor conto depois de Troll Witch.
Makoma é uma interessante
releitura de um conto folclórico africano
enriquecido pelo vermelhão no papel de uma
figura messiânica "matador"de gigantes e pe-
lo traço idiossincrático do lendário ilustrador
Richard Corben.
Mesmo sendo um livro irregular com muitos
altos e baixos The Troll Witch and Others
é uma leitura agradável e certamente vale
a pena ser aquirido por aqueles que
já conhecem o gibi.

Cotação: ***1/2   de    *****

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mr. Fox and Other Feral Tales-Resenha de livro



The invisibility of Norman Partridge among fans of horror and dark fiction is difficult to understand. He is the most underrrated writer of the 90's and the most original voice since Thomas Ligotti.
Partridge's fiction is often compared to that of Joe Lansdale.They share a love of drive-in movies, old west mythology and similar stuff, but when comes to approach and style they are poles apart and in my opinion his short stories are superior to that of Lansdale.
Partridge's prose is richly textured and the facility with which he blends genres and handle different styles borders on the scary.
The quality of Partridge's short fiction is remarkable high and even his lesser pieces are far superior to the majority of dark fiction being published today.
The expanded MR FOX AND OTHER FERAL TALES isn't Partridge's best collection (Bad Intentions and The Man With the Barbed-Wire Fists are slightly superior) but it displays his immense range: from weird dark suspense (The Entourage) to subtle ghost stories (Vessels, Sandprints), delightful juveniles (Velvet Fangs), weird western (!Cuidado!), pop culture and media (The Beauty, Like the Night, Save the Last Dance for Me) and unclassifiable pieces ( Mr Fox). I could go on and on...
For those who apreciate literate dark fiction Partridge is the writer.


MR FOX AND OTHER FERAL TALES:

Mr Fox ==================================== *****
The Baddest Son of a Bitch in the House === ****
Black Leather Kites =======================
Save the Last Dance For Me ================ ****
Sandprint ================================= ****
Vessels =================================== ****
In Beauty, Like the Night ================= *****
The Body Bags =============================
Cosmos ==================================== **
Stackalee ================================= ****
Tooth & Nail ============================== ****1/2
The Entourage ============================= ****
Kiss of Death ============================= **
Treats ==================================== ****
Velvet Fangs ============================== ****
!Cuidado! ================================= ****1/2
When the Fruit Comes Ripe ================= **1/2
Walkers =================================== **
The Season of Giving ====================== *****

Teeth-Stephan Dedman-Resenha de conto



Sinopse:
Negociante de objetos de arte
e memorabília ilegal tenta ven-
der a um produtor de
Hollywood dois mini caixões
de ébano contendo os dentes
de Edgar Allan Poe e de sua
mãe. Enfurecido por dúvidas
quanto a origem dos dentes e
pela postura um tanto petulante do
negociante ele planeja uma vingança
a altura da arrogância do negociante.


Crítica:
Humor negro-sardônico na linha do
Robert Bloch e Roald Dahl, tempe-
rado por deliciosas referências literá-
rias e históricas é o que nos oferece o
veterano australiano Stephan Dedman.
Interessante notar que o autor, ao lon-
go do conto, retrata o produtor como
uma pessoa tão canalha e inescrupulosa
quanto o negociante. Sua admiração pelo
Allan Poe diz muito mais a respeito a mís-
tica e mitos em torno de sua imagem que
aos seus escritos.
Entretenimento erudito e engenhoso embalado
em prosa urbana, direta e elegante.
Uma pequena pérola.



Cotação: **** de *****

The Earth Around His Bones-George Zebrowski-Resenha de Conto



Sinopse:
Pertubado por vozes e lamentos
durante o sono, zelador idoso
de um cemitério passa a descon-
fiar que os sons podem estar
vindo de uma cova próxima a sua
cabine.


Crítica:

Simplista como parece ser (culpa deste
blogueiro metido a besta que se mete a
resumir vinhetas) este micro-conto
do filosófico Zebrowski têm mais subs-
tância intelectual em 2 páginas que muito
romance de 500.
Utilizando a imagética do horror gótico
(covas, cemitérios) o autor trata da rela-
ção entre corpo/carne e mente/cérebro.
No conto, o defunto, através do sono do
zelador, relata sua morte na adolescência
e lamenta não ter tido tempo para uma
maior maturidade intelectual. O zelador,
profundamente pertubado pelas conclu-
ões que chega após ouvir as vozes,
é atormentado por anos pelas vozes que,
devido sua idade avançada, já não se têm
certeza não ser um produto da sua mente.
Poderia a mente sobreviver após a deca-
dência da carne? Seríamos criaturas menos
erráticas e contraditórias caso nosso tempo
de vida fosse alongado possibilitando
assim maior tempo para o desenvolvimento
da mente e de nossas capacidades intelec-
tuais?
Só não leva nota máxima pois lhe falta
no parágrafo final o impacto que o formato
necessita.

Cotação: **** de *****