sábado, 20 de setembro de 2008

Abaixo o Imprevisto!-Resenha de HQ

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Argumento e desenhos: Boucq

Sinopse:
Coletânea de contos gráficos sobre
um vendedor de seguros chamado Jerome
Moucherot e suas aventuras na selva urbana
em busca de novos clientes.

Crítica:
De simples e direto no trabalho do Boucq
só a minha tentativa de resumo na sinopse.
Atualmente um dos mestres do conto curto
gráfico, sua série Jerome Moucherot (assim como
outros contos reunidos no álbum Pioneers
of the Human Adventure) é uma deliciosa
mistura de surrealismo, non sense, absurdismo,
alegoria, crítica social, intelectualismo e
um senso de humor tipicamente francês.
Boucq não economiza na imagética extravagante
e bizarra: veículos com "cascos" de fuscas e
patas de tartarugas (ou seria o oposto?), bordéis
em meio a selvas urbanas habitados por prostitutas
tendo como moradas bocas de hipopótamos;
rinocerontes com chifres em forma de falo;
folhas outonais conscientes filosofando sobre sua
natureza transitória...
O que poderia soar como um surrealismo agressivo
e escatológico é amenizado pela carismática figura
de Moucherot vestido em um terno de pele de tigre
e uma caneta trespassada no nariz como um canibal
e também pelo constante senso de humor.
Sempre com ótimas sacadas e uma criatividade que
parece não ter limites, Moucherout é uma pérola do
humor, crítica e nonsense. Altamente recomendado.


Cotação: ***** de *****

Violated Angels (1967)-Resenha de Filme

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Direção: Koji Wakamatsu

Sinopse:
Homem mentalmente pertubado
adentra um dormitório de enfer-
meiras a convite de uma delas,
assassina um casal de lésbicas
e promove uma sessão de tor-
turas físicas e psicológicas an-
tes de assassiná-las.
Prevendo futuros homicídios
uma das enfermeiras tenta inti-
midá-lo por meio do diálogo
mas o ato têm um efeito oposto.

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Crítica:
Baseado em um fato real ocorrido em
Chicago nos anos 60, Violated Angels
acabou por se tornar o filme mais co-
nhecido do diretor no ocidente.
Wakamatsu não é um artista lá muito
fácil. Seus filmes incomodam não apenas
pelo alto grau de violência e perversidade
mas principalmente pela maneira como o
diretor disseca as mentes de seus monstros
psicopáticos e (nem sempre) vítimas indefesas, sejam
elas prostitutas, executivos ou cidadões comuns.
Mais que simples sangue, ultra-violência e nudez
(em quantidades generosas diga-se de passa-
gem) seus filmes são acima de tudo densas
explorações psicológicas de mentes pertubadas,
character studies cujo approach e plano de
ataque fica entre o puro exploitation e o
avant-garde, o cru e o sutil, o real e o metafórico,
o sagrado e o profano; em seus filmes high brow
e low brow andam de mãos dadas, convivem
harmoniosamente mas por vezes deixam escapar
aquele risinho irônico e sardônico, aquela sugestão
de uma guerra secreta sendo travada pela supre-
macia.
Violated Angels é um filme incômodo e perverso
(ainda que não alcance os mesmos extremos de sadis-
mo psicopático de The Embryo Hunts in Secret),
daqueles que despertam no espectador um estranho
mix de repulsa e atração (tive a mesma sensação
ao assistir O Desperrtar da Besta do nosso Mojica)
e ao final tive a sensação de assistir a mais um Wakamatsu
vintage, mesmo não tendo o mesmo "peso" e substância
de filmes superiores como Go Go Second Time Virgin
(em minha opinião sua obra prima), Ecstasy of the Angels,
Shinjuki Mad (meu segundo preferido e já resenhado aqui)
e o já citado Embryo.


Cotação: ****1/2 de *****

The Miracle Workers-Jack Vance-Resenha de romance curto

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Crítica:
Neste romance curto Vance vira os clichês da fantasia
e FC de ponta a cabeça e nos mostra uma sociedade
medieval com um passado tecnológico onde fortalezas
rivais se degladiam em uma espécie de guerra-voodoo
comandadas por "feiticeiros" que praticam uma espécie
de "magia racional". O twist fica por conta da abordagem
onde a mágica é considerada racional e a ciência, quase
esquecida, confinada a um passado que seria o equiva-
lente a nossa idade das trevas. Vance é sempre genial.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 13 de setembro de 2008

A Serpente (1966)-Resenha de Filme

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Direção: John Gilling

Sinopse:
Rapaz morto por uma estranha criatura
na mansão de um doutor em teologia,
deixa em seu testamento sua casa (em
frente a mansão) para o seu irmão, que
logo se muda para a nova morada com
sua esposa.
Excecrado pelos frequentadores de um pub
na sua chegada, tendo sua casa depredada
e não inteiramente convencido dos moti-
vos da morte do seu irmão, resolve investi-
gar as causas desta e outras mortes mis-
teriosas no vilarejo, ao mesmo tempo em que
toma contato com a enigmática e misteriosa
filha do doutor.

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Crítica:

OK, eu sei que o que eu vou dizer é meio paradoxal e
não faz lá muito sentido, mas não tenho como colocar
de outra maneira: os filmes do estúdio inglês Hammer,
em sua grande maioria, não me causam nenhum medo
e inquietação, mas por algum motivo que não sei
explicar, eles me provocam um fascínio e maravilha-
mento que são únicos. John Gilliam é um dos mais profi-
ssionais e competentes diretores do cinema fantástico dos
anos 60, mas infelizmente teve o azar de filmar numa época
em que a concorrência era braba. Competir com um Mario
Bava ou Terence Fisher (seu companheiro de estúdio) não
tinha a menor graça e consequentemente obras sensacionais
como Epidemia de Zumbis, A Sombra do Gato e este A Ser-
pente acabaram por ficar  menos conhecidas como
mereciam; Gilliam foi ofuscado.
Talvez menos preciso que o Terence Fisher, mas com um estilo
mais fluido e de maior densidade atmosférica, em certos momentos
esta obra alcança uma intensidade quase hipnótica e alucinatória;
infelizmente a maquiagem um tanto fake acaba por vezes por di-
ssipar um pouco do efeito, mas não prejudica significantemente
o produto final.
A Serpente é puro Hammer e é um dos filmes que primeiro
me vem a mente (além dos primeiros clássicos do Lee/Cushing/
Fisher é claro) quando alguém me pede indicações.
Envolvente, movimentado, belamente fotografado e
com deliciosos momentos de bizarrerie e grotesquerie,
A Serpente é uma maravilha de cinema fantástico.
Hammer vintage.


Cotação: ****1/2  de  *****

Jumper-George Zebrowski-Resenha de Conto

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Sinopse:
Psicólogo recebe uma paciente
que afirma acordar em um lugar
diferente onde originalmente
adormeceu. Achando se tratar
de um típico caso de sonam-
bulismo, oferece um tratamento
prolongado mas intriga-se com
a relutância da paciente em admitir
problemas com o sono. Disposta a
provar se tratar de um caso de
desmaterialização, propõe ao
psicólogo que a acompanhe durante o
sono por uma noite, proposta esta
que ele recusa temendo abalar sua
reputação. Envolvido afetivamente
com a paciente e disposta a ajudá-la
acaba por aceitar a proposta mas
mal sabe o que lhe espera.


Crítica:
George Zebrowski está se tornando
o meu modelo ideal de um contista
de ficção especulativa: fortes caracte-
rizações, sólida base científica,
enredos ousados e originais, belo uso
de conceitos filosóficos e existenciais
e um estilo de uma lucidez, concisão
e precisão digno dos melhores minia-
turistas.
Jumper caberia como uma luva numa
daquelas séries de FC clássicas como
Twilight Zone ou Outer Limits. Quase
visualizo suas situações embaladas na-
quela maravilhosa fotografia do gênio
do preto e branco Conrad Hall ou o
Rod Serling introduzindo o conto.
Nas primeiras linhas o autor joga o leitor
no mente dos personagens: o psicólo-
go sendo "invadido" pela inteligência
e convicção da paciente e ela ao mesmo
tempo profundamente pertubada com
os "jumps" noturnos implorando impli-
citamente por ajuda.
Falar mais é estragar as surpresas deste
conto maravilhoso.

Cotação: ***** de *****