terça-feira, 21 de outubro de 2008

The Cremator (1969)-Resenha de Filme

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Direção: Juraj Herz

Sinopse:
Em uma Tchekoslovakia prester a ser
invadida pelas forças alemãs durante
a guerra, cremador nacionalista se con-
tamina pela ideologia nazista e passa
gradualmente a demonstrar comporta-
mento estranho e obsessivo para com
seus compatriotas e sua família.
A situação se complica quando ele
descobre que sua esposa pode ter
sangue judeu.

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Crítica:
O eslovako Juraj Herz ocupa uma posição
curiosa no cinema tcheco.Tendo estreiado
no começo da new wave do cinema tcheco
em meados dos anos 60, nunca foi muito
aceito pelos colegas devido a sua origem co-
mo animador de bonecos e chegou a ter seu
média metragem excluído do filme-antologia
Pearls of the Deep (obra importante para a
consolidação estética da new wave).
Seu entusiasmo e interessesse pelos aspectos
góticos, grotestos, surreais e decadentes, assim
como sua predileção para estilização
gótico-barroca e por um cinema comparati-
vamente menos engajado, certamente contri-
buiram para sua exclusão do movimento.
Com o resgate desta pérola em DVD fe-
lizmente o trabalho deste criador idiossin-
crático começa a ter o reconhecimento que
merece.
The Cremator é um filme feito de absurdos.
Do absurdo de pessoas hipócritas, superficiais
e oportunistas que se deixam levar por ideais
furados, do absurdo ideológico da pureza de
raça; do absurdo (e imbecilidade) das guerras
e da concentração de poder em poucas mãos.
É tambem uma mordante e "mal disfarçada"
alegoria política (a Tchekoslovakia nazista não
é la muito diferente da comunista dos anos 60);
um assustador retrato da descida gradual de um
indivíduo no delírio e psicose e, acima de tudo,
um maravilhoso orgasmo cinemático, um exercício
expressionista em humor negro, grotesquerie e
excesso gótico como poucas vezes se viu na telona.
Eu poderia ficar por horas babando em cima deste
filme, mas infelizmente meu estoque de saliva é limitado
assim como minha habilidade para definí-lo. Basta dizer
que The Cremator exala genialidade pelos poros: não
existe um diálogo ou sequência que não seja genial; seja
pela engenhosidade e literacy do roteiro ou pelo estilo
visual, truques e exploração da linguagem cinematográ-
fica in extremis. Da utilização da lente olho de peixe
a zoom e closes extremos, do extraordinário trabalho
de montagem e edição a arrepiante trilha sonora, todos
os recursos são explorados com uma função específica,
nada é gratuito. Se o horror (literário e cinematográfico) é
(infelizmente) mais conhecido pelo que ele representa de
pior (pelo menos pelo público médio), fica fácil entender
porque ele não ficou muito conhecido por essas
bandas (no leste europeu foi o terceiro filme mais
visto nos festivais antes de ser banido do seu país natal).
The Cremator é uma obra sui generis cuja originalidade
de concepção e maestria de execução a colocam entre
os maiores triunfos cinematográficos do século XX.

Cotação: ***** de *****

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