domingo, 23 de novembro de 2008

EC Archives-Tales from the Crypt Vol 1: Crypt of Terror # 17 -Resenha de HQ



Sinopse:
Quatro estórias de suspense e horror
roteirizadas pelo Al Feldstein e dese-
nhadas por diversos artistas.

Crítica:
Quando, no final dos anos 40,
os editores da revista Crime Patrol
notaram uma maior aceitação
popular pelas estórias com foco
nos aspectos horroríficos,
se fez necessário uma mudança
de nome e direcionamento.
A partir do número 20 Crypt
of... teve seu nome modificado em
definitivo para Tales from the Crypt.
Inicialmente receioso em investir um
money relativamente elevado em um
archival hardcover cujo contéudo foi
classificado como tame e mixed bag
quando comparado a qualidade artística
e blood-baths das edições posteri-
ores, fui pego de surpresa.Certamente me-
nos violento e twisted que o material
posterior, sem os finais irônicos e
talvez sem o mesmo punch, mesmo
assim Crypt é uma HQ excelente
e percebe-se claramente o porque do
fascínio e adoração quase religiosa
exercida por esse gibi e outras
publicações da E.C.
Os enredos podem parecer um tanto
clichês e formulaicos à primeira vista
mas é importante frisar que no começo
da década de 50 eram novidade e a meu
ver muito pouco produzido pos-
teriormente nessa linha se equipara a
qualidade da arte e enredo destes contos.
Neste post (e em outros que se seguirão)
vou relacionar o material de cada número
assim como breves comentários e cotações
individuais.


Death Must Come!

Sinopse:
Cirurgião se mantém jovem
por mais de 50 anos por meio da extração e
troca de uma glândula que acelera o envelhe-
cimento.

Crítica:
Narrada em flashbacks, é um conto
envolvente e um perfeito kick off.

Cotação: ****1/2 de *****



The Man Who Was Death

Sinopse:
Executor psicótico resolve fazer
justiça com as próprias mãos
após absolvição dos últimos réus.

Crítica:
Conto com generosas doses de sadismo com
uma arte que nem sempre se equipara
ao excelente texto.

Cotação: ****1/2 de *****


The Body That Nobody Knew

Sinopse:
Conto sobre a identidade de um cadáver des-
figurado descoberto pela esposa de um detetive.

Crítica:
Material rotineiro mas com excelente arte.

Cotação: *** de *****


Curse of the Full Moon!

Crítica:
Estruturalmente semelhante ao
Death Must Come!, Curse of...é um inteligente
conto de lobisomen que trata a licantropia
menos como superstição e mais como uma aflição
psíquica.

Cotação: ****1/2 de *****

The End of a Summer's Day (1968)-Ramsey Campbell-Resenha de Conto



Sinopse:
Mulher sexualmente reprimida, adentra
uma caverna com seu companheiro em
uma excursão e passa a temê-la de maneira
um tanto irracional. A situação se complica
quando seu marido desaparece e seus com-
panheiros de excursão começam a se
comportar de maneira estranha.

Crítica:

Este conto faz parte daquele seleto grupo
que eu classificaria como "que merda é essa!
": estórias praticamente desprovidas
de enredo, narradas de maneira obtusa e
indireta, com forte concentração nas sensa-
ções, estados psicológicos e paisagens mentais
de seus personagens e com uma tendência para o
simbólico, metafórico, psicodélico, visionário
e surreal.
Ramsey Campbell é um dos poucos escritores
a dominar essa forma que têm como ilustres represen-
tantes o Walter De La Mare e o grande Robert
Aickman.
Por se tratar de uma obra vaga e surreal acho que o
melhor mesmo é reproduzir alguns trechos da
magia verbal e força imagética do Campbell.
Ele transforma cenas rotineiras em puro delírio
surreal, como nesta descrição de um casal de
namorados se acariciando:

"In a dark niche between two ridged stalactites
they saw a couple: the girl's head was back,
gulping as at water, their heads rotated on the
axis of their mouths like planets in the darkness."


e nesta:

"The vault was vast.The walls curved up like ribs,
fanged with dislocated teeth about to salivate and
close."


ou momentos de puro pathos:

"Even afterwards, as they lay quiet, bodies touching
trustingly, she never felt that peace which releases the
tongue, enabling her to tell him what she felt."


Sacaram?? É weird fiction da mais original, literata e
delirante que se possa imaginar.
Me deixou uma profunda impressão.

Cotação: ***** de *****