quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Editora Devir lança romance de horror do Roberto de Sousa Causo



Título: Anjo de Dor
Autor: Roberto de Sousa Causo
Editora: Devir Livraria
Número de Páginas: 207
Arte da capa: Vagner Vargas
ISBN: 978-85-7532-379-3
Preço: R$ 25,00


Anjo de Dor, o novo livro de Roberto de Sousa Causo, é um romance de horror que foi finalista do Projeto Nascente (da Pró-Reitoria de Cultura da Universidade de São Paulo e do Grupo Abril de Comunicações).

A história é ambientada em uma cidade do interior de São Paulo, igual a tantas pequenas cidades próximas a uma grande capital. Ricardo Conte, o protagonista masculino, um jovem artista sem perspectivas, sobrevive de pequenos empregos até que precisa usar o seu talento de pintor para exorcizar demônios que sequer sonhava conceber. Ele encontra em Sheila Fernandes — a cantora que veio da Capital para se apresentar em uma boate da cidade — uma mulher madura de passado violento, e desenvolve por ela uma paixão irresistível. Sheila, porém, é seguida por um homem do seu passado, o sádico Ferreirinha, disposto a tudo para exercer sua vingança.
O encontro de Sheila com Ricardo mobiliza reações em muitas esferas, neste e no outro mundo, e põe em ação mecanismos que ambos vão lutar para deter. A paixão deles pela vida e de um pelo outro não vai permitir que o leitor abandone a leitura nem por um instante.

O lançamento de Anjo de Dor acontece no dia 2 de dezembro de 2009, uma quarta-feira, na livraria Martins Fontes da Av. Paulista — Av. Paulista, 509, 01420-002 - São Paulo - SP, tel.: (0__11) 3082.8042 - fax.: (0__11) 3082.8780. A partir das 18h30.

Sobre o autor:
Roberto de Sousa Causo cresceu em Sumaré, interior de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo. Seus mais de cinquenta contos e novelas apareceram em revistas e livros na Argentina, Brasil, Canadá, China, Finlândia, França, Grécia, Portugal (com o livro de contos A Dança das Sombras, 1999), República Tcheca e Rússia. Foi um dos classificados no Prêmio Jerônimo Monteiro, da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2001); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto com O Par: Uma Novela Amazônica (2008). Escreveu para o Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, para as revistas Cult, Ciência Hoje e Palavra, etc. Mantém coluna no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br), a revista eletrônica do Portal Terra. Seu primeiro romance foi A Corrida do Rinoceronte, publicado em 2006 pela Devir, que também lançou o seu segundo livro de contos, A Sombra dos Homens (2004).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Creepy 1 & 2-Resenha de preview de HQ



Devido ao sucesso da série Creepy Archives
que tem como proposta relançar em edições
restauradas em capa dura o material clássico
dos anos 60 e 70, a editora americana Dark Horse
resolveu apostar em uma nova encarnação da
revista clássica. Inicialmente minha reação foi de
ceticismo e desinteresse, já que esses remakes
na maioria das vezes são tiros pelas culatras
com frustradas tentativas de "modernizar"
o material clássico.
Que fique claro que não manuseei as edições fí-
sicas deste material (99,9 % do material resenhado
no blog são edições "reais" rsrsrsr) mas a julgar
pelos previews online das duas primeiras edições
dá para notar a proposta em se preservar o espírito
original dos primeiros números quando o foco era
mais para horror de época e gótico, diferente do
approach dos anos 70 quando pendia mais para FC
e fantasias seriais (este material foi lançado no
Brasil na revista Kripta).
De cara as capas já chamam a atenção, não apenas
pelo esmero artístico mas também por captar com
extrema fidelidade o espirito das originais pintadas
pelo lendário Frank Frazetta. O número 1 em especial
traz uma das melhores capas já feitas pelo Eric Powell
(criador da demente e genial Goon), se a intenção era
chamar a atenção do leitor nos racks a editora
já começou com o pé direito.
Pelo pouco que li do preview os contos seguem a linha
tradicional com texto envolvente e boas ilustrações
em preto e branco.
Agora é esperar pelo encadernado.

Quem quiser sacar os previews:

http://www.darkhorse.com/Comics/15-862/Creepy-Comics-1

http://www.darkhorse.com/Comics/15-863/Creepy-2

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Strange Tales # 9-Resenha de HQ

Crítica:
Quem acompanha o Maquinário
sabe que gosto de quebrar minhas
resenhas com críticas e sinopses
mais ou menos detalhadas, especial-
mente em se tratando de quadrinhos
antológicos.
Tinha em mente fazer o mesmo com
esta edição da ST mas a qualidade
dos plots e sua execução é tão
tosca e primitiva que seria um tédio
entrar em detalhes com tamanha
pobreza textual. As edições anteriores
mantinham um certo "equilíbrio" com
com contos que iam do absolutamente
podre ao excelente, com alguns (raros)
pequenos clássicos. Aqui o nível des-
penca de vez e com exceção do último
conto que tem bom desenvolvimento (que
no final murcha com um desfecho tosco
e anticlimático) o resto é ruim de arrancar
cabelos e só nos resta a apreciar a
(sempre) excelente arte rica em atmosfera
densidade e expressões faciais.
Blind Date sobre um malandro tentando
conquistar uma femme fattale começa
razoável mas tem um desfecho horrível.
The Strange Game sobre um mestre do
poker é ruim do começo ao fim, mas o final
é qualquer coisa de surreal, das piores coisas
já publicadas pela Atlas.The Man From Mars nos
traz um Stan Lee pouquíssimo inspirado.Drunk
Deep Vampire da nova dimensão ao termo "cheesy"
mas não é o pior, além de ter um inesperado desfecho
que não faz juz a qualidade podre do script.
The Voice of Doom sobre um chefe autoritá-
rio é de longe o melhor, mas tem um final ruim.
Agora só me resta lêr o # 10 e torcer para que
este gostinho amargo na boca se dissipe.

Cotação: Pelos scripts eu daria -10 mas leva
um 4 pela excelente arte.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Punisher #6 "Don't Fall in New York City"-Resenha de HQ



Sinopse:
Amigo de Frank Castle ex combatente do 
Vitenã, surta após perder o direito de visitar
os três filhos e os assassina junto com a ex-esposa.
Em meio ao burburinho Castle vai a procura
do companheiro.

Crítica:
Em outra resenha sobre o trabalho
do Garth Ennis comentei sobre as
críticas as suas HQ's, algumas
justas, outras superficiais e infundadas.
Pois bem, para aqueles que acham que 
o Ennis só é capaz de escrever estórias
engraçadinhas ou de humor negro com 
ultraviolência, esse número da Punisher 
é um baita exemplo de como ele, quando
quer, é capaz de criar obras sérias
e comoventes sem deixar de lado outros 
elementos costumeiros ao seu trabalho.
Ennis capricha na caracterização e con-
teúdo psicológico e emocional e o resul-
tado é um conto brutal e pertubador mas 
também profundamente humano e emocional.
Don't Fall in New York City é um perfeito 
exemplo de drama noir em quadrinhos.

Cotação: ***** de *****

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Batman Preto e Branco-Resenha de HQ


Com uma proposta em apresentar contos do Batman
em 8 páginas, roteirizados e desenhados por uma 
constelação de artistas, este álbum gráfico acaba por 
surpreender não apenas pela qualidade gráfica e
textual da maioria dos contos, como também na liberdade
e ousadia de abordagem dada aos artistas. O resultado
é um álbum rico e surpreendente a cada página. Uma das
grandes sacadas foi justamente não se ater a fórmulas e clichês
a que estamos acostumados a ver nos títulos mensais
e minisséries. Os contos demonstram muita liberdade artística
por parte de seus criadores e uma variedade de approach e
riqueza tonal não muito comum em HQ's mainstream.
Nota-se com bastante frequência o interesse dos artistas
em imprimir um tom fabular, lendário, e até mesmo folclórico
e alegórico aos contos, rendendo a obra um caráter mais sério
e clássico.
Ainda que figurinhas carimbadas como Neil Gaiman, Howard Chaykin
e Brian Bolland deixem um pouco a desejar em suas histórias, a grande
maioria dos contos cumprem muito bem o seu papel. O resultado é uma
obra gráfica e esteticamente agradabilíssima, que nos proporciona
uma leitura rica e prazeirosa. Vale cada centavo.

Seguem comentários com cotação de * a *****

Luto eterno - Teddy Christensen com sua arte suja, estranha e angular
nos joga numa história de investigação com enfoque psicológico cuja
narrativa elíptica e enredo vago paira na mente muito após a leitura. 

Cotação: ****1/2 de *****



Um para o outro - Bruce Tim (criador da premiada animação do Batman) 
coloca o duas caras como protagonista neste conto sensacional
que é uma perfeito exemplo de literatura pulp-noir em quadrinhos. 

Cotação: ***** de *****


A caçada - Joe Kubert conta uma história relativamente convencional
mas eficiente.

Cotação: ***1/2

Pequenos crimes - Linda arte do Howard Chaykin infelizmente amparada por
um roteiro pouco inspirado.

Cotação: **1/2 de *****



O trompete do demônio - Grande roteiro do Archie Goodwiin (um pequeno mestre 
dos contos de 8 páginas) e espetacular arte do José Munoz fazem deste nostál-
gico conto sobre um trompete amaldiçoado um dos melhores do álbum

Cotação: ***** de *****


Lenda - Batman inserido num cenário de FC distópica pode não parecer
a melhor das combinações, mas a abordagem do Walter Simonson
funciona bem.

Cotação: ****1/2 de *****


Criando Monstros- Grande arte do Richard Corben amparado por
um roteiro pouco inspirado sobre delinquência juvenil.

Cotação: *** de *****

Os Olhos do Menino Morto- A arte surreal e obtusa do Kent
Williams por sí só já vale o tempo empreendido na leitura
deste excelente conto psicológico.


Os Filhos do demônio- Conto rotineiro e pouco inspirado.

Cotação: ** de *****

Um Mundo preto-e-branco- Neil Gaiman decepciona nesta tentativa
de uma abordagem mais humorística.

Boa Noite, Meia Noite-Excelente arte e roteiro do Klaus Janson
que mergulha nos traumas e ansiedades do morcegão.

Cotação: **** de 1/2 de *****


Em Sonhos- Boa arte e roteiro razoável neste conto com clima de horror
dos anos 60.

Cotação; ***1/2 de *****

Assalto- Matt Wagner nos deleita com um delicioso conto cujo impacto
visual e sofisticação gráfica são suficientes para perdoar um roteiro
pequeninho.

Cotação: ****1/2 de *****


Galho Torto- Bill Sienkwicz decepciona neste conto belamente ilustrado
mas com uma verborragia e profusão textual que acaba por pesar na narrativa
e cansar o leitor.

Cotação: ** de *****

Noite de Sangue- Conto de natal simples que cumpre extamente
o que promete: ser escapista e divertir.

Cotação: **** de *****

Sujeito Inocente-O genial ilustrador Brian Bolland tenta uma abordagem pós
moderna para o mito do morcego não inteiramente satisfatória.

Cotação: **1/2 de *****

Monstros no Armário- Mais um excelente conto de FC, bastante movimentado
e com imagética bizarra.

Cotação: ****1/2 de ***** 


Heróis-Mais um feito do grande Archie Goodwin, desta vez acompanhado pelo 
obsessivamente detalhista e genial Gary Gianni cuja maravilhosa arte final
ranhurada nos remete a mestres do passado como o Reed Crandall.
Talvez o melhor conto da coleção.

Cotação: ***** de *****


Despedida- Mais um conto psicológico do Batman com excelente arte estilosa
em que ele visita seus demônios e fantasmas do passado.

Cotação: ****1/2 de *****

A Terceira Máscara- Katshiro Otomo decepciona por repetir
cenários e ação do seu clássico Akira.

Cotação- ** de *****

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Diabel-Resenha de filme


Direção: Adrezj Zulawski

Sinopse:
Em meio a invasão prussiana
do território que hoje é conhe-
cido como Polônia, conspirador
é liberto de um manicômio/convento
de freiras por uma misteriosa figura
em negro que lhe pede em troca 
uma lista com seus colegas cons-
piradores. Escapando na última ho-
ra do massacre promovido pelo 
exército e acompanhado por uma
freira, ele chega em sua casa e encon-
tra seu pai morto, sua irmã delirante
e sua mãe em um prostíbulo de luxo,
enquanto é perseguido pelos exércitos
e guiado/comandado pela mítica figura
em negro que parece ser um misto de 
demônio e salvador

Crítica:
Imediatamente banido da Polônia após
o diretor têr fracassado em sua tenta-
tiva de convencer as autoridades polo-
nesas, classificando-o como um "filme
histórico sobre a invasão prussiana",
Diabel é na verdade uma alegoria
sobre abuso de poder e do delírio e lou-
cura como último refúgio.
Ainda que todas as características que
fizeram Zulawsky ser amado e odiado
na mesma proporção estejam presentes,
infelizmente a tecelagem destes elementos
se mostram menos inspirada que na obra
prima The Third Part of the Night e em 
alguns momentos passa-se a impressão do
material ter fugido ao seu controle. As per-
formances são de uma teatralidade e histeria
que por vezes beiram o ridículo e a violência
extrema (tiros na face em close, castrações,
execuções a sangue frio etc.) quase sempre opera
"contra"o filme. Mesmo com estas deficiências
Diabel não é um filme carente de qualidades.
O estilo do diretor é nada menos que exuberante
e sua câmera nervosa (um puta trabalho de 
hand-held) e forca emocional têm um profun-
do efeito no espectador (escrevo esta resenha 
seis dias após assisti-lo).
Diabel é Zulawsky em seu mais demente, intenso
e histérico. Não é seu melhor, mas impressiona.

Cotação: **** de *****

sábado, 5 de setembro de 2009

Precipícios-Letra

Estava futucando uns arquivos antigos 
num diskete e eis que encontro essa 
insignificância. A primeira e ÚNICA 
letra que escrevi.

PRECIPÍCIOS

Dedicada a Zé Ramalho


Cá estamos nós
A beira do precipício
Distantes um do outro
Próximos dos vícios

Barreira intransponível
Estrutura desafiante da razão
Erguida com a argila do temor
E o adobo da religião

REFRÃO:
Olhe para dentro
Desprenda-se da razão  
Rasgue o véu que obscurece
A realidade e a falsa ilusão

Perdido no labirinto das memórias e espelhos
Cambaleante forma vaga a esmo
Olho atentamente e eis que vejo
A caricatura de mim mesmo 

Procurando uma saída
Em meio a realidade crepuscular
Enquanto não a encontro
Continuo a sonhar

REFRÃO:
Olhe para dentro
Desprenda-se da razão  
Rasgue o véu que obscurece
A realidade e a falsa ilusão

E nas horas que se arrastam
E no dia que chegou
Observo as lembranças e a vida
Exalando como mero vapor

Creepy #2-Resenha de HQ


Neste segundo número Archie Goodwin se torna o
principal roteirista e assume em definitivo as
rédeas editoriais, conduzindo a Creepy ao que ficou
conhecida como "a era de ouro".
No geral uma edição menos irregular que a primeira,
mas nada que se compare aos três roteiros do
Goodwin no primeiro número.

Fun And Games! [Archie Goodwin/Joe Orlando] 

Sinopse:
Após uma discussão com sua esposa em um
parque, homem de meia idade adentra em uma
atração envolvendo tiros para extravasar sua
frustação.

Crítica:
Arte aquarelada do Orlando e enxuto
do Goodwin fazem de Fun and Games
uma divertida incursão no humor negro
estilo E.C.

Cotação: ****1/2 de *****


Spawn Of The Cat People [Archie Goodwin/Reed Crandall]

Sinopse:
Após fracasso ao tentar salvar um homem
do ataque de uma estranha pantera negra,
caçador salva uma moça mantida aprisio-
nada por selvagens de um vilarejo mas
percebe que ela demonstra uma estranha
sintonia com panteras.

Crítica:
Mesmo se este conto de horror rural
de raízes folclóricas tivesse um scprit
medíocre certamente seria salvo pela
arte exuberante do Crandall, de longe 
meu artista predileto da Warren (e olha
que a concorrência é braba!!!).

Cotação: **** de *****


Wardrobe Of Monsters! [Otto Binder/Gray Morrow & Angelo Torres]

Sinopse:
Arqueólogo evoca um encanto egípcio
e tem seu "corpo astral" transferido para
várias criaturas folklóricas e mitológicas.

Crítica:
Nesta pequena pérola cheesy, Binder 
nos entretém com doses generosas
de absurdo camp, improbabilidades
históricas, anacronismos e muito humor
involuntário. Um besteirol gótico em oito pá-
ginas que funciona maravilhosamente bem.

Cotação: ****1/2 de *****


Welcome Stranger [Archie Goodwin/Al Williamson] 

Sinopse: 
Viajando por uma região misteriosa
e inóspita dois amigos a procura de
alguma cidade adaquada para um 
filme de horror chegam em um estranho
vilarejo que parece ter saído direto 
da telona.a

Crítica:
Um roteiro um tanto morno mas com
boas cenas e excelentes desenhos
fazem desta história um horror acima
da média.

Cotação: **** de *****

I, Robot [Otto Binder/Joe Orlando]

Sinopse:
Conto que narra a trajetória de um
robô, da sua criação as dificuldades
encontradas em ser aceito pelas 
pessoas comuns.

Crítica:
Se este conto de FC parece um tanto
ingênuo, clichê e sentimental é importante
frisar que o Binder estava lá antes do 
Asimov e Simak que certamente beberam
da fonte na criação de seus contos com-
parativamente mais maduros e sofisticados.
A adaptação, bastante competente, tem ótimo
ritmo e bons desenhos. Leitura despretensiosa
e agradável mas talvez no gibi errado.

Cotação: **** de *****


Ogre’s Castle [Archie Goodwin/Angelo Torres]

Sinopse:
A procura do irmão, cavaleiro adentra um castelo
habitado por ogres.

Crítica: 
Belíssimo traço do Torres e um final que surpreende
(Goodwin é discíplo de Dahl e O'Henry) fzem deste 
conto de fantasia um adequado coda para esta edição.

Cotação: **** de *****

domingo, 16 de agosto de 2009

The Goon:Nothing But Misery - Resenha de HQ


Sinopse:
Coletânea com vários contos
de um gângster violento mas boa praça
e seu amigo Franky que, em meio
a pequenos crimes e proteção
aos oprimidos, tenta deter
a horda de zumbis comandada pelo temível
Zombie Priest e monstros mutantes marinhos.


Crítica:
The Goon exala cultura pop offbeat
e cinemão de baixo orçamento.Cheira
a noir, Ed Wood, Roger Corman e George
Romero. Ruge como um cano de descarga
fedorento e entra em erupção com explo-
sões de sadismo e ultra-violência de desenho
animado, sentimentalismo ala Frank Capra,
tudo isso embalado num pacote capricha-
díssimo. The Goon é assumidamente demente
e low-brow, mas produzido com um cuidado
e virtuosismo gráfico de fazer corar
qualquer artista pseudo-existencialista
metido a sério e profundo. Eric Powell
nutre uma admiração sincera pela cultura
pop low-brow e isso fica evidente em cada painel,
seja pelo senso de design dos monstrengos
ou pela energia maníaca de sua imagética de-
dicada ao hilariamente bizarro e escatológico.
The Goon pode até ser uma HQ direcionada exclusivamente
ao entretenimento (e a meu ver não têm nada mais
bacana sendo produzido nessa linha atualmente) mas isso
não quer dizer que a abordagem e método de ataque
de Mr Powell seja simplista. The Goon borbulha com
invenção, variedade e referência, seja nas criaturas
que parecem terem saído de algum drive-in de quinta
categoria ou nos anúncios e piadinhas estilo Mad
que interrompem a ação como se fossem comerciais de Tv.
Experimentações com cor e textura, em especial no
belíssimo flashback que conta a história do encontro
do Zombie Priest com um devorador de zumbis chamado
Buzzard, por vezes pululam nos contos, nos livrando
da mesmice e tédio gráfico que por vezes assolam as 
HQ's mainstream.
Por ser um gibi desavergonhadamente referencial,
para o curioso e conoissieur, The Goon permite uma
"segunda camada de leitura" e neste aspecto muito me lembra
os contos do criminalmente subestimado Norman Partridge.
The Goon não vai mudar sua vida mas se o que você
procura é diversâo de alto nível gráfico, editorial e textual
pode mergulhar de cabeça neste pesadelo cômico sem medo de ser
feliz.

Cotação: ***** de *****

sábado, 8 de agosto de 2009

Hellblazer:Joyride #230-231 –Resenha de encadernado parte 1


A partir deste post estarei resenhando os três
arcos de histórias que compõem o encadernado
Joyride.

Sinopse:

John Constantine é algemado 
abaixo de um pier e vigiado
por um gânsgster que diz
estar cumprindo ordens, sem
saber que seu chefe é um
conhecido de Constantine.

Crítica:
Sempre gostei da Hellblazer mas
minhas leituras sempre foram es-
porádicas. Quando li uma minissérie
do Monstro do Pântano escrita pelo
Diggle gostei muita da maneira como
ele caracterizou o Constantine e ima-
ginei-o como um bom escritor para
a revista. Qual não foi a minha surpresa
ao visitar uma livraria em Salvador e
encontrar o primeiro encadernado da 
fase do Diggle na promoção.
A impressão que me fica nesse primeiro
arco é que o Diggle, apesar de não apre-
sentar nada de novo, também não decep-
ciona. In at the Deep End começa como 
uma história de crime e num twist violento
se torna um conto de zumbis com imagética
convencional muito bem executada pelo 
Leonardo Manco e um roteiro bem condu-
com boas surpesas e sacadas.
Se você deixou de ler Hellblazer por achar
estagnada e repetitiva certamente não encon-
trará nada de novo aqui, mas se não for com
muita sede ao pote ela pode saciar sua sede
por um conto de horror bem contado.

Cotação: **** de *****

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Authority: Kev - Resenha de HQ




Sinopse:
Agente inglês sanguinário e com
má reputação é recrutado para
exterminar o grupo Authority de-
vido a sua desagradável influência 
em assuntos internacionais.

Crítica:
Garth Ennis é um escritor polarizador
de opiniões: para alguns seus gibis 
são apelativos, infantilóides, superfici-
ais e repetitivos, para outros um roteirista
original e revolucionário. Eu, cá no meu
cantinho, digo: nem tanto o mar, nem tanto 
à terra. Considero-o um escritor (muito)
acima da média, mas não o colocaria no
mesmo patamar de um Warren Ellis ou
Grant Morrison. É verdade que seu range 
é um tanto limitado e que sua obra têm
algumas características bem... digamos,
bastante próprias, o que lhe valeu o
rótulo de repetitivo, mas, em minha opinão,
é um escritor excepcionalmente habilido-
so no emprego e manejo da ultra-violência ta-
rantinesca, sarcasmo e humor negro.Digno 
de nota também é a sua habilidade como
storyteller (alguns contos são uma aula de
ritmo narrativo). As críticas negativas que
li sobre esse gibi não são de todo infun-
das pois quem espera lêr um gibi do Au-
thority vai quebrar a cara. Mais ainda que o
personagem Kev, Authority: Kev é acima de tudo 
um gibi DO Garth Ennis(pure, undiluted Ennis)
cuja missão é AVACALHAR, ESCU-
LHAMBAR, DETONAR com os super heróis
(mesmo coisas duca como Authority)
utilizando suas marcas registradas.
A arte do Glenn Fabry é forte, detalhada,
suja, exepcionalmente vívida e expressiva
e um perfeito complemento para o texto
sarcástico.
Quem gosta do Ennis não terá motivos 
para se decepcionar, quem não gosta...


Cotação: ***** de *****

sábado, 1 de agosto de 2009

The Fantastic Four-234-235 –Resenha de HQ



Sinopse:
Após violentos tremores terrestres,
o grupo traça as causas no espaço 
sideral e se depara com um planeta 
entidade conhecida como Ego que
pretende se vingar de derrotas 
passadas destruindo o planeta terra
e seus habitantes.

Crítica:
Em minhas recentes visitas a blogs
estrangeiros, tenho me deparado com
uma definição, atualmente em voga,
para HQ’s mainstreams modernas (
em especial de super heróis) conhecida 
como “narrative decompression”.
Não entrarei em muitos detalhes
quanto a essa definição, mas, em resumo,
seria um ferramenta narrativa em que
os desenhos são uma parte central
do desenvolvimento da narrativa e o
pouco texto cumpriria a função basi-
camente dos diálogos, com poucas
caixas de narrativa e balões de pen-
samento. No processo acabei desco-
brindo o motivo do meu desconten-
tamento com as atuais HQ’s de super 
heróis. Talvez eu não tenha lido o su-
ficiente para ter uma opinião mais só-
lida (nunca deixei de ler super heróis,
mas nunca foram minha leitura pri-
oritária) mas esse tipo de approach 
as vezes me soa meio fake e derivado
muito mais de uma necessidade mer-
cadológica que impulso artístico. Não
estou dizendo que não leio material
de qualidade, mas a maioria das histórias
me passam a impressão de serem mais
longas que deveriam, com desenhos
chamativos e muito pouco conteúdo
(aqui na Bahia a gente define isso como
encheção de lingüiça). Claro, se por um lado,
em qualquer época, a mediocridade, fórmula
e repetição ad-nauseum sempre foram a
norma, por outro nunca deixou de existir
artistas genuinamente talentosos com ou-
sadia e visão suficiente para driblarem as
limitações que o mercado e os trends os 
impõem. Mark Millar, Warren Ellis (es-
pecialmente em Authority) e o Michael
Brian Bendis utilizam essa ferramenta
em favor da história (ainda que muito
desse material poderia ser “comprimido” 
em menor número de edições, o que seria
muito interessante para o leitor que econo-
mizaria algum cash mas conseqüente-
mente menos grana para a equipe cria-
tiva e editoras que têm maior parte do 
lucro no mercado de encadernados), com
um ótimo aproveitamento do “espaço” 
para aprofundamento psicológico, carac-
terização e conteúdo emocional.
Mas que diabos toda essa conversa têm 
a ver com com um gibi lançado na primeira
metade dos anos 80? Simples. Esse gibi 
foi produzido em uma época em que “as
coisas realmente aconteciam”, uma época
em que você lia 22 páginas e tinha a imp-
pressão de ter lido um épico de 200 e saía
da leitura plenamente satisfeito e esperava
a próxima edição com a certeza de ler uma 
história mais ou menos auto-contida. Bom ou 
ruim, o approach sem firulas era um movimento 
constante, sem o lance de encadernados, edições
de luxo e toda a parafernália que acaba por as-
fixiar o que realmente importa: a criação artística.
Esse Quarteto do Byrne representa o que de
melhor se produziu em super heróis em qualquer
época.
Essa saga nos traz ecos de dois clássicos
da FC: uma literária e outra cinematográfica. A 
idéia de um planeta como entidade viva já foi
explorada magistralmente pelo escritor polonês
Stanislaw Lem no romance Solaris; no cinema
Viagem Fantástica e seu ótimo meio remake
Viagem Insólita abordaram a idéia de uma nave
miniaturizada explorando um organismo vivo.
Byrne utiliza essa idéias e as rearranja num 
contexto de super heróis, e o resultado final 
é nada menos que maravilhoso.Um clássico.

Cotação: ***** de *****


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Page de imagens fora do ar

A page/servidor que hospeda as imagens do Maquinário da Noite está, segundo nota
do webmaster,temporariamente fora do ar.Peço paciencia e compreensão de todos.

Devir relança clássico da FC brazuca em volume único


TRILOGIA PADRÕES DE CONTATO

Novamente nas livrarias, pela primeira vez em um único volume, a obra mais ambiciosa da ficção científica brasileira

Autor: Jorge Luiz Calife
Capa e ilustrações internas de Vagner Vargas
Editora: Devir Livraria
Selo Pulsar, 644 páginas, formato 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-7532-332-8
Preço recomendado: R$ 52,50

De autoria de Jorge Luiz Calife, a Trilogia Padrões de Contato é formada pela união dos romances Padrões de Contato (1985), Horizonte de eventos (1986) e Linha terminal (1991), e conta com ilustrações e capa do premiado ilustrador Vagner Vargas. O livro conta ainda com uma introdução de Marcello Simão Branco, co-editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica.
A história começa no século XXV, quando a humanidade domina a natureza com o uso da tecnologia, habita casas atmosféricas flutuantes e vive uma era de hedonismo e tranquilidade econômica e social. Empreiteiros espaciais disputam mega-projetos de ultratecnologia e dividem o Sistema Solar entre si de acordo com seus interesses. Golfinhos mantêm contato telepático com uma inteligência galáctica de bilhões de anos, a Tríade, guardiã da segurança da humanidade. Mas tudo começa a mudar com a chegada do Batedor, uma sonda de uma civilização distante que oferece testemunho de como o destino da humanidade deve ser entre as estrelas.
No século XXVI, A humanidade tenta encontrar saídas para a colonização estelar. Tensões aumentam entre aqueles que desejam manter a pureza do corpo humano, os que se querem a fusão com a máquina, e os que buscam a simbiose com organismos geneticamente manipulados. Baleias trabalham na construção civil em Europa, a lua de Júpiter, e jovens simbiontes conseguem flutuar no vácuo sem trajes espaciais. Contudo, um problema de preservação ambiental pode limitar a construção de um novo porto espacial de grande importância para a Terra.
No século XXVIII, a ultratecnologia trouxe a felicidade? Não para um grupo de transcendentalistas que enviam apelos ao espaço com radiotelescópios. Para eles, a Tríade tem a solução — a fusão de mentes individuais à sua matriz cristalina, unindo a espécie humana à sua consciência coletiva ancestral.
Angela Duncan é a protagonista dessa aventura inacreditável, que recebe da Tríade os dons da imortalidade e a juventude eterna. A saga avança com a descoberta de uma nave de gerações tripulada por brasileiros e vítima de uma cruel ditadura militar, uma guerra com parasitas espaciais, jornadas por de um buraco negro até o passado da Terra, e a resolução do mistério da Tríade.


Com este lançamento de caráter inédito no contexto da ficção científica brasileira, a Devir torna novamente disponível um dos clássicos nacionais do gênero e sua obra mais ambiciosa. Ou como o jornalista Marcello Simão Branco afirma na introdução:

“A publicação dos três livros num único volume é importante, pois os resgata e valoriza perante um novo conjunto de leitores. Torna nova¬mente acessível uma obra que é o clássico de sua geração histórica. Ca¬life já foi chamado de ‘pai da ficção científica hard brasileira’, e não vejo isso com exagero. Pois, de fato, influenciou outros autores a também investirem na seara hard da FC, tornando-a, entre meados dos anos 80 a meados dos 90, uma das áreas mais exploradas pelos autores brasileiros. Embora nenhum deles com a inspiração e riqueza desta obra.”

A ficção científica hard é aquela mais característica do gênero, na qual as ciências exatas e a alta tecnologia são mais evidentes e importantes para a narrativa.


SOBRE O AUTOR:

Jorge Luiz Calife, nasceu em 1951, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos fundamentais na Escola Estadual Alagoas, no bairro de Pilares. Em 1978, depois de desistir do curso de engenharia, Calife começou a estudar jornalismo na Faculdade de Comunicação Hélio Afonso.
Sua faculdade foi cenário de um curioso episódio: depois de ler uma matéria sobre Arthur C Clarke, autor da obra prima que deu origem ao filme 2001 – Uma odisséia no espaço, dirigido por Stanley Kubrick, na qual o autor inglês dizia estar encerrando sua carreira de escritor, Calife, enviou-lhe uma carta com um resumo de seu conto 2002, que era uma espécie de continuação da obra de Clarke, junto com um pedido para que reconsiderasse sua decisão de encerrar sua carreira. Depois de um mês, Calife recebeu uma resposta de Clarke dizendo que havia gostado das idéias e que as mostraria a Kubrick. Em 1982, foi publicado o romance 2010: Uma Odisséia no Espaço II, que toma como ponto de partida o conteúdo do conto de Jorge Luiz Calife. Em 1984, foi lançado o filme baseado no romance, 2010: O Ano em que Faremos Contato, mas com direção de Peter Hyams.
Durante toda sua vida, Calife tem se dedicado ao estudo das viagens espaciais, e ele acompanhou todas as missões espaciais desde 1960. Essa fascinação com o universo espacial incentivou-o a traduzir obras já conhecidas e de sucesso nos Estados Unidos, escritas por autores como Arthur C. Clarke e Isaac Asimov, como também a série Duna de Frank Herbert.
Em 1985, Calife lançou seu primeiro romance, Padrões de Contato, a primeira parte de uma trilogia com o mesmo título. Em 1986, publicou o segundo volume que recebeu o nome Horizonte de eventos. Mesmo como jornalista ele já demonstrara seu interesse pelo desconhecido, durante sua passagem pelo Jornal do Brasil (1985-1993), onde era repórter da editoria de ciência. Chegou trabalhar em outros jornais, e escreveu também para a Revista Geográfica e o Jornal da Manchete, ambos extintos hoje.
Foi somente em 1991 que Calife encerrou sua trilogia com o livro Linha Terminal, que lhe rendeu o Prêmio Nova da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica. Desde 1996, ele escreve para o caderno Cultura & Lazer do Dário do Vale de Volta Redonda, cidade onde reside.
Em 2004, publicou três livros e iniciou sua carreira na área da literatura infantil.



“Agradeço ao Sr. Jorge Luiz Calife, do Rio de Janeiro, por uma carta que me fez pensar seriamente numa possível continuação [de 2001: Uma Odisséia no Espaço]”

Como este agradecimento inserido em 2010: Uma Odisséia no Espaço II, Arthur C. Clarke colocou o brasileiro Calife no mapa da ficção científica mundial, abrindo a ele as portas para escrever a Trilogia Padrões de Contato.

Algumas opiniões sobre Jorge Luis Calife e seu trabalho:

Um brasileiro imaginativo, bem informado e irreverente, capaz de lidar com a ficção científica tão bem quanto os melhores autores estrangeiros do gênero.
— Miriam Paglia Costa, Veja.

Os romances de Calife são os primeiros a combinar a escala épica do mito, sense of wonder, e a crença na tecnologia no Brasil... Ele representa uma nova espécie de escritor de ficção futurista no Brasil, que explora questões sociais, ecológicas e políticas, ao mesmo tempo que especula sobre a colonização do espaço e novas tecnologias... Calife ultrapassa os limites dos escritores anteriores do gênero, ao criar um mundo no qual a tecnologia, quando associada a uma consciência social e metafísica, abre um novo conjunto de possibilidades para o futuro.
— M. Elizabeth Ginway, autora de Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro

Dono já de um estilo, Calife manipula os ingredientes próprios do gênero com precisão... sem os artificialismos que tanto prejuízo trazem a grande parte dos volumes que em todo mundo se imprimem...
— Gumercindo Rocha Dorea


O selo “Pulsar”, da Devir, inclui romances de Orson Scott Card (O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos) e Bruce Sterling (Tempo Fechado), o livro de contos de André Carneiro, Confissões do Inexplicável, e a antologia Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica. O melhor da ficção científica nacional e internacional.


Devir Livraria: Rua Teodureto Souto, 624 - Cambuci - São Paulo-SP, CEP 01539-000
Fone: (0__11) 2127- 8787 - horário comercial
Mais informações: marialuzia.devir@gmail.com
Visite o nosso site: http://www.devir.com.br/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Terminal City-Resenha de HQ


Argumento: Dean Motter
Arte: Michael Lark


Sinopse:
Um ex-artista performático
decadente que trabalha como 
limpador de janelas.Um des-
memoriado com uma valise 
presa a mão que despenca 
de um monotrilho. Uma gangs-
ter perseguida por um policial
obsessivo.Uma misteriosa "dama
de vermelho". Franceses excên-
ticos, robôs serventes, atores 
decadentes, sonâmbulos...
e Terminal City, uma excentri-
cidade art deco de sonhos per-
didos e esperanças mortas.


Crítica:
Terminal City fascina e impressiona:
personagens pulp que a primeira vista 
parecem não passar de estereótipos
caricatos ganham profundidade e 
dimensão pelo elaborado roteiro do
do Dean Motter, que também emprega 
igual esforço e derrama suor em sua visão
dessa monstruosidade arquitetônica que é
Terminal City, uma cidade decadente, a-
meaçadora, corruptora de almas e maqui-
nadora de ilusões que assusta e maravilha,
uma presença constante, predatória que
vive, respira e espera.
Riquíssimo em referências que vão do ex-
pressionismo alemão, construtivismo russo,
cinema noir e uma vasta gama de literatura 
pulp (para não citar um eficiente emprego
de alguns conceitos de psycho-arquitetura),  
TC é um estranho e fascinante híbrido steampunk
retro-futurista cujo conceito, estética, abor-
dagem e método de ataque é tipicamente euro-
peu, o que talvez explique porque esse gibi seja
cultuado, mas não muito popular quando com-
parados a outros gibis da Vertigo.
Ainda que grande parte de TC tenha brotado 
da mente do Motter (premiado designer gráfico
e desenhista) seria injusto não citar a excelente
arte limpa e angular do Michael Lark (quem o 
conhece do seu trabalho com o Demolidor
com sua arte carregada de sombra vai se 
espantar) que consegue traduzir com perfeição
a visão do Motter.
O enredo, ao mesmo tempo vago, complexo e
intrincado, se desenrola de maneira lenta, sem
muita pressa para chegar ao seu destino. Muito
espaço é concedido as caracterizações e o re-
sultado é um gibi focado muito mais nos perso-
nagens que em seu mistério central.
No final muito é deixado no ar, portanto se você
é daqueles leitores que gostam de enredos bem
estruturados com tudo-arrumadinho-e-explicadinho-
no-final tenha em mente que tens que cumprir seu
papel de leitor (parafraseando nosso Machado de
Assis: "detesto o escritor que me diz tudo").
Pela sua originalidade de concepção, fertilidade de
imaginação, ousadia de approach e literacy, 
Terminal City é leitura obrigatória.


Cotação: ****1/2  de  *****

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Marshal Law:Fear and Loathing- Resenha de HQ




Sinopse:
Após um violento terremoto que quase destruiu
São Francisco, a cidade mergulha num caos
de violência, criminalidade e corrupção. Entra
em cena um justiceiro mascarado que trabalha
para o governo com a missão de cobrir a parte
central da cidade habitada por mal feitores e 
gangues de super heróis enlouquecidos pela
guerra. Em meio a esse cenário caótico, um
assassino misterioso conhecido como Hiber-
nante ataca mulheres vestidas como a heroína
Celeste, namorada de Espírito Público, pri-
meiro super herói a alcançar as estrelas e 
símbolo dos ideais e sonho americano.
Em meio a destruição e pancadaria na 
parte central da cidade, Law investiga o 
o caso e passa a crer que por trás do capuz
de papel do Hibernante se esconde o hipó-
crita Espírito Publico.

Crítica:
Marshal Law é um paradoxo: um super herói
durão e violento, caçador de super heróis
durões, violentos... e enlouquecidos (na ver-
dade um pouco mais que seu caçador!!).
Com um conceito tão maluco como esse
Fear and Loathing tinha tudo para ser um 
desastre artístico e comercial, não fosse 
a presença do grande roteirista inglês
Pat Mills (um dos fundadores da revista 
2000AD e autor de obras geniais como 
A Era Metalzóica, Slaine e mais recente-
mente Requiém Chevalier Vampire). A 
grande ironia é que justamente sua
obra mais crítica e ácida aos super heróis 
(e por extensão aos ideais americanos)
foi seu único sucesso comercial no for-
mulaico e conservador mercado americano.
Vindo na esteira do sucesso de Watchmen,
Law infelizmente acabou meio que sendo
ofuscada pela genial obra do doidão de 
Northampton. Assim como Moore, Mills
nos joga numa américa distópica e caótica,
onde a entropia anda a passos largos e a so-
ciedade caminha em direção da aniquilação
e esquecimento. Mas as semelhanças termi-
nam aí; Law é uma obra transbordante de 
ironia, sarcasmo e escracho, mais próximo
do American Flagg do Howard Chaykin. 
O roteiro do Mills é engenhoso, complexo
e intrincado com muitas surpresas e ines-
perados twists; a narrativa fragmentada é
habilmente conduzida com mudanças de 
ponto de vista e complexas transições 
temporais (por vezes se exige um esforço 
de concentrção maior que o habitual; quan-
do terminei o primeiro número tive a im-
pressão de têr lido um gibi fisicamente mais
extenso em número de páginas, tamanha a 
quantidade de informação textual e visual).
Seria injusto não mencionar a estupenda arte
angular e estilizada do Kevin O'Neill, mais 
conhecido no mainstream como o desenhista
de As Aventuras da Liga Extraordinária.
Talvez seria exagero de minha parte colocar
Marshal Law no mesmo patamar de excelência
com um V de Vingança, As Aventuras de Luther 
Arkwright ou os já citados Watchmen e American 
Flagg, mas não em considerá-la
como uma das melhores e mais ácidas
sátiras de super heróis já escritas. Se você não
não leu corra nos sebos e cate as seis edições 
lançadas pela editora abril no começo dos
anos noventa; se já leu faça de novo, esse gibi
é extraordinário.

Cotação: ***** de *****

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Creepy #1-Resenha de HQ


Depois de uma maratona lendo os contos
do Edgar Allan Poe e O Médico e o Monstro
do Stevenson me bateu uma vontade dana-
de lêr algo mais "vísual" mas dentro do gênero
gótico e fantástico, e eis que me cai em mãos
a MARAVILHOSA compilação da Dark Horse
colecionando os seis primeiros números da
revista Creepy.Naturalmente é impossível
formar uma opinião lendo apenas o primeiro
número que geralmente funciona mais como
um "laboratório" e training ground para 
edições posteriores, mas graças a excep-
cional qualidade do material, pode-se tirar
algumas conclusões. O primeiro aspecto que 
me salta aos olhos é a altíssima qualidade
da arte: enquanto que os primeiros gibis 
da E.C. comics (já resenhados no blog), 
ainda que excelentes, demonstravam uma
certa crueza na arte, Creepy chega chutando
o pau da barraca com alguns dos mais bonitos
desenhos já feitos para as HQ's. Também nos 
lembra este primeiro número que diferença faz
um grande roteirista. O texto do Archie Goodwin
(que assumiria o cargo editorial no segundo
número) fica a anos luz do restante, e é um dos
motivos de alguns destes contos serem
considerados clássicos. Aliás, um dos pontos 
negativos deste #1 é justamente a qualidade
dos roteiros escritos por outras mãos, que são,
comparativamente inferiores, embora nada que 
chegue próximo da (baixa) qualidade do material
da editora Atlas que geralmente tem arte muito
acima da média mas scripts absolutamente podres 
fedorentos.
Como roteirista de horror o Goodwin me parece ocupar 
uma posição meio que secundária quando
comparado a nomes como o Marv Wolfman;
mas assim como o grande Al Feldstein (ro-
teirista da E.C.), merece um lugar de destaque,
pois, enquanto não exatamente influente e
inovador como o Feldstein, demonstra um talento
nato como storyteller e um hábil criador de twists.
Neste ponto se faz necessário mencionar uma
importante diferença em approcah e método de
ataque: os melhores contos do Feldstein de-
monstram ritmo e ação cinematográficos com
uma profusão textual no box de narrativa e 
balões de diálogo que beiram o absurdo; 
Goodwin escreve com uma simplicidade e 
economia de estilo desconcertantes. Se 
o primeiro pode ser comparado estiliscamente
ao Stephen King o segundo se aproxima
mais do Roald Dahl.
Abaixo relaciono os contos com breves co-
mentários.


Voodoo! [Bill Pearson/Joe Orlando]


Sinopse:
Marido alcoólatra persegue a esposa 
envolvida com vodu no Haiti e se de-
para com um bizarro segredo.

Crítica:
Conto rotineiro e previsível com um final
opaco e anticlimático mas redi-
mido pela atmosférica arte do 
Orlando.

Cotação: ***1/2


H2O World! [Larry Ivie/Al Williamson & Roy G. Krenkel]

Sinopse:
Casal de merguladores resolvem explorar
uma desconhecida cidade marinha mas são
surpreendidos por criaturas marinhas.

Crítica:
Muita exposição e descrição atravancam o
ritmo deste conto mas a arte detalhada do Williamsom
é um verddairo colírio para os olhos.

Crítica: **** de *****



Vampires Fly At Dusk! [Archie Goodwin/Reed Crandall]

Sinopse:
Mortes em um vilarejo obrigam a polícia
a visitar um castelo e interrogar um temido
casal.

Crítica:
E entra em cena o roteirista Godwin e imedia-
tamente nota-se uma diferença abismal na 
qualidade do texto. A arte do Reed Crandall 
foi meu motivo primário para morrer em 35 doletas
neste encadernado. 
Belíssimo conto gótico com um final surpreendente,
poético e trágico. 

Cotação: ****1/2 de *****

Werewolf! [Larry Ivie/Frank Frazetta]

Sinopse:
Caçador profissional é chamado para
caçar uma estranha criatura que aterroriza
uma vilarejo.

Crítica:
Última história desenhada pelo lendário
Frank Frazetta. Roteiro fraco e um final
tosco prejudica este conto belamente 
desenhado.

Cotação: ***1/2 de *****

Bewitched! [Larry Ivie/Gray Morrow] 

Sinopse:
Cético resolve executar um feitiço
encontrado em um antigo livro sobre
bruxaria com resultados catastróficos.

Crítica:
Arte excepcional do Morrow redime este 
conto confuso que mistura sonhos,
vodu e bruxaria.

Cotação: **** de *****

The Success Story [Archie Goodwin/Al Williamson]

Sinopse:
Cartunista famoso conta a dois
companheiros sua trajetória do
poço ao topo.

Crítica:
Excepcional conto onde o Goodwin
demonstra todo seu talento misturando
crítica, ironia, humor negro e horror .
A sacada de gênio fica por conta da
maneira como ele "conta" a história
de sua trajetória para seus amigos
e consequentemente o leitor: os amigos
"sabem" apenas uma parte
da história contada no box de diálogos,
enquanto que nos balões de diálogo
do flashback, o leitor conhece "o outro
lado da moeda".Uma das melhores histó-
rias sobre as armadilhas e segredos do 
processo criativo. Brilhante, brilhante...

Cotação: ***** de *****

Pursuit Of The Vampire! [Archie Goodwin/Angelo Torres]

Sinopse:
Prefeito de um vilarejo aguarda os habitantes
voltarem do sepultamento de duas moças
para caçar um assasino que pode ser um vampiro.


Crítica: 
Um conto de horror de época no estilo Hammer,
com o texto economicamente rebuscado do
Goodwin, aliado a arte do calibre de um Torres
só poderia resultar num belíssimo poema visual.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 11 de julho de 2009

Fell-Resenha de HQ


Argumento: Warren Ellis
Arte: Ben Templesmith

Sinopse:

Detetive Richard Fell é transferido para um local
sombrio e decadente conhecido como Snowtown.
Enquanto se adapta a nova vida e toma contato
com os estranhos e superticiosos moradores,
investiga crimes progressivamente mais estra-
nhos e macabros que revelam não apenas
a natureza dos seus moradores como também a
face oculta de Snowtown.



Crítica:
Como um grande roteirista faz a diferença. Do
pouco que conheço do trabalho do Ben
Templesmith, considero-o um dos melhores
ilustradores do horror e macabro da atualidade;
sua arte vaga e surreal (em Fell menos abstrata
e com contornos mais definidos) é perfeita para
este tipo de história mas, sinceramente, nunca achei
os roteiros do Steve Niles a altura do talento do
Templesmith como ilustrador (considero 30 Dias de
Noite um gibi divertido mas nada que justifique
tanto bafafá). Com Fell ele finalmente encontra um
roteirista que realmente faz jus a seu talento e a quí-
mica é perfeita! Fell é um dos melhores gibis de
de investigação macabra que já li e uma das prin-
cipais razões do seu sucesso artístico é a perfeita
sintonia e interação entre texto e desenho. Falar
que Warren Ellis é competente é subestimar seu
imenso talento como roteirista, sua habilidade em
fisgar o leitor com narração e diálogos certeiros, por
vezes melancólicos e amargos, outras de cunho
existencial e filosófico, é inigualável. Ainda que Fell
tenha passagens de violência extrema, seu prota-
gonista tende a resolver os casos com o cérebro
e muita, muita psicologia. Não existem contos ruins
neste encadernado, difícil mesmo é selecionar os
melhores. Acho que os meus preferidos são os nú-
meros 3, 5 e 6 que tratam de um homem bomba
num brechó, um misogenista solitário e um pai egoísta
e pervertido.
Fell é um gibi sombrio e denso, carregado de tensão e passa-
gens de profunda melancolia, solidão, abandono e desolação,
mas também carregado de humanismo e compaixão. Ao
mesmo tempo é um gibi super acessível (seus contos são
inteiramente independentes que em conjunto formam um
big canvas de uma cidade que quanto mais se desintegra
e apodrece mais viva se torna).
Pode não ter a complexidade e a mesma veia satírico-irônica
de um Transmetropolitan, mas é provavelmente sua obra
mais equilibrada.
Imperdível.

Cotação: ***** de *****

sábado, 4 de julho de 2009

The Uninhabited -Resenha de HQ

Conto gráfico integrante da revista Strange Tales #6

Sinopse:
Astronautas pousam na lua para
tentar finalizar missão na qual
outras expedições fracassaram,
mas o grupo explorador começa
a sofrer baixas inexplicáveis que
os sobreviventes atribuem a uma
enigmática e poderosa força invi-
sível.


Crítica:
Taí um baita exemplo de como idéias
não necessariamente originais (para
falar verdade já eram clichês na 
década de 50) podem ser muito
muito bem aproveitadas nas mãos
de profissionais competentes.
Com suspense e tensão exalando pelos
poros, essa FC muito me lembrou os
suspenses espaciais escritos pelo A.
E. Van Vogt nos anos 40. O texto é en-
volvente da primeira a última linha mas
é na arte extraordinária do grande Russ
Heath que se encontra o verdadeiro delei-
te The Uninhabited. Um pequeno clássico
visual da pulp sci fi.

Cotação: ***** de *****

Shade: O Homem Mutável #1-10-Resenha de HQ


Argumento: Peter Milligan
Arte: Chris Bachalo
Arte final: Mark Pennignton


Sinopse:
Alma do habitante de um planeta conhecido
como Meta, por intermédio de uma espécie
de encruzilhada cósmica, vai parar na Terra
e se apossa do corpo físico de um sanguinário 
psicopata prestes a ser excecutado. Ao se 
encontrar com uma jovem alcoólatra cujos
pais foram brutalmente assassinados pelo
psicopata, tenta convencê-la de sua origem
alienígena e parte com ela em uma viagem
pela américa a fim de deter uma misteriosa
epidemia de loucura e uma enigmática força
de nome O Grito Americano. Repetidamente
levados pela " correnteza da loucura" por uma 
América caótica e surreal, Shade e sua com-
panheira combatem uma esfinge de JFK, uma
câmera que externaliza e materializa as perver-
ções e obsessões de uma já decadente Hollywood,
um guru picareta movido a LSD que tenta 
combater a loucura com uma sobrecarga de
"amor", dentre outros caoticismos e bizarrerias.



Crítica:
Da chamada invasão britânica capitaneada
pelo Alan Moore na primeira metade dos
anos 80 e que deu uma bela sacudida no 
estagnado mercado americano, nomes como
Neil Gaiman e Grant Morrison são figurinhas
carimbadas. Com um pouco de esforço pode-
ríamos citar o irregular mas importantíssimo 
Jamie Delano (aquele que deu alma a John 
Constantine em Hellblazer). Talvez eu não tenha
lido Peter Milligan o suficiente para colocá-lo no 
mesmo patamar de excelência que os três citados
acima, mas tendo como base obras como Skreemer,
O Extremista e este Shade, considero-o, disparado, 
o mais subestimado escritor do selo Vertigo. Na
primeira metade do novo milênio ele conseguiu
um inesperado (e merecidíssimo) sucesso no
mainstream escrevendo X-Factor/X-Stasis mas 
ainda hoje não tem metade do reconhecimento 
de público que merece.
Shade The Changing Man é um caminhão surreal
e psicodélico carregado de nitroglicerina guiado
por um maníaco literato e visionário, e é justamente 
nestas características que residem suas maiores 
qualidades e, felizmente em menor número,
seus defeitos.O texto do Milligan ora é ácido e 
afiado como um fio de navalha, ora humano, passional
e poético (o conto Os Inominados em especial é um
belíssimo poema gráfico de horror que toca em temas sociais
com uma elegância e britishness não muito distante do
horror social do Ramsey Campbell) e por vezes 
excessivamente oblíquo, vago e verboso beirando
a incompreensibilidade.Shade certamente não é 
para todos os gostos mas é impossível ficar indiferente !!!
Só não leva cinco estrelhinhas por alguns excessos
(em certos momentos o leitor corre o risco de sofrer
um overload sensorial!!!)
e uma certa auto indulgência por parte do Milligan,
mas o saldo final é mais que positivo. Para quem gosta
de obras como Doom Patrol e Os Invisíveis do Morrison
ou os livros do Philip K. Dick, Shade é altamente 
recomendado.

Cotação: ****1/2   de   *****

sábado, 30 de maio de 2009

Moonchasers and other stories-Resenha de coleção


Ed Gorman is the most underrated writer of the last 20 years.
Although admired by writers like Dean Koontz, Gorman's work is leagues apart from the formula and routine of ultra commercial stuff of King's clones.He is an extraordinarily prolific romancist but his best work can be found in the short story form.
Although Gorman is an american original his influences can be traced.
His deceptively simple style is a highly original blend of
Bradbury's poetry and nostalgia, Rod Serling's Twilight Zone humanism, King's local colour, the raw nihilistic energy of classic hardboiled writers like Dashiell Hammet and Mickey Spillaine and the "Gorman touch". His plots are tight but his real strenght resides in his masterful characterizations; Gorman's characters are common people "trying to strike a kind of weary bargain with the world", in his own words.
All Gorman's collections are uniformly excellent but I think that Moonchasers and Other Stories is the most eccletic and representative of his short works.The title novella is a little masterpiece of nostalgia, not unlike Bradbury's short works of 40's and 50's and King's novella The Body.
Ed Gorman is a master of the form and deserves a major audience.


MOONCHASERS AND OTHER STORIES:

Moonchasers ============================ *****
Turn Away ============================== ****
Seasons of the Heart =================== ***1/2
En Famille ============================= ****1/2
Mother Darkness ======================== ****
The Beast in the Woods ================= ****1/2
One of Those Days, One of Those Nights = ****
Surrogate ============================== ***1/2
The Reason Why ========================= ****1/2
The Ugly File ========================== ****1/2
Friends ================================ **1/2
Bless us O Lord ======================== ****
Stalker ================================ *****
The Wind from Midnight ================= ***1/2
Prisoners ============================== ****1/2
Render Unto Caesar ===================== ****
Out There in the Darkness ============== *****

domingo, 17 de maio de 2009

Mini conto e flash fiction contemporânea parte 3



D.F. Lewis- Lewis é um pequeno mestre da
vinheta surreal. Insanamente prolífico
e muitas vezes auto-indulgente, suas
melhores estórias demonstram
um refinamento e sofisticação incomuns.
Profundamente britânico.


W.H. Pugmire-Dentre os escritores de 
ficção lovecrafteana não existe nada 
remotamente semelhante aos contos
do Pugmire. Menos preocupado em
criar mais um livro oculto proibido,
ou um novo deus de nome exdrúxulo,
seus contos e flash fiction são acima
de tudo viagens emocionais e espirituais
embalados em prosa suave e macia 
como seda.The Hour of Their Appetite
nos conta a estória de um ator famin-
to e desempregado que, ao entrar num
cinema decrépito, acaba por servir de 
alimento a deuses famintos. Em 
The Jigsaw Boy um homem sem 
coração a procura de sua humanidade
perdida encontra sua salvação (ou
danação dependendo do ponto 
de vista) na corrente de um rio.
Em The Sign That Sets the Darkness
Free, um deficiente vocal é atraído
por uma estranha melodia no pátio
de uma igreja, e lá encontra a chave
para sua salvação e o caminho para
o desejo do seu coração.
Meus resumos não fazem jus a 
beleza e riqueza simbólica destes 
micro contos. 
Mais difícil que ficção 
lovecrafteana de qualidade (além do
mero pastiche) é encontrar tamanha 
delicadeza e sensibilidade neste tipo
escrita. Pugmire não só o faz como 
talvez seja o único. 
Talvez seu estilo poético e atmos-
férico e seu foco em emoções
e imagética espectral seja muito
outré para leitores mais interessados
em enredos bem estruturados e 
prosa impessoal, mas a minha aposta
é que sua obra daqui a uns anos
ocupará um lugar de destaque na 
weird fiction contemporânea.

The House of Mystery #195-Resenha de HQ

Obs: vinhetas e fillers não serão resenhados

The Bat Out of Hell

Sinopse:
No século XVIII marido alcoólatra é
despejado da pensão com sua família
e vai parar em um castelo abandonado
onde acaba por matar a sua esposa.
Ao esconder seu corpo em uma parede
arruinada passa a ser perseguido por um
morcego que acredita ser sua esposa em 
busca de vingança.

Critica:
Nunca consegui entender porque o de-
senhista Nestor Redondo não é lembra-
do com tanta frequência como outros
mestres do horror como o Gene Colan
e Bernie Wrightson. Seu traço clássico
carregado de sombra é ideal para contos 
de horror e neste ele dá um show de
atmosfera. O roteiro do Jack Oleck é 
rotina mas têm um maravilhoso twist
no final. 

Cotação: ****1/2 de *****


The Fantastic Wishing Well

Sinopse:
Criminoso procurado descobre um poço
dos desejos e faz fortuna.Vários anos 
depois é descoberto pela polícia depois
de acidentalmente revelar o produto do
seu roubo anos atrás.

Crítica:
Esta reimpressão dos anos 50
funciona razovelmente bem.
Nada de muito original mas 
prende a atenção até o final.

Cotação: ***1/2 de *****


Things Old... Things Forgotten

Sinopse:
Tirano pretende abrir uma trilha
em meio às colinas com o intui-
to de fazer um ataque surpresa
mas é impedido por forças mis-
teriosas.


Crítica:
O plot é meio que um rip-off do
Monstro do Pântano temperado 
com um quezinho do Lovecraft.
Ainda que eu prefira os originais
este conto está longe de ser ruim.
A arte do fantástico Bernie
Wrightson é boa mas não alcança
o mesmo nível de outros contos.

Cotação: **** de *****


Who Am I?

Sinopse:
Homem desmemoriado vaga
pelas ruas preseguido pela
memória de um rosto desconhecido.

Crítica:
Esta reimpressão dos anos 
50 deveria ter mofado por lá
mesmo!!
Taí um belo exemplo de uma 
ótima idéia pavorosamente 
executada. O final é de uma 
opacidade que causa arrepios.

Cotação: ** de *****


Impressão final:
No geral uma edição um tanto irregular
mas que consegue entreter em suas 45
páginas.

sábado, 9 de maio de 2009

Mini conto e flash fiction contemporânea parte 2



Tim Waggoner-Waggoner têm um agudo senso do
estranho e absurdo que espreita no nosso dia 
a dia. Gosto da facilidade e naturalidade
com que ele insinua o surreal e absurdo
em situações corriqueiras. Mirroing trata 
do conflito de um indivíduo com
seu reflexo no espelho, enquanto que em
Night Eyes uma presença maléfica na forma
de dois olhos atormenta um rapaz recém 
desperto. Prosa limpa e precisa a serviço da
tensão entre o real e irreal, o rotineiro e o
estranho.

Andrew Sands-Não encontrei nenhuma in-
formação na net sobre este autor e infeliz-
mente nenhum conto além dos dois con-
tidos na compilação. O que mais me 
agradou foi sua habildade em sustentar
um clima tenso da primeira a última página.


Brian A. Hopkins- Hopkins é um
autor relativamente novo mas com
uma respeitável quantidade de 
prêmios e indicações. Não co-
nhecia nada sobre o autor mas 
muito me agradou seus micro 
contos da compilação. A Feast
of Crows é um conto simples 
mas muito bem narrado sobre um 
espantalho a mercê de corvos.
Em outro conto o autor narra
a estória de uma obsessão amorosa
e a arrepiante conclusão a que chega
o protagonista. Mesmo em poucas 
páginas nota-se uma notável
fluência narrativa e lightness of touch 
que o eleva acima do mediano e
rotineiro.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

The Man of the 99th Floor-J.G. Ballard-Resenha de Conto


Sinopse:
Homem desenvolve estranha obsessão
em subir clandestinadamente prédios de 
cem andares.Perseguido pela polícia pelas
escaladas anteriores em prédios da metrópole, 
é auxiliado por um psicólogo que descobre
um implante hipnótico e como medida de 
precaução lhe insere um contra-implante
que o impede de subir o centésimo andar
com o intuito de lhe poupar de danos físicos
até que o mistério seja elucidado.

Crítica:
Neste sofisticado thriller futurista Ballard
nos apresenta aquele típico protagonista
que eu classificaria como Vanvogteano:
o indívíduo arremessado em um turbi-
lhão de ocorrências bizarras e insólitas,
aparentemente controlado por forças po-
derosas mas de origem desconhecida,
tateando no escuro à procura de memó-
ria, sanidade e sentido (considero o 
A. E. Van Vogt um dos precursores
do movimento New Wave com sua
ênfase na psicologia, especulação
metafísica e originalidade de concepção).
Ballard, visionário e perfeccionista que é, 
capricha nos detalhes e nas acuradas 
observações sociais narradas pelo ponto
de vista do atordoado protagonista.
A parte final com dois twists sensacionais,
ainda que deixe tudo mais ou menos
clarificado, puxa o tapete do leitor pela
surpresa e impacto.
Um belo exemplo de FC avant garde.

Cotação: ***** de *****

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mini-conto e Flash Fiction contemporânea Parte 1





Crítica:
O Mini-conto e flash fiction
na literatura fantástica ocupa uma
posição um tanto incômoda. Ad-
mirado por alguns, excecrado por
outros, é geralmente considerado
entretenimento frívolo, nada mais
que anedotas e piadinhas cujo
efeito se dissipa tão logo se termine
a leitura. Não é de todo inacurado
classificá-los desta maneira, mas 
em mãos habilidosas este formato 
ganha surpreendentes nuances 
e contornos que os eleva (em alguns 
casos) a um patamar acima do mero
entretenimento.
Vários escribas do fantástico exercitaram
a pena pelo menos uma vez neste
formato, mas pode se contar nos dedos 
aqueles que realmente dominam a forma.
Ambrose Bierce, Fredric Brown, Maurice
Level e Patricia Highsmith me vêm a mente
como exemplos de mestres consumados;
na encruzilhada entre a flash fiction, pro-
sa poética e o conte cruel (território
ficcional do já citado Level)
poderíamos citar o Thomas Ligotti,
Thomas Wiloch e W.H. Pugmire.
Com a proliferação de publicações on-line,
o formato ganhou um lugar mais adequado (ainda
que a maioria dos contos e autores resenhados
neste post tenham sido retirados da compilação
"365 Scary Stories!") e no momento goza de 
bastante popularidade na net.
Neste post vou relacionar, com breves comentár-
ios alguns autores que a meu ver se sobressaem
neste formato.

D.Harlan Wilson-Wilson é um
dos líderes e talvez o mais
cerebral dentre os autores do
movimento literário conhecido
como Bizarro (prefiro defini-lo
como New Absurdism). Dono
de um estilo extrememente polido
e um maravilhoso wit, suas 
vinhetas demonstram uma forte in-
luência dos absurdistas clássicos
mas com um edge moderno. É 
Kafka, Vonnegut Jr., Philip K.Dick
e William Burroughs no mesmo 
pacote.

Michael Arnzem- Arnzem é o rei sem coroa do
micro conto e talvez o único comtemporâneo
a se equiparar com o Bierce e Brown. Seu 
estilo é uma mistura insana e amalucada de gore, 
goulishness, humor negro e farsesco, cinismo,
existencialismo, pathos... não me perguntem 
como ele consege unir elementos tão díspares,
mas funciona!! Em meio ao caos e pesadelo cômico 
espreita um artista com uma habilidade incomum
com as palavras. Delicioso.

Brian McNaughton-McNaughton é o
autor do premiado The Throne of
Bones, considerado um
dos grandes clássicos da dark fan-
tasy contêmporânea. Após a leitura
destes 13 minicontos só me resta ir
atrás rapidinho de Thrones.
Dono de um estilo compacto,
rico em detalhe, cor e nuance,
e um senso de humor ácido e ferino,
remanescente dos fantasistas clás-
sicos do mainstream como o
John Collier e Saki, Mcnaughton
é um mestre consumado da narrativa curta
e certamente um dos poucos estilistas
a surgir no horror nos últimos 15 anos (sua
morte prematura é de se lamentar).

Strange Tales #5-Resenha de HQ


Crítica:

Se descontarmos os contos de
FC e horror que começaram a
aparecer em revistas fora do
gênero, pode se considerar
ST como o primeiro gibi de-
dicado a FC e horror da
Atlas/Marvel. Inicialmente
eu pretendia resenhá-la a par-
tir do primeiro número, mas a
qualidade dos roteiros nos quatro
primeiros números, com raras exce-
ções, eram tão ruins que me pa-
receu uma perda de tempo, para
mim e os leitores deste blog, rese-
nhá-las. Basta dizer que o que se
salva nestas primeiras edições
(especialmente as três primeiras)
é a arte, geralmente de ótima qua-
lidade, mesmo que se perceba
claramente que mestres do traço
como o insanamente prolífico
Joe Mannely ainda estejam num
primeiro estágio de desenvolvimento.
Neste quinto número notamos um
impressionante salto de qualidade
textual com todas os contos num mes-
mo patamar de qualidade. Não estou
dizendo que aqui você vai encontrar
roteiros literatos e sofisticados, mas pelo
menos contos de horror e FC no estilo Twi-
light Zone extremamente envolventes
e cativantes. Não me recordo de nenhum nú-
mero da Journey into Mystery com tantos
contos bacanas.
Aqui encontraremos um maravilhoso conto
RodSerlingano sobre uma estranha apa-
rição atormentando um indíviduo aonde
quer que vá; uma engenhosa FC temporal
e paranóica sobre um homem que se
salva de um acidente aéreo e vê sua
vida virar de pernas pro ar e um gótico
sobre um homem com um aparente trans-
torno mental que afirma conversar com sua
mãe morta.Nada muito complicado nem
original, apenas contos tradicionais bem
desenhados e narrados.

Cotação: ****1/2  de  *****

sábado, 25 de abril de 2009

O Pequeno Príncipe-Resenha de HQ


Adaptação e arte: Joan Sfarr

Sinopse:

Enquanto conserta seu
avião em um planeta deserto e
inóspito, piloto encontra uma
criança que lhe conta sua his-
tória e sua viagem por vários
planetas.

Crítica:
Pode não ser lá muito adequado resenhar
uma obra tão divulgada e conhecida em
um blog dedicado a cultura obscura
e underground;e não seria mesmo, não fosse
a presença de um dos mais renomados e
idiossincráticos artistas da atualidade.
Joan Sfarr é um fenômeno na França e
um dos líderes da nova geração de ar-
tistas das HQ's franco-belga. Mesmo  
não sendo considerado um artista "autoral"
Sfarr imprime um estilo e visão inconfundíveis
em suas obras. Seu traço "apressado e deslei-
xado", seu humor offbeat e quase surreal também
estão presentes nesta obra que nas mãos de um
mero profissional poderia se tornar mais uma
adaptação convencional e burocrática. Um dos
maiores méritos desta adaptação foi a "solução"
encontrada pelo artista em imprimir um ritmo, visão
e estilo próprios, sem diluir a essência do texto.
Enquanto algumas adaptações pecam por uma
previsibilidade tediosa e outras se perdem em
excessos pós-modernos, O Pequeno Príncipe atinge
um equilíbrio e grau de homogeneidade como poucas vezes se viu.
Não satisfeito em meramente "ilustrar" o texto, Sfarr
optou por "acrescentar" mais uma camada em uma obra por si
só riquíssima, resultando em duas visões
(artista e escritor)que não só não se chocam
como se completam.
Comovente,doce, profundo e com boa dose de quirkness e es-
tranheza, O Pequeno Príncipe é uma obra para ser
lida e relida.

Cotação: ***** de *****

The End of the Story (1929)-Clark Ashton Smith-Resenha de Conto


Sinopse:

No século XVIII, em uma região semelhante
a França medieval, jovem estudante a ca-
minho da casa do pai, visita um isolado
monastério onde é recebido por um sim-
pático e caridoso abade que lhe revela
em uma fabulosa biblioteca ancestral
uma gaveta secreta com livros e manuscritos
raros, dentre eles um estranho diário 
forrado em couro negro, sem título, que
conta a história de uma cavaleiro prestes 
a se casar que adentra a varanda de um 
antigo castelo próximo ao monastério
e desaparece misteriosamente após
descer um porão na parte externa do 
castelo. Ao terminar a leitura do diário
com a narrativa incompleta, o relato 
inflama sua curiosidade e ignorando 
os avisos dos monges acaba por 
visitar as ruinas do castelo.


Crítica:

A carreira do poeta, pintor, escultor e ficcionista norte
americano Clark Ashton Smith foi marcada por muitas 
ironias e infortúnios.Criança precoce, desde cedo
demonstrou intimidade com as palavras e chegou, por 
curto período, a ser considerado uma das maiores pro-
messas poéticas dos anos vinte.Como poesia alimenta a 
alma mas não enche barriga, pobre, e com 
os pais para sustentar,decide, em parte pelo 
incentivo de amigos, a direcionar sua pena para a mais
lucrativa produção de contos.
No final dos anos vinte começa a escrever furiosamente
e encontra espaço nos magazines de FC do Gernsback
para quem escreve uma série de contos de FC interpla-
netária e para a Weird Tales seu horror e fantasia 
decadente.
Ao contrário do seu amigo Lovecraft, ainda em vida teve a 
quase totalidade de sua obra poética e contística
publicada (em sua maioria pela lendária editora Arkham House)
para logo cair no quase esquecimento numa espécie 
 "limbo literário". Mesmo sendo considerado pelos 
especilaistas e conoissieurs como o grande escritor 
da Weird Tales dos anos dourados juntamente com
o Lovecraft e Robert E. Howard, ainda hoje é um 
escritor CRIMINALMENTE subestimado.
Nos últimos cinco anos, vários iniciativas de editoras 
independentes têm contribuido para manter a chama 
do interesse acesa e acredito que isso contribuirá 
para seu reconhecimento.
The End of the Story foi o primeiro conto do ciclo
conhecido como Averoigne.Às vezes injustamente 
considerado por uma parcela como um ciclo mais fraco
quando comparado as grotesquerias e humor jocoso do 
Hyperborea e o decadentismo exótico, descontrolado
e extravagante de Zothique, Averoigne é certamente 
mais "light", accessível e convencional (em parte pelo
uso de símbolos e ícones sagrados do fantástico 
e pelo verniz de romantismo medieval) mas nem 
por isso menos fascinante (Averoigne é Smith com
um pé no freio). O que o separa e distingue da 
weird fiction mais tradicional em seu uso vampiros, 
lobisomens etc., é o seu sense of beauty e hábil uso
de alguns elementos da mitologia greco-romana.
Pela sua acessibilidade, romantismo poético e um 
e um original uso de ícones do fantástico tradicional
e mitologia clássica, The End of Story não só é um 
ponto de partida ideal para quem quiser conhecer
esse belíssimo ciclo, como também um bela introdução 
ao trabalho deste escritor extraordinário.

Cotação: ***** de *****

domingo, 19 de abril de 2009

J.G. Ballard (1930-2009)-Gênio, Gênio, Gênio ...


Não costumo usar este espaço para news, mas não posso deixar
passar em branco a notícia da morte de um dos meus escritores
prediletos. Em minha opinião um dos maiores estilistas e
visionários que a literatura já conheceu.
Estou me sentindo triste e vazio.

sábado, 18 de abril de 2009

The Franklyn Paragraphs (1967)-Ramsey Campbell-Resenha de conto

Sinopse:
Jovem escritor toma conhecimento
de um livro lendário escrito por um
pseudo filósofo chamado Roland 
Franklin no qual se propõe a libera-
ção da alma, após a morte da carne, 
através da cremação. A procura de
inspiração para seus contos, ele
parte em busca de informa-
ções sobre Franklin e o lendário 
livro, mas após passar por uma
experiência supostamente sobre-
natural em uma biblioteca enquanto
examinava o livro, passa a crer 
na possibilidade da morte do mesmo
e resolve aprofundar sua pesquisa 
e investigação.


Crítica:
A nível de enredo este conto não
difere em nada da maioria dos pas-
tiches lovecrafteanos que assolavam
(e assolam) a weird fiction após a
morte do mestre. Escrito numa época 
em que o autor tentava a todo custo 
se livrar da influência do Lovecraft
(seu primeiro livro é uma coletânea 
de contos lovecrafteanos escritos
em sua adolescência) à procura de 
uma voz e identidade própria, The
Franklin Paragraphs é uma estupen-
da fusão dos mitos com o estilo que
o autor iria aprimorar no final da década.
Estruturalmente complexo, repleto de 
referências (de citações ao Augusth Derleth 
a personagens como Robert Blake do
conto Haunter of the Dark), comentá-
rio social e um approach ousadamen-
te pós moderno, Ramsey Campbell 
se coloca na pele do narrador em 
primeira pessoa que, por meio
da troca de correspondências com 
seu amigo escritor Errol Undercliff,
toma conhecimento de um lendário
livro e do seu grau de envolvimento
com o autor.
TFP é uma rica tapeçaria bizarra
auto referencial, generosa em referências 
e com múltiplas camadas de significado.
Ao mesmo tempo que dialoga com
o clássico The Call of Cthulhu atra-
vés da utilização de cartas e recor-
tes de jornal que confere a obra uma 
espécie de "realismo documental", 
examina o processo criativo e a va-
lor da ficção "como" ficção.
O Campbell ficcional (narrador do conto),
Undercliffe e Franklin são na verdade,
partes distintas e componentes da 
personalidade do Ramsey Campbell real.
Naturalmente é impossível falar sobre
todas as qualidades deste conto notável,
basta apenas deixar registrado que graças a 
mestres consumados como o Nicholas Royle, 
Thomas Ligotti e o próprio Campbell a 
chama dos mitos continua acesa.

Cotação: ***** de *****

Police Comics # 4-Plastic Man:Crime School For Delinquent Girls-Resenha de Hq


Roteiro e arte: Jack Cole

Sinopse:
Grupo de garotas delinquentes são
treinadas por uma gangster em uma
fazenda para enfrentar uma gang rival
na cidade grande e tomar conta do
crime organizado.


Crítica:
Os três contos iniciais do Plastic Man
lançados nos números anteriores da
Police Comics já demonstravam toda
a originalidade e excentricidade do per-
sonagem, mas ainda eram um tanto tí-
midos e comparativamente compor-
tados; o primeiro número em especial,
que conta a história de como o gangster
Eel O'Brien se transforma no Plastic
Man após um acidente com ácido que
modifica sua composição química e
altera a elasticidade de sua pele, têm
um desenvolvimento aprupto e
apressado (o espaço inicial de apenas 
seis páginas por conto também não
ajuda muito). Acho que, a partir desta quarta
aventura, o Cole realmente começa a tirar o 
pé do freio e começa, como um caminhão
desgovernado, a dar asas a sua imaginação
visual e virtuosismo gráfico. 
Mesmo neste primeiro estágio nota-se a in-
fluência que o Eisner iria excercer em sua 
obra:seja pela splash page, quantidade de
informação gráfica por painel, expressões 
faciais de cunho caricatural e um tanto "rubbery"
ou pelo criativo uso de ângulos (embora neste
aspecto o Cole seja menos cinematográfico
que o seu contemporâneo).
Se o Cole é capaz de criar um conto tão energético
e inventivo em seis páginas, não imagino o que
ele é capaz de fazer com o dobro de páginas.


Cotação: ***** de *****

sexta-feira, 10 de abril de 2009

The Fungal Stain And Other Dreams-Resenha de livro

Pugmire's short and flash fiction is one of the
most atmospheric, poetic and literate being published today.
His highly sensitive stories are "mystical" journeys 
through emotional, psychological and spirituals 
landscapes that leaves a deep and lasting
impression on readers.
Expertly mixing elements of 19th century decadent 
literature, classic horror authors like Henry James, 
vintage lovecraftean weird fiction, goth/punk 
subculture and modern angst, Pugmire's work is one
of the most idiosyncratic and original of the last fifteen 
years.
Pieces like The Hour of Their Appetite, Jigsaw Boy and
The Sign That Sets the Darkness Free are beautiful poetical
short-shorts of existencial anguish and gentle nihilism,
while the femme fatale short story The Fungal Stain
is an accomplished and wholly original mix 
of aesthetic decadence with elements of classic, traditional 
weird fiction.
If you like your weird fiction with a poetical bent, gentle 
obfuscation, sly humour and a decadent sensibiliby, 
do yourself a favor and read Mr. Pugmire.

Cotação: ***** de *****

Journey Into Mystery # 1 - Resenha de HQ

Na primeira metade da década de 50, a len-
dária editora E.C. Comics lança-
va os primeiros números de uma 
série de revistas que iriam influênciar
a cultura pop americana de maneira 
imensurável. Ainda que suas
revistas de guerra (Two-Fisted Tales
e Frontline Combat), crime (Crime 
Suspenstories) FC (Weird Science 
e Weird Fantasy) continham histórias de
altíssimo nível, seus best sellers eram
a trinca de horror Tales from the Crypt,
Vault of Horror e Haunt of Fear. Quando
as editoras concorrentes perceberam 
"algo de novo no ar" gerou-se uma febre
de horror e uma exurrada de publicações
que ia da mais pura imitação (Chamber Of 
Chills) a produtos mais "autorais" (The Strange
World of Dreams). Ainda que alguns gibis de 
horror da Atlas (futura Marvel) tenham sido
lançados antes do boom iniciado pela 
E.C. é inegável que a editora pegou 
carona na febre ao ponto de colocarem nas
prateleiras nada menos que dezesseis (!!!) 
revistas do gênero.
Minha primeira impressão do material da Atlas
não difere muito da de outros leitores. A meu
ver o grande pecado destas histórias é a quali-
dade dos roteiros (escritos em sua maioria por
um Stan Lee em início de carreira) que quase
sempre deixa a desejar quando não descambam
para o patético total; portanto o que resta é a ar-
te e nesse quesito digo sem medo de ser feliz:
se existe uma mística e fascínio por trás destas
histórias, estes se sustentam quase que exclusiva-
mente pelos seus artistas e capistas. Todo o tom 
e atmosfera é gerado pelos traços geralmente sujos,
fortes e com muita sombra e nesse ponto é ne-
cessário que se corriga uma injustiça histórica: se os
gibis da E.C. são sem sombra de dúvidas os melho-
res da década, se faz necessário ressaltar o fato
de que a Atlas, em matéria de desenhos, não fica
muito atrás. O interessante é que por vezes se atinge
uma espécie de "desequilíbrio artístico" entre a 
arte sinistra e "adulta" e os temas e roteiros preví-
síveis e por vezes anticlimáticos e infantilóides. 
Mesmo com estes defeitos a leitura se revelou
extrememente prazeirosa.


One Foot in the Grave

Sinopse:
Florista contrata mendigos para roubar
flores de túmulos com o intuito de re-
vendê-las em sua loja.

Crítica:
Conto agradável com um delicioso
clima cheesy (característca do horror
da atlas) e muito humor involuntário
O final fica entre o patético e infanti-
lóide.

Cotação: **** de *****


The Clutching Hands!

Sinopse:
Escritor invejoso mata seu colega 
de profissão em um navio abando-
nado e passa a ser perseguido pelo
fantasma assassino das mãos do morto. 
Condenado pelo assassinato do seu editor
e sentenciado a forca, vê como último
recurso a exumação do corpo do edi-
tor a fim de provar a ausência de impressões
digitais, mas no úlimo momento antes da 
exceução uma surpresa o aguarda.


Crítica:
O horror da Atlas consiste basicamente
de clichês e imagética tradicional oriunda
da literatura de horror clássica, programas
de rádio, pulp fiction e FC clássica da
Weird Tales e concorrentes; nada de
muito ousado, subversivo ou inovador
em sua concepção e excecução. Portanto,
o grau de sucesso destes contos formu-
laicos depende de quão bem exceutadas
essas idéias são, e no caso deste conto (
o melhor da edição) o resultado é muito
acima da média. Texto envolvente e mara-
vilhosa arte fazem de TCH um mini clássico
cheesy.

Cotação: ****1/2 de *****


Haunted

Sinopse:
Homem misterioso adentra uma 
mansão abandonada com o 
intuito de fixar residência e 
tenta expulsar os futuros moradores.

Crítica:
A arte deste conto é pura atmos-
fera gótica, o plot é um tanto opaco 
mas têm um final que pega o leitor
meio que desprevenido.O engraçado
é que a história exala um clima de 
horror infanto juvenil com uma imagé-
tica nos últimos paínéis que se apro-
xima dos desenhos animados.


Cotação: ***1/2 de *****


It Can't Miss

Sinopse:
Assassino se apossa da identidade
de um sósia morto e passa a viver
em sua casa. Quando ele é
convidado para um banquete vê sua
indentidade ameaçada.

Crítica:
Contos envolvendo troca de identidade 
e insanidade têm excelente potencial
para boas surpresas e muita tensão. 
Este peca por um argumento capenga 
e excecução opaca.

Cotação: **1/2 de *****


The Iron-Head 

Sinopse:
Assassino arranja emprego como
marinheiro e depois de explodir
um navio vai parar numa ilha de
canibais que passam a encará-lo
como um Deus por causa do 
capacete de mergulho.

Crítica:
Basta dar uma lida no meu resumo para 
se têr ideia do nível deste conto.Que diabos
passava na cabeça destes roteiristas para
conceber pérolas deste calibre?
A arte do Dick Ayres o salva da ruindade absoluta!

Cotação: ** de *****