quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mini-conto e Flash Fiction contemporânea Parte 1





Crítica:
O Mini-conto e flash fiction
na literatura fantástica ocupa uma
posição um tanto incômoda. Ad-
mirado por alguns, excecrado por
outros, é geralmente considerado
entretenimento frívolo, nada mais
que anedotas e piadinhas cujo
efeito se dissipa tão logo se termine
a leitura. Não é de todo inacurado
classificá-los desta maneira, mas 
em mãos habilidosas este formato 
ganha surpreendentes nuances 
e contornos que os eleva (em alguns 
casos) a um patamar acima do mero
entretenimento.
Vários escribas do fantástico exercitaram
a pena pelo menos uma vez neste
formato, mas pode se contar nos dedos 
aqueles que realmente dominam a forma.
Ambrose Bierce, Fredric Brown, Maurice
Level e Patricia Highsmith me vêm a mente
como exemplos de mestres consumados;
na encruzilhada entre a flash fiction, pro-
sa poética e o conte cruel (território
ficcional do já citado Level)
poderíamos citar o Thomas Ligotti,
Thomas Wiloch e W.H. Pugmire.
Com a proliferação de publicações on-line,
o formato ganhou um lugar mais adequado (ainda
que a maioria dos contos e autores resenhados
neste post tenham sido retirados da compilação
"365 Scary Stories!") e no momento goza de 
bastante popularidade na net.
Neste post vou relacionar, com breves comentár-
ios alguns autores que a meu ver se sobressaem
neste formato.

D.Harlan Wilson-Wilson é um
dos líderes e talvez o mais
cerebral dentre os autores do
movimento literário conhecido
como Bizarro (prefiro defini-lo
como New Absurdism). Dono
de um estilo extrememente polido
e um maravilhoso wit, suas 
vinhetas demonstram uma forte in-
luência dos absurdistas clássicos
mas com um edge moderno. É 
Kafka, Vonnegut Jr., Philip K.Dick
e William Burroughs no mesmo 
pacote.

Michael Arnzem- Arnzem é o rei sem coroa do
micro conto e talvez o único comtemporâneo
a se equiparar com o Bierce e Brown. Seu 
estilo é uma mistura insana e amalucada de gore, 
goulishness, humor negro e farsesco, cinismo,
existencialismo, pathos... não me perguntem 
como ele consege unir elementos tão díspares,
mas funciona!! Em meio ao caos e pesadelo cômico 
espreita um artista com uma habilidade incomum
com as palavras. Delicioso.

Brian McNaughton-McNaughton é o
autor do premiado The Throne of
Bones, considerado um
dos grandes clássicos da dark fan-
tasy contêmporânea. Após a leitura
destes 13 minicontos só me resta ir
atrás rapidinho de Thrones.
Dono de um estilo compacto,
rico em detalhe, cor e nuance,
e um senso de humor ácido e ferino,
remanescente dos fantasistas clás-
sicos do mainstream como o
John Collier e Saki, Mcnaughton
é um mestre consumado da narrativa curta
e certamente um dos poucos estilistas
a surgir no horror nos últimos 15 anos (sua
morte prematura é de se lamentar).

Strange Tales #5-Resenha de HQ


Crítica:

Se descontarmos os contos de
FC e horror que começaram a
aparecer em revistas fora do
gênero, pode se considerar
ST como o primeiro gibi de-
dicado a FC e horror da
Atlas/Marvel. Inicialmente
eu pretendia resenhá-la a par-
tir do primeiro número, mas a
qualidade dos roteiros nos quatro
primeiros números, com raras exce-
ções, eram tão ruins que me pa-
receu uma perda de tempo, para
mim e os leitores deste blog, rese-
nhá-las. Basta dizer que o que se
salva nestas primeiras edições
(especialmente as três primeiras)
é a arte, geralmente de ótima qua-
lidade, mesmo que se perceba
claramente que mestres do traço
como o insanamente prolífico
Joe Mannely ainda estejam num
primeiro estágio de desenvolvimento.
Neste quinto número notamos um
impressionante salto de qualidade
textual com todas os contos num mes-
mo patamar de qualidade. Não estou
dizendo que aqui você vai encontrar
roteiros literatos e sofisticados, mas pelo
menos contos de horror e FC no estilo Twi-
light Zone extremamente envolventes
e cativantes. Não me recordo de nenhum nú-
mero da Journey into Mystery com tantos
contos bacanas.
Aqui encontraremos um maravilhoso conto
RodSerlingano sobre uma estranha apa-
rição atormentando um indíviduo aonde
quer que vá; uma engenhosa FC temporal
e paranóica sobre um homem que se
salva de um acidente aéreo e vê sua
vida virar de pernas pro ar e um gótico
sobre um homem com um aparente trans-
torno mental que afirma conversar com sua
mãe morta.Nada muito complicado nem
original, apenas contos tradicionais bem
desenhados e narrados.

Cotação: ****1/2  de  *****

sábado, 25 de abril de 2009

O Pequeno Príncipe-Resenha de HQ


Adaptação e arte: Joan Sfarr

Sinopse:

Enquanto conserta seu
avião em um planeta deserto e
inóspito, piloto encontra uma
criança que lhe conta sua his-
tória e sua viagem por vários
planetas.

Crítica:
Pode não ser lá muito adequado resenhar
uma obra tão divulgada e conhecida em
um blog dedicado a cultura obscura
e underground;e não seria mesmo, não fosse
a presença de um dos mais renomados e
idiossincráticos artistas da atualidade.
Joan Sfarr é um fenômeno na França e
um dos líderes da nova geração de ar-
tistas das HQ's franco-belga. Mesmo  
não sendo considerado um artista "autoral"
Sfarr imprime um estilo e visão inconfundíveis
em suas obras. Seu traço "apressado e deslei-
xado", seu humor offbeat e quase surreal também
estão presentes nesta obra que nas mãos de um
mero profissional poderia se tornar mais uma
adaptação convencional e burocrática. Um dos
maiores méritos desta adaptação foi a "solução"
encontrada pelo artista em imprimir um ritmo, visão
e estilo próprios, sem diluir a essência do texto.
Enquanto algumas adaptações pecam por uma
previsibilidade tediosa e outras se perdem em
excessos pós-modernos, O Pequeno Príncipe atinge
um equilíbrio e grau de homogeneidade como poucas vezes se viu.
Não satisfeito em meramente "ilustrar" o texto, Sfarr
optou por "acrescentar" mais uma camada em uma obra por si
só riquíssima, resultando em duas visões
(artista e escritor)que não só não se chocam
como se completam.
Comovente,doce, profundo e com boa dose de quirkness e es-
tranheza, O Pequeno Príncipe é uma obra para ser
lida e relida.

Cotação: ***** de *****

The End of the Story (1929)-Clark Ashton Smith-Resenha de Conto


Sinopse:

No século XVIII, em uma região semelhante
a França medieval, jovem estudante a ca-
minho da casa do pai, visita um isolado
monastério onde é recebido por um sim-
pático e caridoso abade que lhe revela
em uma fabulosa biblioteca ancestral
uma gaveta secreta com livros e manuscritos
raros, dentre eles um estranho diário 
forrado em couro negro, sem título, que
conta a história de uma cavaleiro prestes 
a se casar que adentra a varanda de um 
antigo castelo próximo ao monastério
e desaparece misteriosamente após
descer um porão na parte externa do 
castelo. Ao terminar a leitura do diário
com a narrativa incompleta, o relato 
inflama sua curiosidade e ignorando 
os avisos dos monges acaba por 
visitar as ruinas do castelo.


Crítica:

A carreira do poeta, pintor, escultor e ficcionista norte
americano Clark Ashton Smith foi marcada por muitas 
ironias e infortúnios.Criança precoce, desde cedo
demonstrou intimidade com as palavras e chegou, por 
curto período, a ser considerado uma das maiores pro-
messas poéticas dos anos vinte.Como poesia alimenta a 
alma mas não enche barriga, pobre, e com 
os pais para sustentar,decide, em parte pelo 
incentivo de amigos, a direcionar sua pena para a mais
lucrativa produção de contos.
No final dos anos vinte começa a escrever furiosamente
e encontra espaço nos magazines de FC do Gernsback
para quem escreve uma série de contos de FC interpla-
netária e para a Weird Tales seu horror e fantasia 
decadente.
Ao contrário do seu amigo Lovecraft, ainda em vida teve a 
quase totalidade de sua obra poética e contística
publicada (em sua maioria pela lendária editora Arkham House)
para logo cair no quase esquecimento numa espécie 
 "limbo literário". Mesmo sendo considerado pelos 
especilaistas e conoissieurs como o grande escritor 
da Weird Tales dos anos dourados juntamente com
o Lovecraft e Robert E. Howard, ainda hoje é um 
escritor CRIMINALMENTE subestimado.
Nos últimos cinco anos, vários iniciativas de editoras 
independentes têm contribuido para manter a chama 
do interesse acesa e acredito que isso contribuirá 
para seu reconhecimento.
The End of the Story foi o primeiro conto do ciclo
conhecido como Averoigne.Às vezes injustamente 
considerado por uma parcela como um ciclo mais fraco
quando comparado as grotesquerias e humor jocoso do 
Hyperborea e o decadentismo exótico, descontrolado
e extravagante de Zothique, Averoigne é certamente 
mais "light", accessível e convencional (em parte pelo
uso de símbolos e ícones sagrados do fantástico 
e pelo verniz de romantismo medieval) mas nem 
por isso menos fascinante (Averoigne é Smith com
um pé no freio). O que o separa e distingue da 
weird fiction mais tradicional em seu uso vampiros, 
lobisomens etc., é o seu sense of beauty e hábil uso
de alguns elementos da mitologia greco-romana.
Pela sua acessibilidade, romantismo poético e um 
e um original uso de ícones do fantástico tradicional
e mitologia clássica, The End of Story não só é um 
ponto de partida ideal para quem quiser conhecer
esse belíssimo ciclo, como também um bela introdução 
ao trabalho deste escritor extraordinário.

Cotação: ***** de *****

domingo, 19 de abril de 2009

J.G. Ballard (1930-2009)-Gênio, Gênio, Gênio ...


Não costumo usar este espaço para news, mas não posso deixar
passar em branco a notícia da morte de um dos meus escritores
prediletos. Em minha opinião um dos maiores estilistas e
visionários que a literatura já conheceu.
Estou me sentindo triste e vazio.

sábado, 18 de abril de 2009

The Franklyn Paragraphs (1967)-Ramsey Campbell-Resenha de conto

Sinopse:
Jovem escritor toma conhecimento
de um livro lendário escrito por um
pseudo filósofo chamado Roland 
Franklin no qual se propõe a libera-
ção da alma, após a morte da carne, 
através da cremação. A procura de
inspiração para seus contos, ele
parte em busca de informa-
ções sobre Franklin e o lendário 
livro, mas após passar por uma
experiência supostamente sobre-
natural em uma biblioteca enquanto
examinava o livro, passa a crer 
na possibilidade da morte do mesmo
e resolve aprofundar sua pesquisa 
e investigação.


Crítica:
A nível de enredo este conto não
difere em nada da maioria dos pas-
tiches lovecrafteanos que assolavam
(e assolam) a weird fiction após a
morte do mestre. Escrito numa época 
em que o autor tentava a todo custo 
se livrar da influência do Lovecraft
(seu primeiro livro é uma coletânea 
de contos lovecrafteanos escritos
em sua adolescência) à procura de 
uma voz e identidade própria, The
Franklin Paragraphs é uma estupen-
da fusão dos mitos com o estilo que
o autor iria aprimorar no final da década.
Estruturalmente complexo, repleto de 
referências (de citações ao Augusth Derleth 
a personagens como Robert Blake do
conto Haunter of the Dark), comentá-
rio social e um approach ousadamen-
te pós moderno, Ramsey Campbell 
se coloca na pele do narrador em 
primeira pessoa que, por meio
da troca de correspondências com 
seu amigo escritor Errol Undercliff,
toma conhecimento de um lendário
livro e do seu grau de envolvimento
com o autor.
TFP é uma rica tapeçaria bizarra
auto referencial, generosa em referências 
e com múltiplas camadas de significado.
Ao mesmo tempo que dialoga com
o clássico The Call of Cthulhu atra-
vés da utilização de cartas e recor-
tes de jornal que confere a obra uma 
espécie de "realismo documental", 
examina o processo criativo e a va-
lor da ficção "como" ficção.
O Campbell ficcional (narrador do conto),
Undercliffe e Franklin são na verdade,
partes distintas e componentes da 
personalidade do Ramsey Campbell real.
Naturalmente é impossível falar sobre
todas as qualidades deste conto notável,
basta apenas deixar registrado que graças a 
mestres consumados como o Nicholas Royle, 
Thomas Ligotti e o próprio Campbell a 
chama dos mitos continua acesa.

Cotação: ***** de *****

Police Comics # 4-Plastic Man:Crime School For Delinquent Girls-Resenha de Hq


Roteiro e arte: Jack Cole

Sinopse:
Grupo de garotas delinquentes são
treinadas por uma gangster em uma
fazenda para enfrentar uma gang rival
na cidade grande e tomar conta do
crime organizado.


Crítica:
Os três contos iniciais do Plastic Man
lançados nos números anteriores da
Police Comics já demonstravam toda
a originalidade e excentricidade do per-
sonagem, mas ainda eram um tanto tí-
midos e comparativamente compor-
tados; o primeiro número em especial,
que conta a história de como o gangster
Eel O'Brien se transforma no Plastic
Man após um acidente com ácido que
modifica sua composição química e
altera a elasticidade de sua pele, têm
um desenvolvimento aprupto e
apressado (o espaço inicial de apenas 
seis páginas por conto também não
ajuda muito). Acho que, a partir desta quarta
aventura, o Cole realmente começa a tirar o 
pé do freio e começa, como um caminhão
desgovernado, a dar asas a sua imaginação
visual e virtuosismo gráfico. 
Mesmo neste primeiro estágio nota-se a in-
fluência que o Eisner iria excercer em sua 
obra:seja pela splash page, quantidade de
informação gráfica por painel, expressões 
faciais de cunho caricatural e um tanto "rubbery"
ou pelo criativo uso de ângulos (embora neste
aspecto o Cole seja menos cinematográfico
que o seu contemporâneo).
Se o Cole é capaz de criar um conto tão energético
e inventivo em seis páginas, não imagino o que
ele é capaz de fazer com o dobro de páginas.


Cotação: ***** de *****

sexta-feira, 10 de abril de 2009

The Fungal Stain And Other Dreams-Resenha de livro

Pugmire's short and flash fiction is one of the
most atmospheric, poetic and literate being published today.
His highly sensitive stories are "mystical" journeys 
through emotional, psychological and spirituals 
landscapes that leaves a deep and lasting
impression on readers.
Expertly mixing elements of 19th century decadent 
literature, classic horror authors like Henry James, 
vintage lovecraftean weird fiction, goth/punk 
subculture and modern angst, Pugmire's work is one
of the most idiosyncratic and original of the last fifteen 
years.
Pieces like The Hour of Their Appetite, Jigsaw Boy and
The Sign That Sets the Darkness Free are beautiful poetical
short-shorts of existencial anguish and gentle nihilism,
while the femme fatale short story The Fungal Stain
is an accomplished and wholly original mix 
of aesthetic decadence with elements of classic, traditional 
weird fiction.
If you like your weird fiction with a poetical bent, gentle 
obfuscation, sly humour and a decadent sensibiliby, 
do yourself a favor and read Mr. Pugmire.

Cotação: ***** de *****

Journey Into Mystery # 1 - Resenha de HQ

Na primeira metade da década de 50, a len-
dária editora E.C. Comics lança-
va os primeiros números de uma 
série de revistas que iriam influênciar
a cultura pop americana de maneira 
imensurável. Ainda que suas
revistas de guerra (Two-Fisted Tales
e Frontline Combat), crime (Crime 
Suspenstories) FC (Weird Science 
e Weird Fantasy) continham histórias de
altíssimo nível, seus best sellers eram
a trinca de horror Tales from the Crypt,
Vault of Horror e Haunt of Fear. Quando
as editoras concorrentes perceberam 
"algo de novo no ar" gerou-se uma febre
de horror e uma exurrada de publicações
que ia da mais pura imitação (Chamber Of 
Chills) a produtos mais "autorais" (The Strange
World of Dreams). Ainda que alguns gibis de 
horror da Atlas (futura Marvel) tenham sido
lançados antes do boom iniciado pela 
E.C. é inegável que a editora pegou 
carona na febre ao ponto de colocarem nas
prateleiras nada menos que dezesseis (!!!) 
revistas do gênero.
Minha primeira impressão do material da Atlas
não difere muito da de outros leitores. A meu
ver o grande pecado destas histórias é a quali-
dade dos roteiros (escritos em sua maioria por
um Stan Lee em início de carreira) que quase
sempre deixa a desejar quando não descambam
para o patético total; portanto o que resta é a ar-
te e nesse quesito digo sem medo de ser feliz:
se existe uma mística e fascínio por trás destas
histórias, estes se sustentam quase que exclusiva-
mente pelos seus artistas e capistas. Todo o tom 
e atmosfera é gerado pelos traços geralmente sujos,
fortes e com muita sombra e nesse ponto é ne-
cessário que se corriga uma injustiça histórica: se os
gibis da E.C. são sem sombra de dúvidas os melho-
res da década, se faz necessário ressaltar o fato
de que a Atlas, em matéria de desenhos, não fica
muito atrás. O interessante é que por vezes se atinge
uma espécie de "desequilíbrio artístico" entre a 
arte sinistra e "adulta" e os temas e roteiros preví-
síveis e por vezes anticlimáticos e infantilóides. 
Mesmo com estes defeitos a leitura se revelou
extrememente prazeirosa.


One Foot in the Grave

Sinopse:
Florista contrata mendigos para roubar
flores de túmulos com o intuito de re-
vendê-las em sua loja.

Crítica:
Conto agradável com um delicioso
clima cheesy (característca do horror
da atlas) e muito humor involuntário
O final fica entre o patético e infanti-
lóide.

Cotação: **** de *****


The Clutching Hands!

Sinopse:
Escritor invejoso mata seu colega 
de profissão em um navio abando-
nado e passa a ser perseguido pelo
fantasma assassino das mãos do morto. 
Condenado pelo assassinato do seu editor
e sentenciado a forca, vê como último
recurso a exumação do corpo do edi-
tor a fim de provar a ausência de impressões
digitais, mas no úlimo momento antes da 
exceução uma surpresa o aguarda.


Crítica:
O horror da Atlas consiste basicamente
de clichês e imagética tradicional oriunda
da literatura de horror clássica, programas
de rádio, pulp fiction e FC clássica da
Weird Tales e concorrentes; nada de
muito ousado, subversivo ou inovador
em sua concepção e excecução. Portanto,
o grau de sucesso destes contos formu-
laicos depende de quão bem exceutadas
essas idéias são, e no caso deste conto (
o melhor da edição) o resultado é muito
acima da média. Texto envolvente e mara-
vilhosa arte fazem de TCH um mini clássico
cheesy.

Cotação: ****1/2 de *****


Haunted

Sinopse:
Homem misterioso adentra uma 
mansão abandonada com o 
intuito de fixar residência e 
tenta expulsar os futuros moradores.

Crítica:
A arte deste conto é pura atmos-
fera gótica, o plot é um tanto opaco 
mas têm um final que pega o leitor
meio que desprevenido.O engraçado
é que a história exala um clima de 
horror infanto juvenil com uma imagé-
tica nos últimos paínéis que se apro-
xima dos desenhos animados.


Cotação: ***1/2 de *****


It Can't Miss

Sinopse:
Assassino se apossa da identidade
de um sósia morto e passa a viver
em sua casa. Quando ele é
convidado para um banquete vê sua
indentidade ameaçada.

Crítica:
Contos envolvendo troca de identidade 
e insanidade têm excelente potencial
para boas surpresas e muita tensão. 
Este peca por um argumento capenga 
e excecução opaca.

Cotação: **1/2 de *****


The Iron-Head 

Sinopse:
Assassino arranja emprego como
marinheiro e depois de explodir
um navio vai parar numa ilha de
canibais que passam a encará-lo
como um Deus por causa do 
capacete de mergulho.

Crítica:
Basta dar uma lida no meu resumo para 
se têr ideia do nível deste conto.Que diabos
passava na cabeça destes roteiristas para
conceber pérolas deste calibre?
A arte do Dick Ayres o salva da ruindade absoluta!

Cotação: ** de *****

The Invaders: Beachead-Resenha de episódio

Sinopse:
Após observar o pouso de uma espaçonave
em uma área isolada dos EUA, o arquiteto
David Vincent procura auxílio em uma ci-
dadezinha mas é ridicularizado e perseguido.
Ao encontrar o endereço de um casal que se
encontrava próximo à região do pouso em
um vilarejo abandonado, o mistério se adensa
quando ele adentra uma área proibida do
vilarejo e descobre uma espécie de base 
alienígena equipada com máquinario de função
desconhecida. Confuso e com estranhos em seu
encalço ele pede auxílio a um amigo que parece
ser a única pessoa que acredita em sua história.


Crítica:
Os Invasores é uma série clássica dos anos
60 que infelizmente não ficou tão conhecida
quanto as produzidas pelo Irwin Allen, o que
é lamentável, pois Invaders não só é muito 
superior em vários aspectos como, a meu 
ver, apesar de alguns elementos datadíssimos,
envelheceu muito melhor e pode ser vista
sem trincar os dentes e arrancar os cabelos.
Sim, têm lá seu charme tosco e camp mas 
têm roteiros superiores e o conceito central
é tratado com um grau de "'seriedade"
praticamente ausente nas séries do Allen 
após as temporadas iniciais de Viagem ao Fundo 
do Mar e Perdidos no Espaço.
Se por um lado, a limitada idéia central de 
um homem perseguido por alienígenas ao
mesmo tempo em que tenta desmas-
cará-los não oferece fôlego para várias
temporadas, Os Invasores, nas duas temporadas
que durou, marcou época justamente pela 
habilidade na exceução desta idéia. 
Beachead é o piloto e um perfeito ponto
de partida para quem não conhece a série,
já com todos os elementos que a transformaram
num artefato cult: roteiros simples, claros e pre-
cisos; direção (neste episódio) leve, fluída e segura
do Joseph Sargent que imprime um excelente 
ritmo a narrativa enquanto manipula habilmente  
a tensão e paranóia Dickeana (as marcas 
registradas da série) e claro, a presença caris-
mática do ator Roy Thinnes no papel do arquiteto 
David Vincent.
Beachhead não vai mudar sua vida, mas se você
gosta de uma FC old-fashioned narrada
com vigor e boas doses de tensão, atmosfera
e paranóia pode mergulhar de cabeça.

Cotação: ***** de *****

sábado, 4 de abril de 2009

Classic Fantasy & Classic Fairy Tales-Reading list



CLASSIC FANTASY & CLASSIC FAIRY TALES:

LORD DUNSANY:

The Gods of Pegana (The Gods of Pegana)
Time and the Gods (Time and the Gods)
The Coming of the Sea
A Legend of the Dawn
The Vengeance of Men
When the Gods Slept
The Jest of the Gods
The Dreams of a Prophet
Mlideen
The South Wind
For the Honour of the Gods 
Beyond the Fields We Know
The Sword of Welleran (The Sword of Welleran and Other Stories)
The Fall of Bubbulkund
The Kith of the Elf-Folk
The Ghosts
The Hurricane
The Fortress Unvanquishable, Save for Sacnoth
On the Dry Land
Poltarnees, Beholder of Ocean (A Dreamer´s Tales)
Bladgaross
The Madness of Andelsprutz
Idle Days on the Yann
The Sword and the Idol
The Hashish Man
The Beggars
Carcassonne
The Unhappy Body
The Bride of the Man-Horse (The Book of Wonder)
The Distressing Tale of Thangobrind the Jeweller, and of the Doom that Befel Him
The House of the Sphinx
The Probable Adventure of the Three Literary Men
The Hoard of the Gibbelins
Chu-Bu and Sheemish
The Wonderful Window
The Assignation + prose poem selections (Fifty-One Tales)
A Tale of London (The Last Book of Wonder)
Thirteen at Table
The Bad Old Woman in Black
The Bird of the Difficult Eye
The Secret of the Sea
The Bureau d'Echange de Maux
A Narrow Escape
The Watch-Tower
The Three Infernal Jokes
The Last Dream of Bwona Khubla (Tales of Three Hemispheres)
How the Gods Avenged Meoul Ki Ning
The Gift of the Gods
The Sack of Emeralds
An Archive of the Older Mysteries
A City of Wonder
Beyond the Fields We Know:
 First Tale: Idle Days on the Yann 
 Second Tale: A Shop in Go-By Street 
 Third Tale: The Avenger of Perdóndaris 



A.E.COPPARD:

Adam and Eve and Pinch Me #
Arabesque - The Mouse #
Piffincap #
Clorinda Walks in Heaven #
The Elixir of Youth #
The Quiet Woman #
++++++++++++++++++++++++
Weep not my Wanton
The Dusky Ruth





HANS CHRISTIAN ANDERSEN:

The Steadfast Tin Soldier
The Snow Queen #
The Little Mermaid #
Thumbelina #
The Little Match Girl
The Ugly Duckling #
The Red Shoes #
The Shadow #
Tinder Box
The Emperor's New Clothes
The Princess and the Pea
The Nightingale #
The Wild Swans #
Ole Shut Eye
The Shadow #
The Bells #
The Flying Trunk #
The Old House#
Clod Hands
The Bottle #
The Butterfly #
The Gardener and His Master
The Professor and the Flea



FRITZ LEIBER (Fafhrd and the Gray Mouser):

The Jewels in the Forest (The Three of Swords)  
The Bleak Shore #
The Howling Tower #
The Sunken Land #
The Seven Black Priests #
Bazaar of the Bizarre #
The Cloud of Hate #
Adept's Gambit #
The Unholy Grail #
Lean Times in Lankhmar
When the Sea-King's Away



OSCAR WILDE:

Lord Arthur Savile's Crime #
The Canterville Ghost #
The Happy Prince #
The Nightingale and the Rose #
The Selfish Giant #
The Fisherman and His Soul #
==========================
The Star-Child 
A House of Pomegranates 
The Remarkable Rocket


BROTHERS GRIMM:

Rumpelstiltskin
Snow White
Sleeping Beauty
Rapunzel
Cinderella
Hansel and Gretel
Tom Thumb
Bremen Town Musicians
The Fisherman And His Wife
The Little Tailor
The Jew Among Thorns
The Frog King
The Three Little Man in the Woods
The Seven Ravens
Little Red Riding Hood
Fitcher's Bird
The Hand With the Knife
The Stubborn Child
Rose



MISCELLANEOUS CLASSIC FANTASY AND CLASSIC FAIRY TALE:

The King of the Golden River (The Victorian Fairy Tale Book)
The Rose and the King
The Magic Fish-Bone
Melilot
The Little Lame Prince and His Travelling Cloak
The Golden Key
Roickng-Horse Land
The Reluctant Dragon
The Deliverers of Their Country
Peter Pan in Kensigton Gardens

The Preserving Machine (1952)-Philip K. Dick-Resenha de conto


Sinopse:
Cientista excêntrico preocupado com o
futuro das artes musicais cria uma
máquina capaz de converter música
em animais com o intuito de preser-
vá-las para gerações futuras.
Quando ele resolve explorar o parque
florestal descobre que as criaturas
musicais transmutadas descambaram para
um estágio evolucionário decadente e bizarro.
Chocado com a descoberta decide reconverter
uma das criaturas para sua forma original
de partitura musical mas ao excecutá-la
em um piano tem uma surpresa.

Crítica:
Taí um belo exemplo de como uma idéia
absurda pode se transmutar em ouro
nas mãos de um escritor humano e sensí-
vel. Tendo baixas expectativas após ter
lido o fraco conto The Short Happy Life
of Brown Oxford (ambos apresentam um
simpático e excêntrico cientista de nome
Dr. Labyrinth), TPM me surpreendeu
positivamente e certamente se coloca entre
os melhores contos escritos em sua primeira
fase.
Só mesmo o Dick é capaz de pegar um conceito
totalmente oddball e outré (para não dizer ridículo)
e transformá-lo em uma sensível e inteligente
alegoria darwinista. Apesar da atmosfera cozy
e do lightness of touch, TPM é no fundo um conto
sobre os custos da mudança e adaptação.
Leve, hilário e divertido, mas também inteligente e
instigante, TPM é uma pequena pérola Dickeana.


Cotação: ****1/2 de *****

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Creepy Archives Vol.1 - Resenha de HQ


Quando a editora americana Dark Horse
anunciou uma série de encadernados
de luxo compilando os primeiros
números das revistas Creepy e Eerie 
da lendária editora Warren Publishing,
não fui imediatamente fisgado pela 
pelo desejo de adquirí-los. O altíssimo 
preço cobrado por estes archivals 
hardcovers, mesmo com os generosos
descontos fornecidos por lojas virtuais como
a amazon, somado ao fato do meu 
desconhecimento da qualidade 
do material publicado nestes primeiros
números diminuíram o meu entusiasmo.
Nunca fui um leitor assíduo da revista 
Kripta (que publicava o material da
Warren no Brasil nos anos 80) pelo 
simples fato de não têr tido acesso
ao material, mas, a uns anos,
comprei alguns números no leilão virtual
a peso de ouro e do pouco que li me deixou
uma ótima impressão, e, para falar a verdade
nunca tinha lido, até aquela época,
material de horror publicado
no Brasil com a mesma qualidade gráfica
e textual (ainda que a qualidade das edições e 
traduções deixem a desejar). Ao que me consta,
este material publicado na Kripta (por favor, me corrijam
se eu estiver errrado) corresponde as edições
americanas da segunda metade dos anos setenta.
Seduzido pelos meus ilustradores preferidos da E.C.
Comics acabei comprando o primeiro volume da
série e apesar de ainda estar sentindo a facada
do preço, não só não estou arrependido como 
coloquei os próximos números no topo de minha
lista de prioridades, sacrificando um monte de 
material que estava doido para lêr (Eisner,
Cole, Mignola, para o fim da fila!!!).
A qualidade deste hardcover é de saltar aos olhos,
e a meu vêr somente comparável aos archivals
da E.C. sendo lançados pela Gemstone Publishing.
Não justifica um preço de capa de cinquenta doletas,
mas são muito superiores, por exemplo, em termos
de qualidade gráfica (papel, qualidade de impressão
e "colorização" dos tons cinzentos), aos encadernados
do Spirit, Plastic Man e outros lançados pela Marvel
e DC e vendidos ao mesmo preço.
As cinco primeiras edições deste encadernado cobrem
o primeiro terço do que ficou conhecido como " a fase de
ouro da Warren" e que, no caso da Creepy, durou dessessete
números antes da editora afundar numa terrível crise finan-
ceira na segunda metade dos anos 60 e consequentemente
perder seu principal roteirista, editor e um time de artistas,
muitos deles oriundos da E.C, que não só eram os melhores 
da época, como os melhores de qualquer época (no final dos 
sessenta a editora dava mostras de lenta recuperação).
Após o término da leitura, apesar de algumas decepções
geradas, talvez, por um excesso de expectativa, o saldo foi mais
que positivo. Não sei se esse material
se iguale ou supere o da E.C. mas, sem sombra de dúvi-
da é o melhor que se publicou em matéria de horror e fantasia
gótica (a FC é comparativamente inferior mas ainda assim de
boa qualidade) desde a censura do Code Comics Authority.
A maioria dos contos seguem a cartilha da
Tales From the Crypt e suas sister publications, usan-
do e abusando de cemitérios, mausoléus, vilarejos atrasados,
fog londrino, coveiros, profanadores de tumbas, castelos, e todo
aquele aparato gótico que se por um lado soa um tanto 
formulaico e repetitivo, para o leitor experiente (independente
da qualidade gráfica e textual), por outro, nos causa aquela deli-
ciosa sensação de visitar um parque de diversões de cidade 
do interior ou um circo de quinta categoria (é sempre a mesma
coisa, mas é sempre bacana!!). 
Como roteirista o Archie Goodwin me parece ocupar 
uma posição meio que secundária quando
comparado a nomes como o Stan Lee ou Marv Wolfman,
mas, a meu ver, merece um lugar de destaque,
pois, enquanto não exatamente influente e
inovador como o Feldstein, demonstra um talento
nato como storyteller e um hábil criador de twists.
Neste ponto se faz necessário mencionar uma
importante diferença em approach e método de
ataque: os melhores contos do Feldstein têm ritmo e ação cinematográficos com
uma profusão textual no box de narrativa e 
balões de diálogo que beiram o absurdo; 
Goodwin, por outro lado, escreve com
notável concisão e economia de estilo.
Se o primeiro pode ser comparado estiliscamente
ao Stephen King o segundo se aproxima
mais do Roald Dahl.
Notável também é a habilidade do Goodwin em adaptar
fielmente clássicos literários do horror adicionando 
cenas e twists perfeitamente em sintonia com o texto
original, sem diluir o produto final. Destaco Tell-Tale Heart
do Poe com uma magnífica "visualização" 
do Reed Crandall e um twist adicional que acaba por intensificar
o horror e senso de culpa do conto original.
Não poderia deixar de mencionar o excepcional time de artistas
deste primeiro volume. Se os roteiros nem sempre funcionam
como deveriam (principalmente aqueles sem a pena do Goodwin),
por outro a arte é sempre de alta qualidade; Al Williamsom, 
Al Mc Williams, Joe Orlando, Alex Toth, Reed Crandall (em minha
opinião o maior estilista e melhor visualizador de clássicos literários dos quadrinhos), Angelo Torres etc. não brincam em serviço e uma 
compilação com seus trabalhos representam o melhor do que se 
produziu nas HQ´s em qualquer época.
Em vários pontos menciono os gibis da E.C. não apenas por serem
comparáveis em qualidade mas também por serem uma influência
confessa pelo seu principal roteirista (com direito até a um guardião
chamado Uncle Creepy); mas existem diferenças significativas.
Os contos mais típicos da E.C. exalam uma crueza, intensidade gráfica, 
densidade textual, visceralidade, atmosfera demencial e sense of
sickness
praticamente ausentes no material da Warren que, por
outro lado, têm um lightness of touch e sense of delicacy
raramente encontrados no horror da E.C.
Estas duas editoras foram responsáveis pelo que
de melhor se produziu em horror sequencial e merecem 
todo o status cult que acumularam ao longo dos anos.


Creepy Archives Vol.1: 


Creepy #1: 

Voodoo! =============================== ***1/2 
H2O World! ============================ ***1/2 
Vampires Fly At Dusk! ================= ****1/2 
Werewolf! ============================= ***1/2 
Bewitched! ============================ **** 
The Success Story ===================== ***** 
Pursuit Of The Vampire! =============== ****1/2 

Creepy #2: 

Fun And Games! ======================== **** 
Spawn Of The Cat People =============== **** 
Wardrobe Of Monsters! ================= ****1/2 
Welcome Stranger ====================== ***1/2 
I, Robot ============================== **** 
Ogres Castle ========================= **** 


Creepy #3: 

Swamped! ============================== ****1/2 
Tell-Tale Heart! ====================== ***** 
Howling Success! ====================== **** 
Haunted! ============================== ****1/2 
Incident In The Beyond!================ ****1/2 
Return Trip! ========================== ****1/2 



Creepy #4: 

Monster Rally! ======================== ****1/2 
Blood And Orchids! ==================== ****1/2 
The Damned Thing! ===================== ****1/2 
Moon City! ============================ **1/2 
Curse Of The Full Moon!================ **** 
The Trial Of Adam Link! =============== ***1/2 


Creepy #5: 

Family Reunion!======================= ****1/2 
Untimely Tomb!======================== ***** 
Sand Doom ============================ ****1/2 
The Judges House! =================== ***** 
Grave Undertaking ==================== **** 
Revenge Of The Beast! ================ ****