sexta-feira, 10 de abril de 2009

Journey Into Mystery # 1 - Resenha de HQ

Na primeira metade da década de 50, a len-
dária editora E.C. Comics lança-
va os primeiros números de uma 
série de revistas que iriam influênciar
a cultura pop americana de maneira 
imensurável. Ainda que suas
revistas de guerra (Two-Fisted Tales
e Frontline Combat), crime (Crime 
Suspenstories) FC (Weird Science 
e Weird Fantasy) continham histórias de
altíssimo nível, seus best sellers eram
a trinca de horror Tales from the Crypt,
Vault of Horror e Haunt of Fear. Quando
as editoras concorrentes perceberam 
"algo de novo no ar" gerou-se uma febre
de horror e uma exurrada de publicações
que ia da mais pura imitação (Chamber Of 
Chills) a produtos mais "autorais" (The Strange
World of Dreams). Ainda que alguns gibis de 
horror da Atlas (futura Marvel) tenham sido
lançados antes do boom iniciado pela 
E.C. é inegável que a editora pegou 
carona na febre ao ponto de colocarem nas
prateleiras nada menos que dezesseis (!!!) 
revistas do gênero.
Minha primeira impressão do material da Atlas
não difere muito da de outros leitores. A meu
ver o grande pecado destas histórias é a quali-
dade dos roteiros (escritos em sua maioria por
um Stan Lee em início de carreira) que quase
sempre deixa a desejar quando não descambam
para o patético total; portanto o que resta é a ar-
te e nesse quesito digo sem medo de ser feliz:
se existe uma mística e fascínio por trás destas
histórias, estes se sustentam quase que exclusiva-
mente pelos seus artistas e capistas. Todo o tom 
e atmosfera é gerado pelos traços geralmente sujos,
fortes e com muita sombra e nesse ponto é ne-
cessário que se corriga uma injustiça histórica: se os
gibis da E.C. são sem sombra de dúvidas os melho-
res da década, se faz necessário ressaltar o fato
de que a Atlas, em matéria de desenhos, não fica
muito atrás. O interessante é que por vezes se atinge
uma espécie de "desequilíbrio artístico" entre a 
arte sinistra e "adulta" e os temas e roteiros preví-
síveis e por vezes anticlimáticos e infantilóides. 
Mesmo com estes defeitos a leitura se revelou
extrememente prazeirosa.


One Foot in the Grave

Sinopse:
Florista contrata mendigos para roubar
flores de túmulos com o intuito de re-
vendê-las em sua loja.

Crítica:
Conto agradável com um delicioso
clima cheesy (característca do horror
da atlas) e muito humor involuntário
O final fica entre o patético e infanti-
lóide.

Cotação: **** de *****


The Clutching Hands!

Sinopse:
Escritor invejoso mata seu colega 
de profissão em um navio abando-
nado e passa a ser perseguido pelo
fantasma assassino das mãos do morto. 
Condenado pelo assassinato do seu editor
e sentenciado a forca, vê como último
recurso a exumação do corpo do edi-
tor a fim de provar a ausência de impressões
digitais, mas no úlimo momento antes da 
exceução uma surpresa o aguarda.


Crítica:
O horror da Atlas consiste basicamente
de clichês e imagética tradicional oriunda
da literatura de horror clássica, programas
de rádio, pulp fiction e FC clássica da
Weird Tales e concorrentes; nada de
muito ousado, subversivo ou inovador
em sua concepção e excecução. Portanto,
o grau de sucesso destes contos formu-
laicos depende de quão bem exceutadas
essas idéias são, e no caso deste conto (
o melhor da edição) o resultado é muito
acima da média. Texto envolvente e mara-
vilhosa arte fazem de TCH um mini clássico
cheesy.

Cotação: ****1/2 de *****


Haunted

Sinopse:
Homem misterioso adentra uma 
mansão abandonada com o 
intuito de fixar residência e 
tenta expulsar os futuros moradores.

Crítica:
A arte deste conto é pura atmos-
fera gótica, o plot é um tanto opaco 
mas têm um final que pega o leitor
meio que desprevenido.O engraçado
é que a história exala um clima de 
horror infanto juvenil com uma imagé-
tica nos últimos paínéis que se apro-
xima dos desenhos animados.


Cotação: ***1/2 de *****


It Can't Miss

Sinopse:
Assassino se apossa da identidade
de um sósia morto e passa a viver
em sua casa. Quando ele é
convidado para um banquete vê sua
indentidade ameaçada.

Crítica:
Contos envolvendo troca de identidade 
e insanidade têm excelente potencial
para boas surpresas e muita tensão. 
Este peca por um argumento capenga 
e excecução opaca.

Cotação: **1/2 de *****


The Iron-Head 

Sinopse:
Assassino arranja emprego como
marinheiro e depois de explodir
um navio vai parar numa ilha de
canibais que passam a encará-lo
como um Deus por causa do 
capacete de mergulho.

Crítica:
Basta dar uma lida no meu resumo para 
se têr ideia do nível deste conto.Que diabos
passava na cabeça destes roteiristas para
conceber pérolas deste calibre?
A arte do Dick Ayres o salva da ruindade absoluta!

Cotação: ** de *****

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