quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mini-conto e Flash Fiction contemporânea Parte 1





Crítica:
O Mini-conto e flash fiction
na literatura fantástica ocupa uma
posição um tanto incômoda. Ad-
mirado por alguns, excecrado por
outros, é geralmente considerado
entretenimento frívolo, nada mais
que anedotas e piadinhas cujo
efeito se dissipa tão logo se termine
a leitura. Não é de todo inacurado
classificá-los desta maneira, mas 
em mãos habilidosas este formato 
ganha surpreendentes nuances 
e contornos que os eleva (em alguns 
casos) a um patamar acima do mero
entretenimento.
Vários escribas do fantástico exercitaram
a pena pelo menos uma vez neste
formato, mas pode se contar nos dedos 
aqueles que realmente dominam a forma.
Ambrose Bierce, Fredric Brown, Maurice
Level e Patricia Highsmith me vêm a mente
como exemplos de mestres consumados;
na encruzilhada entre a flash fiction, pro-
sa poética e o conte cruel (território
ficcional do já citado Level)
poderíamos citar o Thomas Ligotti,
Thomas Wiloch e W.H. Pugmire.
Com a proliferação de publicações on-line,
o formato ganhou um lugar mais adequado (ainda
que a maioria dos contos e autores resenhados
neste post tenham sido retirados da compilação
"365 Scary Stories!") e no momento goza de 
bastante popularidade na net.
Neste post vou relacionar, com breves comentár-
ios alguns autores que a meu ver se sobressaem
neste formato.

D.Harlan Wilson-Wilson é um
dos líderes e talvez o mais
cerebral dentre os autores do
movimento literário conhecido
como Bizarro (prefiro defini-lo
como New Absurdism). Dono
de um estilo extrememente polido
e um maravilhoso wit, suas 
vinhetas demonstram uma forte in-
luência dos absurdistas clássicos
mas com um edge moderno. É 
Kafka, Vonnegut Jr., Philip K.Dick
e William Burroughs no mesmo 
pacote.

Michael Arnzem- Arnzem é o rei sem coroa do
micro conto e talvez o único comtemporâneo
a se equiparar com o Bierce e Brown. Seu 
estilo é uma mistura insana e amalucada de gore, 
goulishness, humor negro e farsesco, cinismo,
existencialismo, pathos... não me perguntem 
como ele consege unir elementos tão díspares,
mas funciona!! Em meio ao caos e pesadelo cômico 
espreita um artista com uma habilidade incomum
com as palavras. Delicioso.

Brian McNaughton-McNaughton é o
autor do premiado The Throne of
Bones, considerado um
dos grandes clássicos da dark fan-
tasy contêmporânea. Após a leitura
destes 13 minicontos só me resta ir
atrás rapidinho de Thrones.
Dono de um estilo compacto,
rico em detalhe, cor e nuance,
e um senso de humor ácido e ferino,
remanescente dos fantasistas clás-
sicos do mainstream como o
John Collier e Saki, Mcnaughton
é um mestre consumado da narrativa curta
e certamente um dos poucos estilistas
a surgir no horror nos últimos 15 anos (sua
morte prematura é de se lamentar).

2 comentários:

Alvaro disse...

Sou fã de microcontos. Creio que a internet favorece este tipo de literatura, já que os internautas normalmente são rápidos na leitura e dificilmente se detém num enredo mais longo.

Ramon Bacelar disse...

Sim. A net é um lugar ideal e o que não faltam são sites com este tipo de material.
Agora, meio purista que sou, ainda prefiro lê-los no papel (((==:::