domingo, 17 de maio de 2009

Mini conto e flash fiction contemporânea parte 3



D.F. Lewis- Lewis é um pequeno mestre da
vinheta surreal. Insanamente prolífico
e muitas vezes auto-indulgente, suas
melhores estórias demonstram
um refinamento e sofisticação incomuns.
Profundamente britânico.


W.H. Pugmire-Dentre os escritores de 
ficção lovecrafteana não existe nada 
remotamente semelhante aos contos
do Pugmire. Menos preocupado em
criar mais um livro oculto proibido,
ou um novo deus de nome exdrúxulo,
seus contos e flash fiction são acima
de tudo viagens emocionais e espirituais
embalados em prosa suave e macia 
como seda.The Hour of Their Appetite
nos conta a estória de um ator famin-
to e desempregado que, ao entrar num
cinema decrépito, acaba por servir de 
alimento a deuses famintos. Em 
The Jigsaw Boy um homem sem 
coração a procura de sua humanidade
perdida encontra sua salvação (ou
danação dependendo do ponto 
de vista) na corrente de um rio.
Em The Sign That Sets the Darkness
Free, um deficiente vocal é atraído
por uma estranha melodia no pátio
de uma igreja, e lá encontra a chave
para sua salvação e o caminho para
o desejo do seu coração.
Meus resumos não fazem jus a 
beleza e riqueza simbólica destes 
micro contos. 
Mais difícil que ficção 
lovecrafteana de qualidade (além do
mero pastiche) é encontrar tamanha 
delicadeza e sensibilidade neste tipo
escrita. Pugmire não só o faz como 
talvez seja o único. 
Talvez seu estilo poético e atmos-
férico e seu foco em emoções
e imagética espectral seja muito
outré para leitores mais interessados
em enredos bem estruturados e 
prosa impessoal, mas a minha aposta
é que sua obra daqui a uns anos
ocupará um lugar de destaque na 
weird fiction contemporânea.

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