quarta-feira, 29 de julho de 2009

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A page/servidor que hospeda as imagens do Maquinário da Noite está, segundo nota
do webmaster,temporariamente fora do ar.Peço paciencia e compreensão de todos.

Devir relança clássico da FC brazuca em volume único


TRILOGIA PADRÕES DE CONTATO

Novamente nas livrarias, pela primeira vez em um único volume, a obra mais ambiciosa da ficção científica brasileira

Autor: Jorge Luiz Calife
Capa e ilustrações internas de Vagner Vargas
Editora: Devir Livraria
Selo Pulsar, 644 páginas, formato 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-7532-332-8
Preço recomendado: R$ 52,50

De autoria de Jorge Luiz Calife, a Trilogia Padrões de Contato é formada pela união dos romances Padrões de Contato (1985), Horizonte de eventos (1986) e Linha terminal (1991), e conta com ilustrações e capa do premiado ilustrador Vagner Vargas. O livro conta ainda com uma introdução de Marcello Simão Branco, co-editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica.
A história começa no século XXV, quando a humanidade domina a natureza com o uso da tecnologia, habita casas atmosféricas flutuantes e vive uma era de hedonismo e tranquilidade econômica e social. Empreiteiros espaciais disputam mega-projetos de ultratecnologia e dividem o Sistema Solar entre si de acordo com seus interesses. Golfinhos mantêm contato telepático com uma inteligência galáctica de bilhões de anos, a Tríade, guardiã da segurança da humanidade. Mas tudo começa a mudar com a chegada do Batedor, uma sonda de uma civilização distante que oferece testemunho de como o destino da humanidade deve ser entre as estrelas.
No século XXVI, A humanidade tenta encontrar saídas para a colonização estelar. Tensões aumentam entre aqueles que desejam manter a pureza do corpo humano, os que se querem a fusão com a máquina, e os que buscam a simbiose com organismos geneticamente manipulados. Baleias trabalham na construção civil em Europa, a lua de Júpiter, e jovens simbiontes conseguem flutuar no vácuo sem trajes espaciais. Contudo, um problema de preservação ambiental pode limitar a construção de um novo porto espacial de grande importância para a Terra.
No século XXVIII, a ultratecnologia trouxe a felicidade? Não para um grupo de transcendentalistas que enviam apelos ao espaço com radiotelescópios. Para eles, a Tríade tem a solução — a fusão de mentes individuais à sua matriz cristalina, unindo a espécie humana à sua consciência coletiva ancestral.
Angela Duncan é a protagonista dessa aventura inacreditável, que recebe da Tríade os dons da imortalidade e a juventude eterna. A saga avança com a descoberta de uma nave de gerações tripulada por brasileiros e vítima de uma cruel ditadura militar, uma guerra com parasitas espaciais, jornadas por de um buraco negro até o passado da Terra, e a resolução do mistério da Tríade.


Com este lançamento de caráter inédito no contexto da ficção científica brasileira, a Devir torna novamente disponível um dos clássicos nacionais do gênero e sua obra mais ambiciosa. Ou como o jornalista Marcello Simão Branco afirma na introdução:

“A publicação dos três livros num único volume é importante, pois os resgata e valoriza perante um novo conjunto de leitores. Torna nova¬mente acessível uma obra que é o clássico de sua geração histórica. Ca¬life já foi chamado de ‘pai da ficção científica hard brasileira’, e não vejo isso com exagero. Pois, de fato, influenciou outros autores a também investirem na seara hard da FC, tornando-a, entre meados dos anos 80 a meados dos 90, uma das áreas mais exploradas pelos autores brasileiros. Embora nenhum deles com a inspiração e riqueza desta obra.”

A ficção científica hard é aquela mais característica do gênero, na qual as ciências exatas e a alta tecnologia são mais evidentes e importantes para a narrativa.


SOBRE O AUTOR:

Jorge Luiz Calife, nasceu em 1951, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos fundamentais na Escola Estadual Alagoas, no bairro de Pilares. Em 1978, depois de desistir do curso de engenharia, Calife começou a estudar jornalismo na Faculdade de Comunicação Hélio Afonso.
Sua faculdade foi cenário de um curioso episódio: depois de ler uma matéria sobre Arthur C Clarke, autor da obra prima que deu origem ao filme 2001 – Uma odisséia no espaço, dirigido por Stanley Kubrick, na qual o autor inglês dizia estar encerrando sua carreira de escritor, Calife, enviou-lhe uma carta com um resumo de seu conto 2002, que era uma espécie de continuação da obra de Clarke, junto com um pedido para que reconsiderasse sua decisão de encerrar sua carreira. Depois de um mês, Calife recebeu uma resposta de Clarke dizendo que havia gostado das idéias e que as mostraria a Kubrick. Em 1982, foi publicado o romance 2010: Uma Odisséia no Espaço II, que toma como ponto de partida o conteúdo do conto de Jorge Luiz Calife. Em 1984, foi lançado o filme baseado no romance, 2010: O Ano em que Faremos Contato, mas com direção de Peter Hyams.
Durante toda sua vida, Calife tem se dedicado ao estudo das viagens espaciais, e ele acompanhou todas as missões espaciais desde 1960. Essa fascinação com o universo espacial incentivou-o a traduzir obras já conhecidas e de sucesso nos Estados Unidos, escritas por autores como Arthur C. Clarke e Isaac Asimov, como também a série Duna de Frank Herbert.
Em 1985, Calife lançou seu primeiro romance, Padrões de Contato, a primeira parte de uma trilogia com o mesmo título. Em 1986, publicou o segundo volume que recebeu o nome Horizonte de eventos. Mesmo como jornalista ele já demonstrara seu interesse pelo desconhecido, durante sua passagem pelo Jornal do Brasil (1985-1993), onde era repórter da editoria de ciência. Chegou trabalhar em outros jornais, e escreveu também para a Revista Geográfica e o Jornal da Manchete, ambos extintos hoje.
Foi somente em 1991 que Calife encerrou sua trilogia com o livro Linha Terminal, que lhe rendeu o Prêmio Nova da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica. Desde 1996, ele escreve para o caderno Cultura & Lazer do Dário do Vale de Volta Redonda, cidade onde reside.
Em 2004, publicou três livros e iniciou sua carreira na área da literatura infantil.



“Agradeço ao Sr. Jorge Luiz Calife, do Rio de Janeiro, por uma carta que me fez pensar seriamente numa possível continuação [de 2001: Uma Odisséia no Espaço]”

Como este agradecimento inserido em 2010: Uma Odisséia no Espaço II, Arthur C. Clarke colocou o brasileiro Calife no mapa da ficção científica mundial, abrindo a ele as portas para escrever a Trilogia Padrões de Contato.

Algumas opiniões sobre Jorge Luis Calife e seu trabalho:

Um brasileiro imaginativo, bem informado e irreverente, capaz de lidar com a ficção científica tão bem quanto os melhores autores estrangeiros do gênero.
— Miriam Paglia Costa, Veja.

Os romances de Calife são os primeiros a combinar a escala épica do mito, sense of wonder, e a crença na tecnologia no Brasil... Ele representa uma nova espécie de escritor de ficção futurista no Brasil, que explora questões sociais, ecológicas e políticas, ao mesmo tempo que especula sobre a colonização do espaço e novas tecnologias... Calife ultrapassa os limites dos escritores anteriores do gênero, ao criar um mundo no qual a tecnologia, quando associada a uma consciência social e metafísica, abre um novo conjunto de possibilidades para o futuro.
— M. Elizabeth Ginway, autora de Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro

Dono já de um estilo, Calife manipula os ingredientes próprios do gênero com precisão... sem os artificialismos que tanto prejuízo trazem a grande parte dos volumes que em todo mundo se imprimem...
— Gumercindo Rocha Dorea


O selo “Pulsar”, da Devir, inclui romances de Orson Scott Card (O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos) e Bruce Sterling (Tempo Fechado), o livro de contos de André Carneiro, Confissões do Inexplicável, e a antologia Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica. O melhor da ficção científica nacional e internacional.


Devir Livraria: Rua Teodureto Souto, 624 - Cambuci - São Paulo-SP, CEP 01539-000
Fone: (0__11) 2127- 8787 - horário comercial
Mais informações: marialuzia.devir@gmail.com
Visite o nosso site: http://www.devir.com.br/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Terminal City-Resenha de HQ


Argumento: Dean Motter
Arte: Michael Lark


Sinopse:
Um ex-artista performático
decadente que trabalha como 
limpador de janelas.Um des-
memoriado com uma valise 
presa a mão que despenca 
de um monotrilho. Uma gangs-
ter perseguida por um policial
obsessivo.Uma misteriosa "dama
de vermelho". Franceses excên-
ticos, robôs serventes, atores 
decadentes, sonâmbulos...
e Terminal City, uma excentri-
cidade art deco de sonhos per-
didos e esperanças mortas.


Crítica:
Terminal City fascina e impressiona:
personagens pulp que a primeira vista 
parecem não passar de estereótipos
caricatos ganham profundidade e 
dimensão pelo elaborado roteiro do
do Dean Motter, que também emprega 
igual esforço e derrama suor em sua visão
dessa monstruosidade arquitetônica que é
Terminal City, uma cidade decadente, a-
meaçadora, corruptora de almas e maqui-
nadora de ilusões que assusta e maravilha,
uma presença constante, predatória que
vive, respira e espera.
Riquíssimo em referências que vão do ex-
pressionismo alemão, construtivismo russo,
cinema noir e uma vasta gama de literatura 
pulp (para não citar um eficiente emprego
de alguns conceitos de psycho-arquitetura),  
TC é um estranho e fascinante híbrido steampunk
retro-futurista cujo conceito, estética, abor-
dagem e método de ataque é tipicamente euro-
peu, o que talvez explique porque esse gibi seja
cultuado, mas não muito popular quando com-
parados a outros gibis da Vertigo.
Ainda que grande parte de TC tenha brotado 
da mente do Motter (premiado designer gráfico
e desenhista) seria injusto não citar a excelente
arte limpa e angular do Michael Lark (quem o 
conhece do seu trabalho com o Demolidor
com sua arte carregada de sombra vai se 
espantar) que consegue traduzir com perfeição
a visão do Motter.
O enredo, ao mesmo tempo vago, complexo e
intrincado, se desenrola de maneira lenta, sem
muita pressa para chegar ao seu destino. Muito
espaço é concedido as caracterizações e o re-
sultado é um gibi focado muito mais nos perso-
nagens que em seu mistério central.
No final muito é deixado no ar, portanto se você
é daqueles leitores que gostam de enredos bem
estruturados com tudo-arrumadinho-e-explicadinho-
no-final tenha em mente que tens que cumprir seu
papel de leitor (parafraseando nosso Machado de
Assis: "detesto o escritor que me diz tudo").
Pela sua originalidade de concepção, fertilidade de
imaginação, ousadia de approach e literacy, 
Terminal City é leitura obrigatória.


Cotação: ****1/2  de  *****

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Marshal Law:Fear and Loathing- Resenha de HQ




Sinopse:
Após um violento terremoto que quase destruiu
São Francisco, a cidade mergulha num caos
de violência, criminalidade e corrupção. Entra
em cena um justiceiro mascarado que trabalha
para o governo com a missão de cobrir a parte
central da cidade habitada por mal feitores e 
gangues de super heróis enlouquecidos pela
guerra. Em meio a esse cenário caótico, um
assassino misterioso conhecido como Hiber-
nante ataca mulheres vestidas como a heroína
Celeste, namorada de Espírito Público, pri-
meiro super herói a alcançar as estrelas e 
símbolo dos ideais e sonho americano.
Em meio a destruição e pancadaria na 
parte central da cidade, Law investiga o 
o caso e passa a crer que por trás do capuz
de papel do Hibernante se esconde o hipó-
crita Espírito Publico.

Crítica:
Marshal Law é um paradoxo: um super herói
durão e violento, caçador de super heróis
durões, violentos... e enlouquecidos (na ver-
dade um pouco mais que seu caçador!!).
Com um conceito tão maluco como esse
Fear and Loathing tinha tudo para ser um 
desastre artístico e comercial, não fosse 
a presença do grande roteirista inglês
Pat Mills (um dos fundadores da revista 
2000AD e autor de obras geniais como 
A Era Metalzóica, Slaine e mais recente-
mente Requiém Chevalier Vampire). A 
grande ironia é que justamente sua
obra mais crítica e ácida aos super heróis 
(e por extensão aos ideais americanos)
foi seu único sucesso comercial no for-
mulaico e conservador mercado americano.
Vindo na esteira do sucesso de Watchmen,
Law infelizmente acabou meio que sendo
ofuscada pela genial obra do doidão de 
Northampton. Assim como Moore, Mills
nos joga numa américa distópica e caótica,
onde a entropia anda a passos largos e a so-
ciedade caminha em direção da aniquilação
e esquecimento. Mas as semelhanças termi-
nam aí; Law é uma obra transbordante de 
ironia, sarcasmo e escracho, mais próximo
do American Flagg do Howard Chaykin. 
O roteiro do Mills é engenhoso, complexo
e intrincado com muitas surpresas e ines-
perados twists; a narrativa fragmentada é
habilmente conduzida com mudanças de 
ponto de vista e complexas transições 
temporais (por vezes se exige um esforço 
de concentrção maior que o habitual; quan-
do terminei o primeiro número tive a im-
pressão de têr lido um gibi fisicamente mais
extenso em número de páginas, tamanha a 
quantidade de informação textual e visual).
Seria injusto não mencionar a estupenda arte
angular e estilizada do Kevin O'Neill, mais 
conhecido no mainstream como o desenhista
de As Aventuras da Liga Extraordinária.
Talvez seria exagero de minha parte colocar
Marshal Law no mesmo patamar de excelência
com um V de Vingança, As Aventuras de Luther 
Arkwright ou os já citados Watchmen e American 
Flagg, mas não em considerá-la
como uma das melhores e mais ácidas
sátiras de super heróis já escritas. Se você não
não leu corra nos sebos e cate as seis edições 
lançadas pela editora abril no começo dos
anos noventa; se já leu faça de novo, esse gibi
é extraordinário.

Cotação: ***** de *****

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Creepy #1-Resenha de HQ


Depois de uma maratona lendo os contos
do Edgar Allan Poe e O Médico e o Monstro
do Stevenson me bateu uma vontade dana-
de lêr algo mais "vísual" mas dentro do gênero
gótico e fantástico, e eis que me cai em mãos
a MARAVILHOSA compilação da Dark Horse
colecionando os seis primeiros números da
revista Creepy.Naturalmente é impossível
formar uma opinião lendo apenas o primeiro
número que geralmente funciona mais como
um "laboratório" e training ground para 
edições posteriores, mas graças a excep-
cional qualidade do material, pode-se tirar
algumas conclusões. O primeiro aspecto que 
me salta aos olhos é a altíssima qualidade
da arte: enquanto que os primeiros gibis 
da E.C. comics (já resenhados no blog), 
ainda que excelentes, demonstravam uma
certa crueza na arte, Creepy chega chutando
o pau da barraca com alguns dos mais bonitos
desenhos já feitos para as HQ's. Também nos 
lembra este primeiro número que diferença faz
um grande roteirista. O texto do Archie Goodwin
(que assumiria o cargo editorial no segundo
número) fica a anos luz do restante, e é um dos
motivos de alguns destes contos serem
considerados clássicos. Aliás, um dos pontos 
negativos deste #1 é justamente a qualidade
dos roteiros escritos por outras mãos, que são,
comparativamente inferiores, embora nada que 
chegue próximo da (baixa) qualidade do material
da editora Atlas que geralmente tem arte muito
acima da média mas scripts absolutamente podres 
fedorentos.
Como roteirista de horror o Goodwin me parece ocupar 
uma posição meio que secundária quando
comparado a nomes como o Marv Wolfman;
mas assim como o grande Al Feldstein (ro-
teirista da E.C.), merece um lugar de destaque,
pois, enquanto não exatamente influente e
inovador como o Feldstein, demonstra um talento
nato como storyteller e um hábil criador de twists.
Neste ponto se faz necessário mencionar uma
importante diferença em approcah e método de
ataque: os melhores contos do Feldstein de-
monstram ritmo e ação cinematográficos com
uma profusão textual no box de narrativa e 
balões de diálogo que beiram o absurdo; 
Goodwin escreve com uma simplicidade e 
economia de estilo desconcertantes. Se 
o primeiro pode ser comparado estiliscamente
ao Stephen King o segundo se aproxima
mais do Roald Dahl.
Abaixo relaciono os contos com breves co-
mentários.


Voodoo! [Bill Pearson/Joe Orlando]


Sinopse:
Marido alcoólatra persegue a esposa 
envolvida com vodu no Haiti e se de-
para com um bizarro segredo.

Crítica:
Conto rotineiro e previsível com um final
opaco e anticlimático mas redi-
mido pela atmosférica arte do 
Orlando.

Cotação: ***1/2


H2O World! [Larry Ivie/Al Williamson & Roy G. Krenkel]

Sinopse:
Casal de merguladores resolvem explorar
uma desconhecida cidade marinha mas são
surpreendidos por criaturas marinhas.

Crítica:
Muita exposição e descrição atravancam o
ritmo deste conto mas a arte detalhada do Williamsom
é um verddairo colírio para os olhos.

Crítica: **** de *****



Vampires Fly At Dusk! [Archie Goodwin/Reed Crandall]

Sinopse:
Mortes em um vilarejo obrigam a polícia
a visitar um castelo e interrogar um temido
casal.

Crítica:
E entra em cena o roteirista Godwin e imedia-
tamente nota-se uma diferença abismal na 
qualidade do texto. A arte do Reed Crandall 
foi meu motivo primário para morrer em 35 doletas
neste encadernado. 
Belíssimo conto gótico com um final surpreendente,
poético e trágico. 

Cotação: ****1/2 de *****

Werewolf! [Larry Ivie/Frank Frazetta]

Sinopse:
Caçador profissional é chamado para
caçar uma estranha criatura que aterroriza
uma vilarejo.

Crítica:
Última história desenhada pelo lendário
Frank Frazetta. Roteiro fraco e um final
tosco prejudica este conto belamente 
desenhado.

Cotação: ***1/2 de *****

Bewitched! [Larry Ivie/Gray Morrow] 

Sinopse:
Cético resolve executar um feitiço
encontrado em um antigo livro sobre
bruxaria com resultados catastróficos.

Crítica:
Arte excepcional do Morrow redime este 
conto confuso que mistura sonhos,
vodu e bruxaria.

Cotação: **** de *****

The Success Story [Archie Goodwin/Al Williamson]

Sinopse:
Cartunista famoso conta a dois
companheiros sua trajetória do
poço ao topo.

Crítica:
Excepcional conto onde o Goodwin
demonstra todo seu talento misturando
crítica, ironia, humor negro e horror .
A sacada de gênio fica por conta da
maneira como ele "conta" a história
de sua trajetória para seus amigos
e consequentemente o leitor: os amigos
"sabem" apenas uma parte
da história contada no box de diálogos,
enquanto que nos balões de diálogo
do flashback, o leitor conhece "o outro
lado da moeda".Uma das melhores histó-
rias sobre as armadilhas e segredos do 
processo criativo. Brilhante, brilhante...

Cotação: ***** de *****

Pursuit Of The Vampire! [Archie Goodwin/Angelo Torres]

Sinopse:
Prefeito de um vilarejo aguarda os habitantes
voltarem do sepultamento de duas moças
para caçar um assasino que pode ser um vampiro.


Crítica: 
Um conto de horror de época no estilo Hammer,
com o texto economicamente rebuscado do
Goodwin, aliado a arte do calibre de um Torres
só poderia resultar num belíssimo poema visual.

Cotação: ****1/2 de *****

sábado, 11 de julho de 2009

Fell-Resenha de HQ


Argumento: Warren Ellis
Arte: Ben Templesmith

Sinopse:

Detetive Richard Fell é transferido para um local
sombrio e decadente conhecido como Snowtown.
Enquanto se adapta a nova vida e toma contato
com os estranhos e superticiosos moradores,
investiga crimes progressivamente mais estra-
nhos e macabros que revelam não apenas
a natureza dos seus moradores como também a
face oculta de Snowtown.



Crítica:
Como um grande roteirista faz a diferença. Do
pouco que conheço do trabalho do Ben
Templesmith, considero-o um dos melhores
ilustradores do horror e macabro da atualidade;
sua arte vaga e surreal (em Fell menos abstrata
e com contornos mais definidos) é perfeita para
este tipo de história mas, sinceramente, nunca achei
os roteiros do Steve Niles a altura do talento do
Templesmith como ilustrador (considero 30 Dias de
Noite um gibi divertido mas nada que justifique
tanto bafafá). Com Fell ele finalmente encontra um
roteirista que realmente faz jus a seu talento e a quí-
mica é perfeita! Fell é um dos melhores gibis de
de investigação macabra que já li e uma das prin-
cipais razões do seu sucesso artístico é a perfeita
sintonia e interação entre texto e desenho. Falar
que Warren Ellis é competente é subestimar seu
imenso talento como roteirista, sua habilidade em
fisgar o leitor com narração e diálogos certeiros, por
vezes melancólicos e amargos, outras de cunho
existencial e filosófico, é inigualável. Ainda que Fell
tenha passagens de violência extrema, seu prota-
gonista tende a resolver os casos com o cérebro
e muita, muita psicologia. Não existem contos ruins
neste encadernado, difícil mesmo é selecionar os
melhores. Acho que os meus preferidos são os nú-
meros 3, 5 e 6 que tratam de um homem bomba
num brechó, um misogenista solitário e um pai egoísta
e pervertido.
Fell é um gibi sombrio e denso, carregado de tensão e passa-
gens de profunda melancolia, solidão, abandono e desolação,
mas também carregado de humanismo e compaixão. Ao
mesmo tempo é um gibi super acessível (seus contos são
inteiramente independentes que em conjunto formam um
big canvas de uma cidade que quanto mais se desintegra
e apodrece mais viva se torna).
Pode não ter a complexidade e a mesma veia satírico-irônica
de um Transmetropolitan, mas é provavelmente sua obra
mais equilibrada.
Imperdível.

Cotação: ***** de *****

sábado, 4 de julho de 2009

The Uninhabited -Resenha de HQ

Conto gráfico integrante da revista Strange Tales #6

Sinopse:
Astronautas pousam na lua para
tentar finalizar missão na qual
outras expedições fracassaram,
mas o grupo explorador começa
a sofrer baixas inexplicáveis que
os sobreviventes atribuem a uma
enigmática e poderosa força invi-
sível.


Crítica:
Taí um baita exemplo de como idéias
não necessariamente originais (para
falar verdade já eram clichês na 
década de 50) podem ser muito
muito bem aproveitadas nas mãos
de profissionais competentes.
Com suspense e tensão exalando pelos
poros, essa FC muito me lembrou os
suspenses espaciais escritos pelo A.
E. Van Vogt nos anos 40. O texto é en-
volvente da primeira a última linha mas
é na arte extraordinária do grande Russ
Heath que se encontra o verdadeiro delei-
te The Uninhabited. Um pequeno clássico
visual da pulp sci fi.

Cotação: ***** de *****

Shade: O Homem Mutável #1-10-Resenha de HQ


Argumento: Peter Milligan
Arte: Chris Bachalo
Arte final: Mark Pennignton


Sinopse:
Alma do habitante de um planeta conhecido
como Meta, por intermédio de uma espécie
de encruzilhada cósmica, vai parar na Terra
e se apossa do corpo físico de um sanguinário 
psicopata prestes a ser excecutado. Ao se 
encontrar com uma jovem alcoólatra cujos
pais foram brutalmente assassinados pelo
psicopata, tenta convencê-la de sua origem
alienígena e parte com ela em uma viagem
pela américa a fim de deter uma misteriosa
epidemia de loucura e uma enigmática força
de nome O Grito Americano. Repetidamente
levados pela " correnteza da loucura" por uma 
América caótica e surreal, Shade e sua com-
panheira combatem uma esfinge de JFK, uma
câmera que externaliza e materializa as perver-
ções e obsessões de uma já decadente Hollywood,
um guru picareta movido a LSD que tenta 
combater a loucura com uma sobrecarga de
"amor", dentre outros caoticismos e bizarrerias.



Crítica:
Da chamada invasão britânica capitaneada
pelo Alan Moore na primeira metade dos
anos 80 e que deu uma bela sacudida no 
estagnado mercado americano, nomes como
Neil Gaiman e Grant Morrison são figurinhas
carimbadas. Com um pouco de esforço pode-
ríamos citar o irregular mas importantíssimo 
Jamie Delano (aquele que deu alma a John 
Constantine em Hellblazer). Talvez eu não tenha
lido Peter Milligan o suficiente para colocá-lo no 
mesmo patamar de excelência que os três citados
acima, mas tendo como base obras como Skreemer,
O Extremista e este Shade, considero-o, disparado, 
o mais subestimado escritor do selo Vertigo. Na
primeira metade do novo milênio ele conseguiu
um inesperado (e merecidíssimo) sucesso no
mainstream escrevendo X-Factor/X-Stasis mas 
ainda hoje não tem metade do reconhecimento 
de público que merece.
Shade The Changing Man é um caminhão surreal
e psicodélico carregado de nitroglicerina guiado
por um maníaco literato e visionário, e é justamente 
nestas características que residem suas maiores 
qualidades e, felizmente em menor número,
seus defeitos.O texto do Milligan ora é ácido e 
afiado como um fio de navalha, ora humano, passional
e poético (o conto Os Inominados em especial é um
belíssimo poema gráfico de horror que toca em temas sociais
com uma elegância e britishness não muito distante do
horror social do Ramsey Campbell) e por vezes 
excessivamente oblíquo, vago e verboso beirando
a incompreensibilidade.Shade certamente não é 
para todos os gostos mas é impossível ficar indiferente !!!
Só não leva cinco estrelhinhas por alguns excessos
(em certos momentos o leitor corre o risco de sofrer
um overload sensorial!!!)
e uma certa auto indulgência por parte do Milligan,
mas o saldo final é mais que positivo. Para quem gosta
de obras como Doom Patrol e Os Invisíveis do Morrison
ou os livros do Philip K. Dick, Shade é altamente 
recomendado.

Cotação: ****1/2   de   *****