quarta-feira, 22 de julho de 2009

Marshal Law:Fear and Loathing- Resenha de HQ




Sinopse:
Após um violento terremoto que quase destruiu
São Francisco, a cidade mergulha num caos
de violência, criminalidade e corrupção. Entra
em cena um justiceiro mascarado que trabalha
para o governo com a missão de cobrir a parte
central da cidade habitada por mal feitores e 
gangues de super heróis enlouquecidos pela
guerra. Em meio a esse cenário caótico, um
assassino misterioso conhecido como Hiber-
nante ataca mulheres vestidas como a heroína
Celeste, namorada de Espírito Público, pri-
meiro super herói a alcançar as estrelas e 
símbolo dos ideais e sonho americano.
Em meio a destruição e pancadaria na 
parte central da cidade, Law investiga o 
o caso e passa a crer que por trás do capuz
de papel do Hibernante se esconde o hipó-
crita Espírito Publico.

Crítica:
Marshal Law é um paradoxo: um super herói
durão e violento, caçador de super heróis
durões, violentos... e enlouquecidos (na ver-
dade um pouco mais que seu caçador!!).
Com um conceito tão maluco como esse
Fear and Loathing tinha tudo para ser um 
desastre artístico e comercial, não fosse 
a presença do grande roteirista inglês
Pat Mills (um dos fundadores da revista 
2000AD e autor de obras geniais como 
A Era Metalzóica, Slaine e mais recente-
mente Requiém Chevalier Vampire). A 
grande ironia é que justamente sua
obra mais crítica e ácida aos super heróis 
(e por extensão aos ideais americanos)
foi seu único sucesso comercial no for-
mulaico e conservador mercado americano.
Vindo na esteira do sucesso de Watchmen,
Law infelizmente acabou meio que sendo
ofuscada pela genial obra do doidão de 
Northampton. Assim como Moore, Mills
nos joga numa américa distópica e caótica,
onde a entropia anda a passos largos e a so-
ciedade caminha em direção da aniquilação
e esquecimento. Mas as semelhanças termi-
nam aí; Law é uma obra transbordante de 
ironia, sarcasmo e escracho, mais próximo
do American Flagg do Howard Chaykin. 
O roteiro do Mills é engenhoso, complexo
e intrincado com muitas surpresas e ines-
perados twists; a narrativa fragmentada é
habilmente conduzida com mudanças de 
ponto de vista e complexas transições 
temporais (por vezes se exige um esforço 
de concentrção maior que o habitual; quan-
do terminei o primeiro número tive a im-
pressão de têr lido um gibi fisicamente mais
extenso em número de páginas, tamanha a 
quantidade de informação textual e visual).
Seria injusto não mencionar a estupenda arte
angular e estilizada do Kevin O'Neill, mais 
conhecido no mainstream como o desenhista
de As Aventuras da Liga Extraordinária.
Talvez seria exagero de minha parte colocar
Marshal Law no mesmo patamar de excelência
com um V de Vingança, As Aventuras de Luther 
Arkwright ou os já citados Watchmen e American 
Flagg, mas não em considerá-la
como uma das melhores e mais ácidas
sátiras de super heróis já escritas. Se você não
não leu corra nos sebos e cate as seis edições 
lançadas pela editora abril no começo dos
anos noventa; se já leu faça de novo, esse gibi
é extraordinário.

Cotação: ***** de *****

2 comentários:

Bongop disse...

Olá Ramon
Já tinha tido boas indicações dessa série, e já tenho o pre-order feito para o The Marshal Law Omnibus, um livro em edição "deluxe", tudo num só volume, colorido, de 512 páginas!
É editado pela Top Shelf em Novembro deste ano.

Ramon Bacelar disse...

Eu até pensei em comprar esse hardcover mas minha wish list tá tão grande que acabei desistindo.
Só os archives da Creepy, Eerie, Atlas e os omnibus do Justiceiro e
Demolidor me deixarão "ocupado" por um bom tempo (((--:::
Estou escrevendo uma resenha para
uma série fantástica da Vertigo chamada Terminal City.Conhece?