sábado, 4 de julho de 2009

Shade: O Homem Mutável #1-10-Resenha de HQ


Argumento: Peter Milligan
Arte: Chris Bachalo
Arte final: Mark Pennignton


Sinopse:
Alma do habitante de um planeta conhecido
como Meta, por intermédio de uma espécie
de encruzilhada cósmica, vai parar na Terra
e se apossa do corpo físico de um sanguinário 
psicopata prestes a ser excecutado. Ao se 
encontrar com uma jovem alcoólatra cujos
pais foram brutalmente assassinados pelo
psicopata, tenta convencê-la de sua origem
alienígena e parte com ela em uma viagem
pela américa a fim de deter uma misteriosa
epidemia de loucura e uma enigmática força
de nome O Grito Americano. Repetidamente
levados pela " correnteza da loucura" por uma 
América caótica e surreal, Shade e sua com-
panheira combatem uma esfinge de JFK, uma
câmera que externaliza e materializa as perver-
ções e obsessões de uma já decadente Hollywood,
um guru picareta movido a LSD que tenta 
combater a loucura com uma sobrecarga de
"amor", dentre outros caoticismos e bizarrerias.



Crítica:
Da chamada invasão britânica capitaneada
pelo Alan Moore na primeira metade dos
anos 80 e que deu uma bela sacudida no 
estagnado mercado americano, nomes como
Neil Gaiman e Grant Morrison são figurinhas
carimbadas. Com um pouco de esforço pode-
ríamos citar o irregular mas importantíssimo 
Jamie Delano (aquele que deu alma a John 
Constantine em Hellblazer). Talvez eu não tenha
lido Peter Milligan o suficiente para colocá-lo no 
mesmo patamar de excelência que os três citados
acima, mas tendo como base obras como Skreemer,
O Extremista e este Shade, considero-o, disparado, 
o mais subestimado escritor do selo Vertigo. Na
primeira metade do novo milênio ele conseguiu
um inesperado (e merecidíssimo) sucesso no
mainstream escrevendo X-Factor/X-Stasis mas 
ainda hoje não tem metade do reconhecimento 
de público que merece.
Shade The Changing Man é um caminhão surreal
e psicodélico carregado de nitroglicerina guiado
por um maníaco literato e visionário, e é justamente 
nestas características que residem suas maiores 
qualidades e, felizmente em menor número,
seus defeitos.O texto do Milligan ora é ácido e 
afiado como um fio de navalha, ora humano, passional
e poético (o conto Os Inominados em especial é um
belíssimo poema gráfico de horror que toca em temas sociais
com uma elegância e britishness não muito distante do
horror social do Ramsey Campbell) e por vezes 
excessivamente oblíquo, vago e verboso beirando
a incompreensibilidade.Shade certamente não é 
para todos os gostos mas é impossível ficar indiferente !!!
Só não leva cinco estrelhinhas por alguns excessos
(em certos momentos o leitor corre o risco de sofrer
um overload sensorial!!!)
e uma certa auto indulgência por parte do Milligan,
mas o saldo final é mais que positivo. Para quem gosta
de obras como Doom Patrol e Os Invisíveis do Morrison
ou os livros do Philip K. Dick, Shade é altamente 
recomendado.

Cotação: ****1/2   de   *****

2 comentários:

Oz disse...

Li "Shade" pela DC na época do seu lançamento original e ainda tenho todas as revistas. Estava empolgado com "Sandman", "Monstro do Pântano" e outros títulos de Neil Gaiman e Alan Moore e ávido por quadrinhos ingleses nessa linha e não me decepcionei nem um pouco com o título. Realmente "Shade" é uma viagem lisérgica no melhor sentido da expressão e nutre muito bem a imaginação de quem adora HQs e busca algo mais do que super-heróis e outras mesmices. "Shade" - assim como outros títulos da Vertigo daquela época - é um bom exemplo de quadrinho alternativo e underground inserido no mainstream. Ótimo saber que alguém mais aqui no Brasil também sente apreço e admiração por "Shade", após quase duas décadas de sua publicação.

Ramon Bacelar disse...

Comprei na época do lançamento aqui e realmente não sei pq demorei tanto tempo para ler. Tenho profunda admiração pelas HQ's da Vertigo (e daquele material que foi incorporado ao selo posteriormente)
em especial ao material dos primeiros anos.Shade é leitura que não se sai inteiro, daquelas para
detonar os sentidos e desenferrujar as dobradiças do
cérebro ((--:::

Abs
Ramon