segunda-feira, 27 de julho de 2009

Terminal City-Resenha de HQ


Argumento: Dean Motter
Arte: Michael Lark


Sinopse:
Um ex-artista performático
decadente que trabalha como 
limpador de janelas.Um des-
memoriado com uma valise 
presa a mão que despenca 
de um monotrilho. Uma gangs-
ter perseguida por um policial
obsessivo.Uma misteriosa "dama
de vermelho". Franceses excên-
ticos, robôs serventes, atores 
decadentes, sonâmbulos...
e Terminal City, uma excentri-
cidade art deco de sonhos per-
didos e esperanças mortas.


Crítica:
Terminal City fascina e impressiona:
personagens pulp que a primeira vista 
parecem não passar de estereótipos
caricatos ganham profundidade e 
dimensão pelo elaborado roteiro do
do Dean Motter, que também emprega 
igual esforço e derrama suor em sua visão
dessa monstruosidade arquitetônica que é
Terminal City, uma cidade decadente, a-
meaçadora, corruptora de almas e maqui-
nadora de ilusões que assusta e maravilha,
uma presença constante, predatória que
vive, respira e espera.
Riquíssimo em referências que vão do ex-
pressionismo alemão, construtivismo russo,
cinema noir e uma vasta gama de literatura 
pulp (para não citar um eficiente emprego
de alguns conceitos de psycho-arquitetura),  
TC é um estranho e fascinante híbrido steampunk
retro-futurista cujo conceito, estética, abor-
dagem e método de ataque é tipicamente euro-
peu, o que talvez explique porque esse gibi seja
cultuado, mas não muito popular quando com-
parados a outros gibis da Vertigo.
Ainda que grande parte de TC tenha brotado 
da mente do Motter (premiado designer gráfico
e desenhista) seria injusto não citar a excelente
arte limpa e angular do Michael Lark (quem o 
conhece do seu trabalho com o Demolidor
com sua arte carregada de sombra vai se 
espantar) que consegue traduzir com perfeição
a visão do Motter.
O enredo, ao mesmo tempo vago, complexo e
intrincado, se desenrola de maneira lenta, sem
muita pressa para chegar ao seu destino. Muito
espaço é concedido as caracterizações e o re-
sultado é um gibi focado muito mais nos perso-
nagens que em seu mistério central.
No final muito é deixado no ar, portanto se você
é daqueles leitores que gostam de enredos bem
estruturados com tudo-arrumadinho-e-explicadinho-
no-final tenha em mente que tens que cumprir seu
papel de leitor (parafraseando nosso Machado de
Assis: "detesto o escritor que me diz tudo").
Pela sua originalidade de concepção, fertilidade de
imaginação, ousadia de approach e literacy, 
Terminal City é leitura obrigatória.


Cotação: ****1/2  de  *****

7 comentários:

Guilherme disse...

Boa resenha. Mais uma obra que me despertou interesse. Pela quantidade de referência, sua estética, pelo enredo que elogiastes, etc.

Terminal City saiu pela Vertigo, não? Quem sabe eu compre, mas primeiro quero ter o The Nobody do Jeff Lemire que saiu pela Vertigo também.

Ramon Bacelar disse...

Oi,

Se você mora no Brasil pode ser encontrado em sebos a preço de banana.
Sim, é da Vertigo.

Bongop disse...

Terminal City não conheço, mas vou investigar! Fiquei curioso...

Ramon Bacelar disse...

Terminal City:Aerial Grafitti é quase tão boa quanto essa.Pra mim é de longe o melhor trabalho do Michael Lark.

Ramon Bacelar disse...

>>>>mas primeiro quero ter o The Nobody do Jeff Lemire que saiu pela Vertigo também.

Dei uma olhada no preview e plot e me despertou o interesse.

Ramon

Matheus C. Amorim disse...

Gostei da resenha. Acabo de comprar a prmeira edição, e quase tudo o que voê diz confere. Mas o que você quer dizer com ao mesmo tempo vago, complexo e
intrincado..."? Por que vago?

Ramon Bacelar disse...

Oi,

>>>>>>>>>Gostei da resenha. Acabo de comprar a prmeira edição, e quase tudo o que voê diz confere. Mas o que você quer dizer com ao mesmo tempo vago, complexo e
i>>>>>>>>ntrincado..."? Por que >>>>>>>>vago?

sem entregar o jogo: o enredo e complexo e o leitor trabalha junto
com o roteirista. alguns personagens sao enigmaticos e o final um tanto aberto
abs Ramon Bacelar