domingo, 16 de agosto de 2009

The Goon:Nothing But Misery - Resenha de HQ


Sinopse:
Coletânea com vários contos
de um gângster violento mas boa praça
e seu amigo Franky que, em meio
a pequenos crimes e proteção
aos oprimidos, tenta deter
a horda de zumbis comandada pelo temível
Zombie Priest e monstros mutantes marinhos.


Crítica:
The Goon exala cultura pop offbeat
e cinemão de baixo orçamento.Cheira
a noir, Ed Wood, Roger Corman e George
Romero. Ruge como um cano de descarga
fedorento e entra em erupção com explo-
sões de sadismo e ultra-violência de desenho
animado, sentimentalismo ala Frank Capra,
tudo isso embalado num pacote capricha-
díssimo. The Goon é assumidamente demente
e low-brow, mas produzido com um cuidado
e virtuosismo gráfico de fazer corar
qualquer artista pseudo-existencialista
metido a sério e profundo. Eric Powell
nutre uma admiração sincera pela cultura
pop low-brow e isso fica evidente em cada painel,
seja pelo senso de design dos monstrengos
ou pela energia maníaca de sua imagética de-
dicada ao hilariamente bizarro e escatológico.
The Goon pode até ser uma HQ direcionada exclusivamente
ao entretenimento (e a meu ver não têm nada mais
bacana sendo produzido nessa linha atualmente) mas isso
não quer dizer que a abordagem e método de ataque
de Mr Powell seja simplista. The Goon borbulha com
invenção, variedade e referência, seja nas criaturas
que parecem terem saído de algum drive-in de quinta
categoria ou nos anúncios e piadinhas estilo Mad
que interrompem a ação como se fossem comerciais de Tv.
Experimentações com cor e textura, em especial no
belíssimo flashback que conta a história do encontro
do Zombie Priest com um devorador de zumbis chamado
Buzzard, por vezes pululam nos contos, nos livrando
da mesmice e tédio gráfico que por vezes assolam as 
HQ's mainstream.
Por ser um gibi desavergonhadamente referencial,
para o curioso e conoissieur, The Goon permite uma
"segunda camada de leitura" e neste aspecto muito me lembra
os contos do criminalmente subestimado Norman Partridge.
The Goon não vai mudar sua vida mas se o que você
procura é diversâo de alto nível gráfico, editorial e textual
pode mergulhar de cabeça neste pesadelo cômico sem medo de ser
feliz.

Cotação: ***** de *****

sábado, 8 de agosto de 2009

Hellblazer:Joyride #230-231 –Resenha de encadernado parte 1


A partir deste post estarei resenhando os três
arcos de histórias que compõem o encadernado
Joyride.

Sinopse:

John Constantine é algemado 
abaixo de um pier e vigiado
por um gânsgster que diz
estar cumprindo ordens, sem
saber que seu chefe é um
conhecido de Constantine.

Crítica:
Sempre gostei da Hellblazer mas
minhas leituras sempre foram es-
porádicas. Quando li uma minissérie
do Monstro do Pântano escrita pelo
Diggle gostei muita da maneira como
ele caracterizou o Constantine e ima-
ginei-o como um bom escritor para
a revista. Qual não foi a minha surpresa
ao visitar uma livraria em Salvador e
encontrar o primeiro encadernado da 
fase do Diggle na promoção.
A impressão que me fica nesse primeiro
arco é que o Diggle, apesar de não apre-
sentar nada de novo, também não decep-
ciona. In at the Deep End começa como 
uma história de crime e num twist violento
se torna um conto de zumbis com imagética
convencional muito bem executada pelo 
Leonardo Manco e um roteiro bem condu-
com boas surpesas e sacadas.
Se você deixou de ler Hellblazer por achar
estagnada e repetitiva certamente não encon-
trará nada de novo aqui, mas se não for com
muita sede ao pote ela pode saciar sua sede
por um conto de horror bem contado.

Cotação: **** de *****

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Authority: Kev - Resenha de HQ




Sinopse:
Agente inglês sanguinário e com
má reputação é recrutado para
exterminar o grupo Authority de-
vido a sua desagradável influência 
em assuntos internacionais.

Crítica:
Garth Ennis é um escritor polarizador
de opiniões: para alguns seus gibis 
são apelativos, infantilóides, superfici-
ais e repetitivos, para outros um roteirista
original e revolucionário. Eu, cá no meu
cantinho, digo: nem tanto o mar, nem tanto 
à terra. Considero-o um escritor (muito)
acima da média, mas não o colocaria no
mesmo patamar de um Warren Ellis ou
Grant Morrison. É verdade que seu range 
é um tanto limitado e que sua obra têm
algumas características bem... digamos,
bastante próprias, o que lhe valeu o
rótulo de repetitivo, mas, em minha opinão,
é um escritor excepcionalmente habilido-
so no emprego e manejo da ultra-violência ta-
rantinesca, sarcasmo e humor negro.Digno 
de nota também é a sua habilidade como
storyteller (alguns contos são uma aula de
ritmo narrativo). As críticas negativas que
li sobre esse gibi não são de todo infun-
das pois quem espera lêr um gibi do Au-
thority vai quebrar a cara. Mais ainda que o
personagem Kev, Authority: Kev é acima de tudo 
um gibi DO Garth Ennis(pure, undiluted Ennis)
cuja missão é AVACALHAR, ESCU-
LHAMBAR, DETONAR com os super heróis
(mesmo coisas duca como Authority)
utilizando suas marcas registradas.
A arte do Glenn Fabry é forte, detalhada,
suja, exepcionalmente vívida e expressiva
e um perfeito complemento para o texto
sarcástico.
Quem gosta do Ennis não terá motivos 
para se decepcionar, quem não gosta...


Cotação: ***** de *****

sábado, 1 de agosto de 2009

The Fantastic Four-234-235 –Resenha de HQ



Sinopse:
Após violentos tremores terrestres,
o grupo traça as causas no espaço 
sideral e se depara com um planeta 
entidade conhecida como Ego que
pretende se vingar de derrotas 
passadas destruindo o planeta terra
e seus habitantes.

Crítica:
Em minhas recentes visitas a blogs
estrangeiros, tenho me deparado com
uma definição, atualmente em voga,
para HQ’s mainstreams modernas (
em especial de super heróis) conhecida 
como “narrative decompression”.
Não entrarei em muitos detalhes
quanto a essa definição, mas, em resumo,
seria um ferramenta narrativa em que
os desenhos são uma parte central
do desenvolvimento da narrativa e o
pouco texto cumpriria a função basi-
camente dos diálogos, com poucas
caixas de narrativa e balões de pen-
samento. No processo acabei desco-
brindo o motivo do meu desconten-
tamento com as atuais HQ’s de super 
heróis. Talvez eu não tenha lido o su-
ficiente para ter uma opinião mais só-
lida (nunca deixei de ler super heróis,
mas nunca foram minha leitura pri-
oritária) mas esse tipo de approach 
as vezes me soa meio fake e derivado
muito mais de uma necessidade mer-
cadológica que impulso artístico. Não
estou dizendo que não leio material
de qualidade, mas a maioria das histórias
me passam a impressão de serem mais
longas que deveriam, com desenhos
chamativos e muito pouco conteúdo
(aqui na Bahia a gente define isso como
encheção de lingüiça). Claro, se por um lado,
em qualquer época, a mediocridade, fórmula
e repetição ad-nauseum sempre foram a
norma, por outro nunca deixou de existir
artistas genuinamente talentosos com ou-
sadia e visão suficiente para driblarem as
limitações que o mercado e os trends os 
impõem. Mark Millar, Warren Ellis (es-
pecialmente em Authority) e o Michael
Brian Bendis utilizam essa ferramenta
em favor da história (ainda que muito
desse material poderia ser “comprimido” 
em menor número de edições, o que seria
muito interessante para o leitor que econo-
mizaria algum cash mas conseqüente-
mente menos grana para a equipe cria-
tiva e editoras que têm maior parte do 
lucro no mercado de encadernados), com
um ótimo aproveitamento do “espaço” 
para aprofundamento psicológico, carac-
terização e conteúdo emocional.
Mas que diabos toda essa conversa têm 
a ver com com um gibi lançado na primeira
metade dos anos 80? Simples. Esse gibi 
foi produzido em uma época em que “as
coisas realmente aconteciam”, uma época
em que você lia 22 páginas e tinha a imp-
pressão de ter lido um épico de 200 e saía
da leitura plenamente satisfeito e esperava
a próxima edição com a certeza de ler uma 
história mais ou menos auto-contida. Bom ou 
ruim, o approach sem firulas era um movimento 
constante, sem o lance de encadernados, edições
de luxo e toda a parafernália que acaba por as-
fixiar o que realmente importa: a criação artística.
Esse Quarteto do Byrne representa o que de
melhor se produziu em super heróis em qualquer
época.
Essa saga nos traz ecos de dois clássicos
da FC: uma literária e outra cinematográfica. A 
idéia de um planeta como entidade viva já foi
explorada magistralmente pelo escritor polonês
Stanislaw Lem no romance Solaris; no cinema
Viagem Fantástica e seu ótimo meio remake
Viagem Insólita abordaram a idéia de uma nave
miniaturizada explorando um organismo vivo.
Byrne utiliza essa idéias e as rearranja num 
contexto de super heróis, e o resultado final 
é nada menos que maravilhoso.Um clássico.

Cotação: ***** de *****